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Pós em Psicologia acompanha desenvolvimento de bebês em creches de São Bernardo

Capacitação teórica e técnica de cuidadores da rede municipal integra projeto financiado pela Fapesp

15/12/2016 20h10 - última modificação 16/12/2016 20h24


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Prof. Hilda e pós-doutoranda Camila Folquito fizeram palestras sobre primeira infância (Fotos Malu Marcoccia)
O desenvolvimento de uma criança não é algo só em ascensão. Não é porque um bebê adquire determinados comportamentos que jamais recuará para construir novas bases. Há um movimento de estruturação-desestruturação-reestruturação que molda a evolução de um ser e é assim que uma criança começa a formar seu mundo interior para interagir com a realidade externa.

“O mundo de fora transforma o mundo interno. E a qualidade desse vínculo depende de quem está fora, de quem modifica e tensiona o mundo interior da criança. Essa pessoa de fora pode resolver as angústias, problemas e visão interiores ou, ao contrário, destruir tudo”, afirma professora Hilda Capelão Avoglia, da pós-graduação em Psicologia da Saúde da Universidade Metodista de São Paulo, que falou sobre “Desenvolvimento Psicodinâmico de Bebês” a professores, diretores e técnicos de creches de São Bernardo dia 7 de dezembro último. 

Professora Hilda destacou a importância dos profissionais cuidadores na primeira infância, já que, a exemplo da mãe ou da babá e do educador, têm a missão de tirar um pequeno ser da situação de dependência de quem o gerou e ajudá-lo a criar seu vínculo com o mundo. “Quando não gritamos com uma criança para que obedeça determinada orientação, passamos um modelo positivo de ela se relacionar com o mundo exterior”, exemplificou.

Avaliação de 200 crianças

O evento reunindo equipes da rede municipal de Educação de São Bernardo que lidam com crianças até três anos de idade faz parte de projeto desenvolvido na Metodista pela professora Miria Benincasa, de Psicologia da Saúde, e financiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Denominado "Desenvolvimento Psicológico de Bebês", o projeto tem duração até meados de 2018 envolvendo cinco bolsistas, duas mestrandas e uma doutoranda de Psicologia da Metodista, que atuarão diretamente nas creches.

A jornada de 7 de dezembro último no campus Planalto encerrou a primeira etapa do projeto, que se realizou em 2016. Além de palestras, na parte da tarde houve estudos de casos. “Tratou-se de uma capacitação teórica e técnica sobre desenvolvimento de bebês e nossa ideia é fazer uma jornada dessas a cada sete creches pesquisadas", comenta professora Miria. Em 2017 serão visitadas outras 10 creches. O projeto prevê avaliar o desenvolvimento psíquico e físico de cerca de 200 bebês abrigados na rede pública.

Rompimentos

Em sua exposição, professora Hilda Avoglia falou também sobre momentos de rompimento na vida da criança, o primeiro dos quais o parto, quando se desprende fisicamente da mãe. Outra etapa é o desmame, que rompe uma ligação afetiva e introduz o bebê na fase da alimentação autônoma. “Tudo deve ser feito com afeto, de forma gradual, para evitar uma passagem traumática”, disse a especialista em avaliação psicológica de crianças, adolescentes e famílias.

A dentição, o caminhar, o falar e brincar (atingindo a escolaridade a partir das creches) são outros percursos de desprendimento da criança para enfrentar e se apropriar do mundo externo, daí o valor da influência daqueles que a cercam.

Outra palestrante, Camila Tariff Folquito, pós-doutoranda em Psicologia da Saúde na Metodista e pesquisadora no Laboratório de Estudos sobre Desenvolvimento e Aprendizagem e Laboratório de Psicopedagogia (LEDA/LAPp da USP), discorreu sobre o biólogo e psicólogo Jean Piaget, pioneiro nos estudos sobre bebês. Mostrou que a primeira infância no século 21 é totalmente diversa da Idade Média, quando a criança era tratada apenas como um adulto pequeno. Na atualidade, as intervenções devem se pautar pelo respeito ao “momento de ser criança”. “Várias famílias enchem a agenda infantil de inglês, judô, reforço escolar, tudo visando ao futuro, impediindo o momento de ser criança no presente”, advertiu a especialista.

Consciência, linguagem e intencionalidade são características humanas que não estão prontas no nascimento, mas são desenvolvidas ao longo do tempo. A plasticidade cerebral na primeira infância é imensa (25% do corpo do bebê é cérebro), daí a importância da aprendizagem, destacou Camila Folquito. “A aprendizagem não é mais passiva, como antigamente. O bebê reclama, desafia, emite sons influenciado pelos estímulos que recebe. É um sujeito com desejos e expressões, que precisa de bagunça saudável que incentive sua criatividade e atitudes”, apontou.

Também coordenou o evento professora Maria Geralda Viana Heleno, pesquisadora colaboradora do projeto coordenado pela docente Miria Benincasa. Participaram ainda do encontro a coordenadora da pós em Psicologia da Saúde da Metodista, Maria do Carmo Martins Fernandes, e Gláucia Bastos, representando o secretário municipal de Educação, Paulo Dias Neves.

Veja imagens do evento. 

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