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A História de Israel a partir das novas descobertas arqueológicas e seu impacto no estudo da literatura e da religião do mundo bíblico

Pesquisador: Prof. Dr. José Ademar Kaefer
UMESP – Universidade Metodista de São Paulo

Eixo institucional: Estudo bíblico com ênfase na arqueologia, exegese e hermenêutica latino americana.
Colaboradores/as: Orientandos/as do Mestrado e Doutorado.
Início: Agosto de 2012.  Duração prevista até julho de 2014.



1. Resumo do projeto:
Nas últimas décadas a arqueologia em Israel e Jordânia vem passando por sérias transformações. Se no passado, os estudiosos faziam arqueologia tendo numa mão a picareta e noutra a Bíblia, hoje, com a independência da arqueologia, deixa-se que as “pedras falem”. Essa nova atitude dos arqueólogos trouxe à luz verdades que vêm provocando uma grande reviravolta na compreensão da história de Israel e da Literatura Bíblica do Antigo Testamento. Por isso, para um estudo bíblico sério, é imprescindível o acesso a essas descobertas recentes da arqueologia e, na medida do possível, participar delas. Elas nos auxiliam na compreensão de uma nova visão de, por exemplo, do desenvolvimento do Estado de Israel e de Judá. Graças aos avanços da arqueologia e do estudo literário chegou-se praticamente a uma certeza de que Judá, com sua capital Jerusalém, começou a se desenvolver e a criar status de Estado somente no final do século VIII e início do século VII, mais especificamente depois da queda e deportação da Samaria, 722 a.C. Isso coloca em cheque toda a grandeza da monarquia unida dos reinados de Davi e Salomão. Por outro lado, descobre-se uma nova grandeza: Israel, comumente denominado de Reino do Norte.  Se do sul, Judá, da sua grandeza, a arqueologia não tem encontrado praticamente nada, de Israel, Reino do Norte, ao contrário, muitas fontes extra bíblicas atestam sua grandeza. No entanto, Israel, norte, sempre foi ignorado na pesquisa. Os duzentos anos de história que compreende o período de 930 a.C. até queda da Samaria, 722 a.C., sempre foram considerados pelos historiadores e exegetas como um período insignificante. Curiosamente, as estelas de Mesa, de Salmanassar III e de Dã, esta encontrada recentemente, foram situadas no mesmo período, ao redor de 840 a.C., e se referem à mesma região, ao mesmo contexto político, aos mesmos reis e ao mesmo Estado: Israel, norte. Desvendar a real identidade de Israel, norte, seu legado na produção literária das Sagradas Escrituras feitas em Judá, sul, é uma das metas perseguidas nesta pesquisa.  

Curiosamente, a origem de Israel, enquanto uma sociedade alternativa ao sistema das Cidades-Estado, com sua política, economia e religião centralizados ao redor do palácio e do templo, se deu exatamente no norte, nas montanhas de Efraim, Zabulão, Neftali e Asser. Provavelmente ao redor do monte Tabor. Só mais tarde é que essa organização social vai dar lugar ao Estado de Israel, com o poder político centralizado no rei e a religião organizada pelo templo. Mais adiante, com a queda da capital Samaria, deportação e fim de Israel Norte, parte dessa tradição migra para o sul, Judá. Eli ela é organizada, ampliada e sistematizada literariamente pelo emergente Estado de Judá a ponto de ser absorvida por ele e transmitida como legado seu. Portanto, “escavar” a história de Israel Norte, exigirá uma total revisão da compreensão de conceitos como, por exemplo, de “povo eleito” e “Deus único”. Uma vez que, esses são atributos tardios. Na sua origem, Israel não era uma nação, mas uma multidão de cananeus excluídos, com costumes diversos e adversos, assim como a crença em diversas divindades, como El, Astarte, Baal, Asherá, Anat etc. Elas eram divindades da fertilidade, uma vez que o povo cananeu, em sua grande maioria, se compunha de camponeses agricultores. Como se pode perceber, no panteão cananeu havia grande presença de divindades femininas, exatamente pela importância da mulher e da sua fertilidade como garantia do futuro próspero da tribo. Essas divindades, mais tarde, com a centralização do Estado nas mãos do Rei e do Sacerdote, são excluídas e substituídas por um Deus único e varão.

