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O Reconhecimento do Divino: Compreensão do Não-Teísmo Budista

O Budismo, de forma geral, é uma religião que não possui em seu imaginário religioso o conceito de monoteísmo, sendo, por causa disso, equivocadamente interpretado pelos estudiosos ocidentais como uma crença ateísta. Por outro lado, há quem o considere uma religião politeísta, devido à sua grande gama de divindades, o que também é um resultado mal interpretado de suas figuras religiosas.

Para se obter a resposta correta acerca dessas duas proposições, não se deve calcular o número de deuses ou a sua ausência, o que torna as duas perspectivas citadas acima inválidas para o estudo do pensamento budista. O primeiro passo da pesquisa, então, seria compreender a concepção que se tem de divindade dentro do universo religioso budista, onde a divindade não é personificada, mas vista como algo interno e presente a ser reconhecido, chamado de “true nature” (“natureza real”) – ou simplesmente natureza búdica – esclarecendo seu conceito de religião não-teísta e diferenciando-a do pensamento ateísta.

Este se torna o objetivo do adepto budista: despertar, reconhecer esta natureza real, tornando-se ele próprio a divindade, ou um buda (que quer dizer “O Desperto”), claramente ilustrando uma posição espiritual que procura o divino em seu próprio interior, e não em seu exterior.

Assim, ao mesmo tempo que não existe a personificação de um deus supremo – ou deuses – o divino é concebido de uma maneira mística, sem personificações ou definições, levando a pesquisa para o estudo do ensinamento budista chamado de Vacuidade. Este é um pensamento filosófico crucial na realidade religiosa budista que merece especial atenção, pois está intimamente ligado também com a própria ausência de definição e personificação do divino, a fim de não limitar a sua compreensão.

Juntamente com o ensinamento da Vacuidade, que compreende, entre outras coisas, o divino sem limitações através de definições e conceitos e interligado em tudo e em todos (“Awareness”), há o ato de se tornar um bodhicitta, que é o vocabulário utilizado para a definição da atitude formal de desenvolver a compaixão pelos outros seres e praticá-la, sendo um importante passo para compreender e desenvolver a natureza real. Porém, a compreensão da bodhicitta não ocorre sem a real compreensão da compaixão, sendo conveniente inserir algumas colocações sobre esta virtude.

Por fim, com esta perspectiva religiosa, o indivíduo budista acaba por fazer parte de uma religião não-teísta, mas intimamente ligada ao divino através da tentativa dele mesmo se tornar “deus”, ou na linguagem budista, se tornar um buda, reconhecendo as qualidades da deidade, sendo que um dos caminhos para tal é a compreensão da Vacuidade – que inclui, sucintamente, a remoção de conceitos errôneos (ou também chamados de “pré-conceitos”) e o desenvolvimento e prática da compaixão.

Apesar do Budismo se focar no reconhecimento da natureza real do indivíduo, ele não é uma religião individualista, pois é a partir da preocupação com o bem estar de todos os seres através da compaixão que se mostra um dos aspectos da divindade: a bodhicitta.

A partir dessa iniciativa de pesquisa, o presente trabalho procura estudar a concepção budista acerca da deidade e o conjunto de elementos que giram em torno de seu universo, a fim de apresentar a compreensão do não-teísmo budista, especialmente vinculada aos ensinamentos do Budismo Tibetano.

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