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Colóquio Mídia, Religião e Gênero discute e celebra diversidade

Pessoas de diferentes religiões conversaram sobre preconceito, raça, sexualidade e religião

23/11/2017 12h55 - última modificação 23/11/2017 13h00

Como as expressões de gênero são compreendidas e comunicadas pelas religiões? Essa provocação guiou as discussões do Colóquio Mídia, Religião e Gênero, realizado na última terça-feira (21) nos programas de Pós-Graduação da Universidade Metodista de São Paulo. Pastores de uma igreja inclusiva, um líder religioso do Candomblé e um ex-evangélico falaram sobre suas experiências de vida, vivências religiosas, discriminação e a importância do diálogo e da inclusão.

O reverendo Cristiano Valério, da Igreja da Comunidade Metropolitana – ICM São Paulo, apresentou a história da ICM que acolhe a comunidade LGBT desde 1968, quando foi fundada nos Estados Unidos pelo reverendo Troy Perry. “Somos apenas uma página na história da Igreja, mas temos uma missão ousada com consequências para a Igreja toda. Agora, vemos comunidades mais tradicionais que abrem espaço à escuta afirmativa”, diz.

Para a pastora Alexya Salvador, ser recebida pela ICM representou a oportunidade de se tornar uma mulher plena e feliz. “Ser pastora trans no Brasil não é para qualquer pessoa e eu colho resultados disso. Percebo que a nossa mídia ainda é proeminentemente feita e conduzida por homens e percebemos o machismo que detém o poder e conduz tudo”, comenta a respeito da representação da comunidade LGBT nos veículos de comunicação.

Apesar da representatividade tão escassa, a pastora ressalta que as redes sociais vêm ajudando o desenvolvimento de um diálogo mais direto com as pessoas e maior divulgação dos grupos marginalizados pela sociedade. “Jamais poderia imaginar que eu, como mulher trans, estaria dentro de uma Universidade Metodista. Eu sei que isso é resultado das mídias”.

Espaços de convivência nas redes

Nas redes sociais, também, Samuel Gomes encontrou uma forma de se conhecer melhor e de contar suas histórias. Criado em uma família extremamente religiosa, o jovem encontrava dificuldade em lidar com sua homossexualidade. Hoje, faz questão de se apresentar como “preto, pobre, ex-evangélico, periférico e gay”, adjetivos que causaram sofrimento durante muitos anos em sua vida, mas que hoje permitem a identificação junto a outras pessoas na rede e em seu canal do Youtube “Guardei no Armário”, que também foi o título de seu livro, resultado de tantos textos escritos em seu blog, com histórias de descoberta e vivências fora do espectro da Igreja, em que sua família estava tão concentrada.

“Eu tinha medo de meus familiares não saberem lidar com minha sexualidade. Tive um período de sofrimento e solidão. Eram muitos medos, muitas dúvidas: eu vou para o inferno? Vou decepcionar meus pais? Será que sou errado?”, essas dúvidas somente foram respondidas quando o jovem encontrou outras pessoas que compreendiam o que ele vivenciava e o aceitavam da maneira que era. Assim, passou por um processo de autoaceitação: “depois de todas essas discussões que acompanhamos, a conclusão que podemos chegar é de que existe apenas uma doença – a LGBTfobia”.

E é contra a discriminação que as religiões de matriz africana lutam, ainda hoje, no Brasil. Rodney William, antropólogo, escritor e babalorixá, enfatiza que o Candomblé é uma religião de resistência. Em contraponto à visão preconceituosa que a maioria das pessoas tem em relação ao Candomblé, William chama a atenção ao aspecto acolhedor e aberto da religião: “antes que tudo isso [direitos da comunidade LGBT] fosse colocado em discussão, o Candomblé já fazia esse acolhimento, já acolhia essas pessoas que não eram aceitas em outros espaços”, declara.

Rodney William escreve uma coluna no site da revista Carta Capital e recebe uma grande de quantidade de comentários preconceituosos, que revela não ler. Em meio a tanta discriminação vivenciada nos dias de hoje, o pesquisador diz se ater à esperança de uma sociedade mais tolerante. “Me apoio na esperança de que possamos viver em mundo em que não haja essa divisão. Sei o quão difícil é lutar para existir”, comenta a respeito da luta da comunidade LGBT, em paralelo à luta dos negros no Brasil.

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