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Gestão participativa solidifica a cidade

14/05/2009 11h57 - última modificação 21/05/2009 12h20

A São Paulo do início do século XX foi palco de diversas manifestações econômicas e culturais, ocasionadas, principalmente, pela expansão cafeeira. Os barões do café investiram maciçamente na modernização dos grandes centros urbanos, áreas onde viviam, atingindo um desenvolvimento comparável ao da Europa. Na década de 1940, quando a população total somava apenas 1,3 milhão, eletricidade e automóvel eram sinônimos de prosperidade.

Mais de meio século depois, a riqueza acumulada por cada cidade ainda as caracteriza como prósperas. Os municípios mais importantes do País são os mais abastados, tanto financeira, quanto demograficamente. Mas, para o professor e coordenador da Cátedra  Gestão de Cidades, da Universidade Metodista de São Paulo, Luiz Roberto Alves, essa idéia está ultrapassada. "O conceito de próspero tem de ser mudado. Entre os anos 50 e 70, próspero era sinônimo de riqueza. Mas isso não é mais possível porque as cidades podem tornar as pessoas altamente infelizes a despeito de serem grandes com turistas, indústrias, serviços e até com um razoável nível de empregos", explicou.

De acordo com Alves, o progresso da cidade é inerente à expansão social e cultural que a gestão pública deve e tem capacidade de oferecer. "A cidade só prospera quando produz vínculos simbólicos e culturais. É possível que ela tenha um progresso econômico intenso e seja muito pobre nesses vínculos. Esse é o exemplo da maioria das cidades que conhecemos", afirmou. Por conta da tradição cultural, Paris, Londres e Nova York são consideradas as cidades mais importantes do mundo.

Para que esse ponto de vista seja alterado, o coordenador defende uma função mais ativa da população na gestão municipal. Segundo ele, a grandeza de uma cidade está na capacidade que ela tem de reunir os diversos atores sociais em torno de um debate de interesse comum.

"Pequena, média ou grande, a questão da cidade está em que ela tenha pelo menos três pontos: organize os serviços básicos com um bom índice de participação social, coloque educação e cultura como centro do seu processo de desenvolvimento e chame a população por meio da gestão participativa para um processo de tomadas de decisão. Se esses três componentes de algum modo se realizarem, por diversos canais, então uma cidade torna-se próspera".

Um dos canais apontado por Alves é o da comunicação. Nada de tecnologia, mas sim um diálogo maior entre os cidadãos. Uma mostra da simplicidade com que é possível efetivar a cidadania de cada habitante é o resgate do modelo das cidades gregas.

"O processo de comunicação social deveria ampliar intensamente e recuperar realmente a dimensão grega. A pessoa não pode ser um agregado, um acampante da cidade. A pessoa teria de ser um cidadão, mas um cidadão pela lógica de século 13. A cidade é um lugar político e não apenas de cimento e dinheiro. É um território onde se juntaram pessoas e instituições. É um lugar de ação humana", explicou Alves.

Seguindo essa lógica, fica difícil destacar qual cidade é a mais importante no país ou no mundo. "A cidade mais importante hoje não é A, B ou C. É onde a gente está e pode deixar de ser um simples morador e se tornar um cidadão. Essa é a boa cidade contemporânea, em um processo de comunicação que ligou as pessoas", reiterou.

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