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Produção científica cresce, mas falta divulgação

22/10/2014 20h45 - última modificação 13/11/2014 18h18

Não só a comunidade acadêmica deve apurar os radares para as oportunidades abertas pela ciência e tecnologia, mas sobretudo os meios de divulgação. Se na última década até 2013 o total de artigos científicos publicados no Brasil aumentou 137%, segundo agências de fomento à pesquisa como a Fapesp, o mesmo não se pode dizer dos jornalistas setorizados em estudos científicos. Eles são escassos, embora o cenário tenha sido pior.

“Precisei de um redator recentemente para escrever sobre nanotecnologia em silício poroso e não encontrei. Liguei para um físico amigo e pedi indicação sobre quem poderia abordar o tema”, contou a jornalista Mariluce de Souza Moura, grande incentivadora do jornalismo científico à frente da redação da revista Pesquisa Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e também por lançar por sua conta e risco a publicação Bahia Ciência.

Mariluce abriu na noite de 21 de outubro o XVII Congresso de Iniciação e Produção Científica da Universidade Metodista de São Paulo, que se estendeu pelos dias 22 e 23. Falou sobre “Pesquisa e Ciência: como estão sendo produzidas e divulgadas no País”. Segundo sua avaliação, depois de passar décadas no limbo, a ciência finalmente emergiu para a mídia brasileira a partir do sequenciamento genético da bactéria xylella fastidiosa, maior projeto científico já realizado no Brasil, lançado em 14 de outubro de 1997 pela Fapesp com apoio do Fundo Paulista de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) e investimento de US$ 15 milhões. Trata-se da chamada praga do amarelinho, que afeta 34% dos pomares de laranja. A descoberta do sequenciamento foi anunciada em janeiro de 2000.

“A Fapesp criou a comunicação em 1995. De 1997 a 2000 estruturamos um modelo sobre a xylella e inundamos os meios de divulgação sobre o projeto. Quando o resultado saiu, no ano 2000, toda a mídia reconheceu que, sim, o Brasil faz pesquisa e a ciência ganhou então a pauta do Jornal Nacional”, citou Mariluce Moura sobre o maior telejornal brasileiro. Ela considera a xylella o grande marco do encontro entre produção científica e mídia no Brasil, já que prevalecia no imaginário popular a ideia de que ciência era exclusividade dos norte-americanos.

Concentração em São Paulo                          

A diretora de redação da Revista Fapesp atribui a escassa cobertura dos meios de massa ao fato de a pesquisa no país ser concentrada, pois 37% da produção hoje estão nas três universidades públicas paulistas: USP, Unesp e Unicamp. Conclamou empresas e universidades privadas a entrar nesse esforço e elogiou a Metodista pela iniciativa do congresso científico. Para ela, porém, além de produzir, deve-se dar ampla divulgação. “Só o orçamento da Fapesp chega a R$ 1 bilhão. É importante a sociedade brasileira ser informada sobre a criação de conhecimento; é importante levar isso para a mídia”, defende.

Mariluce considera a internet e eventos com teatro, cinema e até museus de rua importantes plataformas interativas para massificação da ciência. Mais uma vez, porém, cobrou profissionais de comunicação especializados na área para explicarem em linguagem acessível ao grande público os benefícios do conhecimento produzido na academia. A jornalista só faz ressalvas quanto a serem criadas expectativas além do que prometem os experimentos. O exoesqueleto apresentado na abertura da Copa do Mundo de 2014, a seu ver, foi revestido de mais marketing do que de realidade próxima da coletividade.

Levando o tema em retrospectiva, Mariluce Moura afirmou que foi com muitos embates entre classes conservadoras e progressistas que o Brasil chegou aos mais de 53 mil artigos publicados até o ano passado, ou 2,45% da produção científica mundial.

Citou que o Brasil chegou tardiamente a esse mercado porque só com a vinda da família real, em 1808, foram implantadas as primeiras escolas superiores, de Medicina e Direito, embora com intuito mais de formar mão-de-obra e menos de produzir conhecimento. Somente em 1901 surgiu o Instituto Biológico e em 1927 o Instituto Butantan com perfil de estimular cérebros a desenvolver conhecimento.

A USP foi lançada em 1934 e a Fapesp criada na Constituição em 1947, mas apenas em 1962 tornou-se realidade. Nos anos 1950 surgiram CNPq, Capes e Inep – todos como fomentadores de pesquisa --, mas o grande salto, a seu ver, se deu nos anos 1970, com a efetiva estruturação da pós-graduação. A aproximação entre ciência e jornalismo ocorre em fins dos anos 80 e início dos 90, quando o fim da ditadura militar em 1985 estimulou a comunidade acadêmica a falar com a sociedade, ainda que timidamente.

Pelo menos 35 instituições de ensino superior, do Brasil e exterior, estão representadas nesta edição do Congresso de Iniciação e Produção Científica da Universidade Metodista por meio de 904 trabalhos inscritos, que serão apresentados na forma oral e de painéis, mesas redondas e workshops. A programação é aberta ao público. Dia 25 as apresentações serão virtuais para a modalidade EAD (Educação a Distância). Veja a programação completa em https://portal.metodista.br/congresso-metodista.

 

 

 

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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