Obviamente que essa leitura tem que respeitar o texto que temos em mãos, acima de tudo pelo povo que o lê a partir de sua fé. Ou seja, não porque as redações subsequentes, particularmente a final, privilegiaram e teologia judaíta e do sul, que o texto deixa de ser sagrado. Considerando, é claro, o conceito diverso que esse termo comporta. Há que se lembrar de que foi graças ao empenho e organização da sociedade judaíta e pós-exílica, em torno do templo, que o texto bíblico chegou até nós. Além de que, é compreensível que um povo/nação, continuamente espoliado pelos impérios de turno, sonhe merecidamente em ser um dia uma grande nação, com um grande Deus, maior que os outros deuses todos, e que o seu Monte Santo seja o local aonde todos os povos irão um dia servir ao único Deus com tributos.

Por último, essa leitura de resgate do mundo cananeu de Israel Norte, oculto na Bíblia, vai de encontro das minorias e maiorias excluídas da América Latina e Caribe. Ela é um auxílio para a hermenêutica que privilegia a leitura a partir dos povos ameríndios e afrodescendentes, da leitura de gênero, quilombolas, indígena e campesina.

2. Objetivo(s):

Geral (is)
2.1.  Fomentar a pesquisa na área bíblica;
2.2.  Despertar nos alunos o interesse e o gosto pela arqueologia das terras da Bíblia;
2.3.  Possibilitar o acesso às constantes novidades no campo da arqueologia;
2.4.  Criar bases sólidas para a exegese;
2.5.  Alcançar uma compreensão e conhecimento bíblico maduro, atualizado e inserido na realidade latino-americana;
2.6.  Integrar os diversos projetos bíblicos na AL.


Específico (s)
2.1.1. Formar um grupo de pesquisa com interesse sério no campo da arqueologia das terras da Bíblia e identificado com o estudo e a pastoral bíblica.
2.2.2. Reunir e identificar as diversas fontes de estudo arqueológico do mundo da Bíblia.
2.2.3. Estudar os mais importantes sítios arqueológicos (Tel) de Israel, Comunidade autônoma da Palestina e Jordânia.
2.2.4. Conhecer a geografia, com seus rios e montanhas, que interferiram na formação do Israel primitivo, bem como de comunidades e povos subsequentes.
2.2.5. Conhecer as principais rotas comerciais e sua importância no surgimento de aldeias e cidades.
2.2.6. Buscar compreender através da arqueologia como era a organização social dos proto israelitas no cotidiano das aldeias marginalizadas nas montanhas.
2.2.7. Ajudar a construir com os alunos, por meio da pesquisa, bases sólidas de conhecimento do mundo bíblico que enriqueçam a elaboração de suas teses e dissertações.
2.2.8. Dar continuidade ao projeto já iniciado na UMESP pelo professor Dr. Milton Schwantes (in memoriam) no campo do estudo da arqueologia do Antigo Oriente Próximo.
2.2.9. Ajudar os alunos na produção de artigos dos diferentes sítios arqueológicos de Israel, Palestina e Jordânia como forma de socializar com a comunidade acadêmica os conhecimentos adquiridos no decorrer da pesquisa.
2.2.10. Buscar meios para que os resultados da pesquisa sejam compartilhados e aprofundados através da participação em congressos científicos, seminários, simpósios etc.
2.2.11. Editar, em conjunto com outros professores, um livro sobre a História de Israel, novas perspectivas.

 
3. Justificativa:
A análise de textos bíblicos, além do domínio da exegese, exige um conhecimento atualizado do meio que os gerou, particularmente do mundo camponês, do povo das aldeias nas montanhas, suas crenças e divindades, seus cultos, ritos e mitos. Conhecer a organização social de um povo, sua economia, política, costumes, espaço geográfico etc. possibilita a aproximação mais segura às tradições orais e escrita que esse povo deixou, e que são objeto de nosso estudo. Nesse particular, a arqueologia tem dado passos gigantescos na direção de uma nova compreensão da história de Israel e dos seus textos sagrados.

Além disso, para o ensino e aprendizado, principalmente no nível de pós-graduação, não devemos mais nos permitir a dependência unicamente de teses de estudiosos e especialistas do chamado “primeiro mundo” que, em muitos casos, têm preocupações diferentes e atuam em realidades diferentes da nossa. É tempo de a América Latina e Caribe elaborar suas próprias bases de estudo bíblico e não se limitar à hermenêutica. Para dar esse passo, a arqueologia é indispensável. O fato de estarmos longe do mundo onde a Bíblia foi gestada não justifica essa dependência. Se as distâncias geográficas no mundo globalizado diminuíram, as da construção do conhecimento também diminuíram.

