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Produção de carne no Brasil afeta o ecossistema

Uma das maiores fontes de renda do país também traz prejuízos

30/10/2015 00h00

As condições de criação de animais para abate polui cada vez mais o meio ambiente

Thais Dussi

O Brasil é o maior exportador de carne bovina no mundo, além da demanda externa, a interna também é enorme. Acredita-se que no período de cinco anos o país passará a ser o maior produtor da matéria, ultrapassando os EUA que ocupam o primeiro lugar atualmente.  Porém o lucro que o país obtém, não vale os malefícios que a produção proporciona.

De 2003 à 2011 (últimos dados lançados sobre o assunto) a produção mundial de carne havia dobrado, resultando em 250 milhões de toneladas anuais. Em 50 anos o rebanho bovino se multiplicou por 5, passando para 6 bilhões de cabeças e o rebanho de aves passou para 16 bilhões.

Em Santa Catarina, por exemplo, a produção de carne suína para o local equivale a 45 milhões de habitantes, só que o estado brasileiro possui apenas 5 milhões de cidadãos. Especialistas afirmam que no futuro haverá mais cabeças bovinas do que pessoas no mundo, como na Amazônia que possui em torno de 22 milhões de habitantes e 35 milhões de cabeças de gado.

Como consequência desse ato aparentemente comum, há os impactos e um deles é o meio ambiente. Especialistas afirmam que o consumo de carne é maior problema do planeta hoje. É claro como a pecuária foi a responsável pelo desmatamento da caatinga, do serrado e agora da Amazônia para a produção de pasto, além das queimadas que liberam em torno de 200 milhões de toneladas anuais de dióxido de carbono, intensificando o efeito estufa, consequência desse avanço de pastos. Os gases produzidos pela digestão dos bois também favorecem esse mal, pois liberam metano, mais nocivo que o dióxido de carbono.

Outro ponto é a infiltração nos lençóis freáticos pelos medicamentos e hormônios utilizados na criação dos rebanhos. A população de suínos é o equivalente a população de 45 milhões de humanos, suas necessidades fisiológicas são sete ou oito vezes mais do que um humano produz por dia, estes são depositados em algumas esterqueiras, recursos hídricos ou outros meios não convenientes. Chegam ao mar 100 milhões de toneladas prejudicando a biodiversidade marinha.

A água doce no Brasil também está comprometida pela agropecuária, pois além dos depósitos inadequados, há o gasto de água revigorando a crise hídrica no país. “É muito desperdício, se pensarmos é irracional porque é necessário em torno de 20 a 30 mil litros para produzir um quilo de carne bovina, enquanto a produção de um quilo de trigo gasta em torno de 150 litros de água. Sem contar o consumo de água do animal e da limpeza do seu corpo e sujeira após o abate, que ultrapassa mil litros”, afirma o agrônomo Eduardo Junior.

Grande parte da produção de grãos do país é destinada a animais, há estimativas que não tenha mais terra suficiente para produzir essa quantidade de grãos em um futuro próximo. Especialistas defendem a ideia de que o Brasil poderia utilizar esse volume de grãos para alimentar primeiramente os brasileiros, e destinar o restante para alimentação dos animais e exportação.

Entre todas essas nocividades descritas, não é justo esquecer do sofrimento dos animais, é provado que eles possuem a mesma sensibilidade à dor que os humanos. São produzidos em massa e isso altera o comportamento e estrutura deles, os frangos por exemplo, respiram formol desde o nascimento, o que faz muitos nascerem deficientes e serem descartados. Os bovinos, suínos e outros animais sujeitos ao abate também não estão ilesos à dor, ou seja, a carne possui um trajeto repleto de tragédias. Ar, terra e água são prejudicados e infelizmente vidas são tratadas como produtos.

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