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A arte de dançar para todos

Como ela ajuda no processo de inclusão social de pessoas com mobilidade reduzida

19/11/2015 23h31

Oficina de DanceAbility do Núcleo de Dança Aberta. Foto: Gil Grossi

Débora Mioto
Isabelle Lima

A dança é uma conversa entre o corpo e a alma, uma das expressões do ser humano, que por meio da arte de mexer o corpo através de movimentos pré-estabelecidos ou improvisados, gera uma harmonia própria, possibilitando a assimilação do mundo. A arte de dançar vem apresentando grande variedade de estilos rítmicos e benefícios para a saúde, além de tornar-se instrumento prático e eficaz de inclusão social, contribuindo para a ampliação da integração de todos que por meio desta paixão, tornam-se um só, sem distinções ou preconceitos.

“Muito além de uma atividade física rítmica e prazerosa, a dança oferece diversos benefícios a todos, em especial às pessoas com algum tipo de deficiência motora ou mobilidade física reduzida”, como expõe a professora de dança Silmara Montezino, graduada em Dança pela Universidade Anhembi Morumbi e professora de ballet, jazz e outros ritmos em projetos sociais de dança com inclusão.

A dança pode promover um ambiente saudável, que integra a todos de maneira natural e convidativa e é muito importante no processo de inclusão social, pois, “quando feita de maneira inclusiva e receptiva à diversidade de pessoas, seja elas com ou sem deficiências, mostra que todos podem se relacionar de alguma forma, independente das suas limitações, físicas, mentais, emocionais e até psicológicas. É uma importante ferramenta, e uma das maneiras de mostrar que podemos nos divertir, interagir, criar e relacionar uns com os outros. Afinal, todos nós temos diferenças”, afirma Silmara.

Para as pessoas com mobilidade reduzida ou alguma deficiência motora, muitas são as vantagens com a arte de dançar. Diante das observações das próprias aulas de dança semanais, fica evidente a evolução tanto no contexto social, quanto físico, onde as pessoas exploram muitas possibilidades de movimentos, desenvolvendo o alongamento dos músculos que possibilitam novos alcances, melhor equilíbrio, coordenação motora, fortalecimento dos músculos, mobilidade nas articulações, entre outros.

Além disso, os aspectos emocionais são trabalhados de forma integrada, como destaca a professora: “também percebo melhora em recursos internos, como coragem, ousadia e segurança, fortalecendo até mesmo outros aspectos emocionais”.

Como prática motora somada à inclusão social, a dança possibilita que as pessoas com deficiência sintam-se acolhidas e participantes de uma sociedade muitas vezes excludente e discriminatória. É gratificante poder incluir e valorizar cada ser como único diante de suas habilidades especiais. O movimento, a expressão e a interação durante as aulas proporcionam que a pessoa a sua maneira, sinta-se a vontade para trazer seus sentimentos durante aquele momento específico, sem medos e sendo aceita por todos. 

A dança influencia na diminuição do preconceito que o aluno pode ter sobre si e sobre o outro, e isto se reflete de forma positiva na sociedade. É possível reconhecer que todos são realmente diferentes, mas iguais e unidos pela mesma paixão, valorizando o ser completo e único que cada um é, sem estereótipos e preconceitos externos, mas sim seres capazes, habilidosos e participantes, superando-se mesmo diante de cada limitação individual, além de integrar a todos e demonstrar que todos têm limitações e dificuldades, sendo deficientes ou não.

“Eles são felizes como são, e são capazes de realizar muitas coisas. Mas infelizmente o olhar de fora sempre vem com aquele peso de dó. Mas não! São pessoas capazes e com muita vontade. Devemos aprender com eles, que apesar dos fatos que parecem ser impedimentos, podemos nos aproveitar disso, transformando a situação em um degrau para seguir firme e a adiante sempre”, conclui Silmara.

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