4.    Relevância:
A Bíblia tem um lugar de destaque na sociedade latino americana e caribenha, principalmente no meio mais popular, e seu interesse vem crescendo continuamente. Ela é de longe o livro mais lido em nossa sociedade. De maneira que, ela tem uma influência enorme na maneira de pensar e de agir da população, nos seus valores e crenças. Ao mesmo tempo, ela é a base da teologia das diferentes e diversas igrejas. Portanto, não é só um livro de leitura e meditação individual, mas objeto de estudo de grupos, de centros universitários, teólogos, especialistas em religião, mestres e doutores. A Bíblia é assim, sempre atual, um livro que não envelhece. Sua hermenêutica faz dela um auxílio na labuta diária, um espelho onde o indivíduo e a comunidade podem se ver. Ali a história, a caminhada do povo de hoje se parece com a do povo de ontem. Ela é luz que ilumina para não repetir os erros do passado.

Porém, a Bíblia também pode se prestar para leituras fundamentalistas, unilaterais e descontextualizadas, leituras que podem seccionar, dividir e trazer consequências sérias para a sociedade. Graças a Deus, assim como vem crescendo o interesse pela leitura da Bíblia, vem crescendo também o interesse pelo estudo sério da Bíblia, e mais interessante, um estudo ecumênico. E, na América Latina, se tem dado passos largos nessa direção. Isso tem de ser valorizado. Mas, não podemos parar, é preciso ir mais longe. Essa, entendo, é nossa tarefa, fazer uso de todos os meios possíveis para aprimorar esse estudo e coloca-lo a disposição de todos aqueles e aquelas que se interessam. É aqui que entra a arqueologia do mundo da Bíblia. Um campo que tem estado distante dos nossos centros acadêmicos. Mas, portas vão se abrindo, barreiras vão sendo superadas e caminhos começam a ser feitos. De modo que, não é mais possível fazer um estudo sério do mundo da Bíblia e ou da Sociedade do Oriente Próximo ignorando a arqueologia e suas descobertas. Nós queremos, como o mosso grupo de pesquisa, avançar um pouco mais nesse caminho que começa a ser trilhado.

5.    Metodologia
1)   Elaborar um plano de estudo periódico e estabelecer metas
2)   Reunir o material da área, livros, jornais e revistas, disponíveis na Biblioteca da UMESP
3)   Acessar e selecionar os sites qualificados de arqueologia do Antigo Oriente.
4)   Fazer uso da Infraestrutura, como salas de informática etc, oferecidos pela UMESP para a projeção de audiovisuais já elaborados pelo professor coordenador.
5)   Fazer um levantamento e estudo dos textos bíblicos referentes a cada sítio arqueológico a ser pesquisado.
6)   Desenvolver a pesquisa como parte de um todo permanente do estudo bíblico.
7)   Possibilitar a participação dos alunos em seminários e ou simpósios referentes às novas descobertas arqueológicas.
8)   Preparar e organizar uma viagem de estudos aos sítios pesquisados.


