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Gravidez na adolescência

12/2012

13/03/2013 14h16

Arquivo pessoal

0,8% das grávidas no Brasil estão entre 10 e 14 anos

Brasil, 2012. Embora o mundo esteja rodeado de tecnologia e informação, a gravidez precoce acontece com frequência. Mônica Siqueira, assistente social, advogada, terapeuta familiar e professora de direito da Universidade de Taubaté orientou a produção de um trabalho sobre gravidez na adolescência e compartilhou conosco a experiência.

No Brasil, existe um trabalho de conscientização contra gravidez na adolescência. Mesmo assim, os casos são inúmeros. Por que?
Hoje a família mudou suas configurações. A maior parte delas são monoparentais (chefiadas por um dos cônjuges), reconstituídas (quando formadas pelo casal e os filhos do relacionamento anterior de um ou de ambos os cônjuges), casais homoafetivos, ou ainda famílias onde a terceira geração (avós) reside junto com os filhos e netos e mantém financeiramente a família com a renda da aposentadoria. Neste contexto observa-se ainda que os filhos têm ficado mais tempo no seio familiar, ou seja, com a gravidez na adolescência não saem de casa para formar sua família. A condição financeira e a baixa escolaridade são um dos fatores que contribuem para a permanência deste adolescente na casa dos pais.
Outro fator que contribui para a gravidez na adolescência é a dificuldade dos pais em colocar limites nos filhos e a falta de diálogo sobre a questão da sexualidade. Assim, podemos dizer que, apesar da informação, o adolescente ainda apresenta um pensamento mágico em relação a gravidez, falta comunicação entre pais e filhos e um diálogo com menos tabu sobre a sexualidade.

Pelo estudo, qual a diferença entre a gravidez de uma mulher adulta e a
gravidez na adolescência?

Uma diferença básica é que a mulher adulta já se encontra com seu corpo
formado, constituído, pronto para uma gravidez. A adolescente, como o nome já diz, está em formação e desenvolvimento, seu corpo também está neste processo. Engravidar na adolescência pode trazer riscos à saúde, tanto para a adolescente quanto ao bebê.

O que uma gravidez precoce pode causar na vida de uma mulher?
A gravidez precoce pode trazer complicações no parto e dobra o risco de
anemia. A adolescente é mais suscetível a cesariana, a possíveis infecções
e à depressão pós-parto. Já para o bebê, aumenta a possibilidade de ele vir ao mundo prematuro ou malnutrido.

Qual a importância de ONGS para as mães adolescentes?
Para se realizar ações junto às mães adolescentes é preciso que as ONGs
façam parceria com o poder público. Não é possível enfrentar esta questão
com ações isoladas. Muitas destas ONGs ainda desenvolvem seus projetos de forma assistencialista, ou seja, com um dever moral em ajudar estas adolescentes. O foco de alguns destes projetos é somente manter esta situação. É preciso que as ONGs trabalhem em rede, em parceria com o poder público. As ONGs são fundamentais para as mães adolescentes, pois muitas delas (as sérias e comprometidas) são criativas e, com pouco recurso financeiro, desenvolvem projetos fundamentais para enfrentar esta questão, articulam-se não só com o poder público ea família, mas também com a comunidade ao seu entorno. São experiências positivas que devem ser disseminadas e utilizadas para sensibilizar e, acima de tudo, provocar a responsabilidade do poder público em se articular com estas ONG’s.

O que essa experiência trouxe para a aluna que escreveu o trabalho?
Descobrir exatamente o que você propôs na primeira pergunta. A informação existe, mas ela não basta. O que é preciso é a educação, a parceria entre o poder público, a família e a sociedade civil para que as famílias consigam resgatar o seu papel junto aos adolescentes. Para tanto é fundamental que o estado assuma sua responsabilidade em oferecer suporte a estas famílias.

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