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Metodista pesquisa como diferentes fatores influenciam na vida dos trabalhadores

Características pessoais, demandas do emprego e relacionamento com chefes são alguns dos fatores estudados

21/07/2016 13h15 - última modificação 21/07/2016 13h18

A professora Maria do Carmo Fernandes Martins pesquisa como diferentes fatores influenciam na vida dos trabalhadores

O ambiente de trabalho reúne muitas variáveis que influenciam diretamente na vida do trabalhador e no resultado final da atividade desenvolvida. A pesquisa “Recursos, demandas pessoais e ocupacionais e engajamento: impactos nos resultados para trabalhador e trabalho”, que está sendo realizada pela professora Maria do Carmo Fernandes Martins, tem como objetivo estudar os resultados de algumas dessas relações que acontecem no local de trabalho.

Coordenadora do programa de Pós-Graduação em Psicologia da Saúde da Universidade Metodista de São Paulo, Maria do Carmo iniciou em setembro do ano passado a pesquisa que objetiva estudar cerca de 350 trabalhadores que atuam em grupos ou equipes. Por meio de questionários eletrônicos e anônimos, o estudo avaliará a experiência deles com diversos fatores organizacionais.

Um grupo de 11 alunos está trabalhando no projeto, ajudando a coletar os dados. Entre eles estão mestrandos, doutorandos e graduandos da Metodista. A análise desses dados coletados será feita eletronicamente também, aplicando provas estatísticas para examinar as relações entre variáveis investigadas.

Engajamento e Burnout

A psicologia busca estudar e compreender como o ambiente e relações de trabalho afetam os indivíduos. Para iniciar a pesquisa, Maria do Carmo trabalha com os conceitos de Burnout e Engajamento.

Burnout é uma síndrome ocupacional que pode acometer muitos trabalhadores. Na perspectiva dos psicólogos Christina Maslach e Michael Leiter, essa doença é constituída pela exaustão emocional, despersonalização dos outros indivíduos e baixa realização pessoal no trabalho.

Em contrapartida, os psicólogos Arnold Bakker, Evangelia Demerouti e Wilmar Schaufeli propõem que o engajamento, estado em que o trabalhador tem vigor, dedicação e absorção no trabalho, seria o oposto do Burnout. Ou seja, enquanto um se apresenta como uma doença provocada pelo trabalho, o outro seria o resultado de um bom relacionamento e satisfação com a profissão.

Schaufeli e Bakker criaram, então, um modelo que define que, dependendo dos recursos que a organização oferecer, das demandas feitas ao trabalhador e dos recursos próprios do indivíduo, é possível chegar a esse estágio de felicidade no trabalho. Assim, o impacto sofrido pelo trabalhador, diante das demandas do trabalho, depende de sua força pessoal.

Maria do Carmo comenta, no entanto, que os resultados apresentados por esses psicólogos são muito genéricos. “É um modelo bem grande que só tem uma variável final, que é o engajamento. A grande crítica que esse modelo recebe é essa: eles falaram em coisas muito amplas, e é preciso especificar”, diz.

Em seu estudo, a professora define a autoeficácia, crença na própria competência, e a resiliência, que é a capacidade de enfrentar adversidades sem desestruturar-se, como recursos pessoais do indivíduo. Como demandas, ela caracteriza os conflitos no local de trabalho, e como recursos do trabalho as bases que sustentam o supervisor.  

“Meu modelo especifica algumas variáveis que eu já trabalho há algum tempo. Como poder, conflito, resiliência, capital psicológico, que é o recurso do indivíduo, e essas demandas do trabalho. Eu associo esses fatores e digo que isso tudo vai impactar no engajamento e na saúde do trabalhador”, explica.

Maria do Carmo ressalta também que esses resultados finais não são responsabilidade apenas do trabalhador e que, dependendo do ambiente de trabalho, os resultados podem ser muito diferentes. “O capital intelectual pode ser desenvolvido, mas também pode ser destruído pelo trabalho. É função da empresa não só cobrar resultados, mas também ajudar o empregado a se desenvolver”, completa.

Crise econômica

A crise econômica e política que o Brasil enfrenta atualmente tem forte influência na vida de todos. A pesquisadora acredita que os níveis de engajamento dos trabalhadores cairão muito por conta disso e essas mudanças serão vistas no estudo.

“O engajamento é um vínculo saudável, caracterizado por vigor, que é força e energia, por dedicação e absorção. Absorção é um estado de fluxo, de prazer em trabalhar. Para isso, você tem que estar desligado das coisas, e as pessoas hoje dificilmente se encontram assim. A situação geral do Brasil está tirando da gente esse prazer em trabalhar”, afirma.

Com os orçamentos apertados, menos funcionários precisam dar conta de uma demanda cada vez maior. Dessa maneira, os trabalhadores têm de enfrentar problemas como sobrecarga, conflitos de trabalho, coerção, pressão e até as condições de trabalho pioram, com menos dinheiro para investir em equipamentos e suporte material.

“Esse fluxo está muito misturado, por mais que a gente goste do que faz, com uma preocupação constante. Isso vai diminuir os níveis de engajamento, porque nos engajamos por gostar, e não por obrigação”, conclui.

A pesquisa é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e ainda está no início, mas até o fim deste ano todos os 350 trabalhadores já devem ter sido ouvidos. Os resultados do estudo devem ser publicados a partir do ano que vem, por meio de artigos escritos pela pesquisadora e por alunos da Metodista. Dois trabalhos de doutorado foram inspirados pela pesquisa de Maria do Carmo, que tratam dos mesmos conceitos, com variáveis diferentes.

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