6. Bibliografia básica do Projeto
ANET (Ancient Near Eastern Texts), James B. Pritchard (Editor). Princeton University Press, New Jersey, 1950.
ANNUAL of the Department of Antiquities of Jordan, Amman.
CROSSAN, J. D., REED, J. L., Em busca de Jesus: Debaixo das pedras, atrás dos textos. Paulinas, São Paulo, 2007.
AHARONI, Y. Das Land der Bibel – Eine Historische Geographie, Neukirchen, Neukirchener Verlag, 1984.
BARNETT, Mary, Gods and Myths of the Ancient World - The Archaeology and Mythology of Ancient Egypt Greece and the Romans, Londres, Regency House, 1997.
DAY, John. Yahweh and the Gods and Goddesses of Canaan, JSOT Suplplement Series, 265, Sheffield Academic Press, New York, 2002.
FINKELSTEIN, I., SILBERMAN, N. A., David and Solomon: In Search of the Bible's Sacred Kings and the Roots of the Western Tradition. The Free Press, New York, 2006.
FINKELSTEIN, I., The Archaeology of the Israelite Settlement. Israel Exploration Society, Jerusalem, 1988.
FINKELSTEIN, I., SILBERMAN, N. A., The Bible Unearthed: Archaeology’s New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. The Free Press, New York, 2001.
FRICK, F. S. Ecologia e padrões de assentamento. Em:  “O mundo do antigo Israel - Perspectivas sociológicas, antropológicas e políticas“. São Paulo, Paulus, 1995.
GNUSE, Robert Karl. No Other Dods: Emergent Monotheism in Israel. Josts 241, 1995.
GRESSMANN, H., Altorientalische Texte zum Alten Testament. Verlag W. de Gruyter & Co, Berlin/Leipzig, 1926.
JOSEFO, F., História dos Hebreus, (trad. Padre Vicente Pedroso). Editora das Américas, São Paulo .
HESTRIN, Ruth. Understanding Asherah, exploring semitic iconography. “Biblical Archaeology Review”, p. 50-58, 1991.
LIVERANI, M., Para além da Bíblia: História antiga de Israel. Paulus/Loyola, São Paulo, 2008.
MAZAR, A., Arqueologia na terra da Bíblia 10 000-586 a.C.. Paulinas, São Paulo, 2003.
MOOREY, P. R. S. A Century of biblical Archaeology, Westminster/John Knox Press, Louisville, 1991.
NEUENFELDT, Elaine. Yahweh - Deus único? Evidências arqueológicas de cultos e rituais à divindades femininas e familiares no antigo Israel.  IEPG/EST, São Leopoldo, 1999.
O’ CONNOR, J.M. Tierra Santa – Desde los Orígenes hasta 1700. Acento editorial, Madrid, 2000.
OTTERMANN, Monika. Vida e prazer em abundância: A Deusa Árvore. Mandrágora, ano XI, nº 11, São Paulo, p. 40-56, 2005.
PRITCHARD, J.B. (ed.). The Ancient Near Eastern Texts Relating to the Old Testament, Princeton University Press, 1969.  
REIMER, Haroldo. Inefável e sem forma. Estudos sobre o monoteísmo hebraico. Goiânia: Editora UCG, 2009.
REIMER, Ivoni Richter (org.). Imaginários da divindade. Goiânia: Editora UCG, 2008.
RÖMER, Thomas. A chamada história deuteronomista, Vozes, Rio de Janeiro, 2008.
SMITH, Mark S. O memorial de Deus – História, memória e a experiência do divino no Antigo Israel, Paulus, São Paulo, 2006.
SMITH, Mark S. The Early History of God – Yahweh and the Other Deities in Ancient Israel. Wm. B. Eerdmans Publishing Co., Michigan, 2002.
SCHWANTES, Milton. História de Israel – Local e origens, São Leopoldo, Oikos, 2008.
TOORN, van der Karel. Family Religion in Babylonia, Syria and Israel. Leiden, Brill, 2005.
ZENGER, Erich, Introdução ao Antigo Testamento, Loyola, São Paulo, 2003.
http://www.airtonjo.com

Periódicos
BIBLE REWIEW – Biblical Archaeology Society.
ISRAEL EXPLORATION JOURNAL.
ZEITSCHRIFT FÜR ASSYRIOLOGIE UND VORDERASIATISCHE ARCHÄOLOGIE.
BASOR: Bulletin of the American Schools of Oriental Research Bibl: Bíblica
BKAT: Biblischer Kommentar des Altes Testament (Neukirchen-Vluyn)
CBQ: Catholic Biblical Quarterly (Washington, DC)
CBQ.MS: Catholic Biblical Quarterly  Monograph Series (Washington, DC)
IEJ: Israel Exploration Journal (Jerusalem)
JBL: Journal of Biblical Literature (Philadelphia)
JSOT: Journal for the Study of the Old Testament (Sheffield)
JSOT S.: Journal for Study of the Old Testament Supplement (Sheffield)
PEQ: Palestine Exploration Quarterly
RB: Reveu Biblique
VT: Vetus Testament
ZDPV: Zeitschrift des Deutschen Palästina-Vereins (Stuttgart)


7. Cronograma de atividades:

Mês 1:    Apresentação do projeto de pesquisa aos alunos, organização da bibliografia e distribuição dos temas a serem pesquisados para cada encontro.
Mês 2:    Estudo do Tel Hazor.
Mês 3:    Estudo do Tel Arad.
Mês 4:    Estudo do Tel Meguido.
Mês 5:    Estudo do Tel Gezer.
Mês 6:    Encontro para a organização em conjunto do livro: História de Israel, uma nova visão.
Mês 7:    Estudo do Tel Laquis.
Mês 8:    Estudo do Tel Jericó.
Mês 9:    Estudo do Tel Betsã.
Mês 10:    Estudo da Jerusalém Antiga.
Mês 11:    Estudo do Tel Samaria.
Mês 12:    Estudo de Siquém.
Mês 13:    Estudo do Tel Jezarael.
Mês 14:    Estudo do Tel Beersheva.
Mês 15:    Estudo do Tel Dã.
Mês 16:    Estudo do Herodium.
Mês 17:    Estudo de Betel.
Mês 18:    Estudo de Massada.
Mês 19:    Estudo de Bet Shemesh.
Mês 20:    Estudo de Asquelon
Mês 21:    Estudo de Pella (Jordânia).
Mês 22:    Conclusão do livro: História de Israel, uma nova visão.
Mês 23:    Estudo de Jerash (Jordânia).
Mês 24:    Viagem de estudos ao sítios arqueológicos (telim) pesquisados: Israel, Palestina e Jordânia.

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