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Projeto Canudos: não foi assistencialismo. Foi um projeto educacional e social

27/08/2012

27/08/2012 20h50 - última modificação 19/04/2017 20h02

Alunos de Jornalismo produzem documentário sobre o projeto. Foto: divulgação.

Realizado pela primeira vez durante o período de férias, 32 alunos da Metodista participaram do Projeto Canudos, desenvolvido junto à comunidade de mesmo nome, no interior baiano.

Um ônibus, com 42 pessoas, saiu de São Paulo no final de junho, atravessou o sudeste e chegou em Canudos Velho, no sertão da Bahia. O trajeto de quase dois mil quilômetros, que levou 48 horas para ser percorrido, só seria refeito no sentido contrário mais de duas sema nas depois.

Entretanto, este ônibus não era como tantos outros que trafegam pelas estradas do País. Ele levava jovens estudantes cheios de expectativas, dispostos a utilizar parte de suas férias escolares para conhecer outra realidade, colocar seus conhecimentos teóricos em prática e a fazer o bem. “Não foi assistencialismo. Foi um trabalho ‘educo-social’, de ensinar a população a partir de coisas simples, do dia a dia deles, como ferver água antes de consumir, por exemplo”, conta Elsa Villon, aluna do 8º se mestre de Jornalismo.

Este é o princípio do Projeto Canudos – uma atividade de extensão coordenada pela Metodista e realizada em parceria com o Instituto Brasil Solidário para atendimento à comunidade local, que contou com a participação da Faculdade de Medicina do ABC a convite da Metodista – que reuniu alunos dos cursos de Biomedicina, Educação Física, Engenharia Ambiental, Farmácia, Fisioterapia, Jornalismo, Nutrição, Pedagogia e Odontologia.

“A ideia é que o trabalho seja contínuo e que tenhamos quatro visitas ao ano: uma em abril e uma em outubro, para saber como a população está, estreitar a relação com eles e realizar atividades mais pontuais; e duas operações em janeiro e em julho, com o envolvimento de uma média de 40 alunos”, explica o coordenador dos projetos de extensão da Faculdade de Saúde, professor Victor Bigoli.

 

Alguns resultados

Embora a maior parte das atividades tenha consistido em atendimentos à população na área da saúde – foram cerca de 500 no total, numa média de 70 a 80 por dia –, o projeto também contou com visitas de equipes às casas dos moradores para dar orientações, principalmente ligadas à higiene e para a prevenção de doenças; atividades de recreação para as crianças; e ensino de artesanato como forma de auxiliar os moradores a complementar a renda, uma vez que a cidade costuma receber turistas por conta de seu passado histórico – o líder Antônio Conselheiro e a Guerra de Canudos.

De acordo com o professor Victor Bigoli, como o intuito é que esse projeto tenha continuidade, “todas as informações coletadas durante essa intervenção servirão de base para as próximas ações e para a turma que for”.

O docente explica ainda que, “a partir dos relatórios de cada área, os alunos tiveram a tarefa de desenvolver artigos científicos e, se possível, apresentar os resultados no Congresso Metodista. Já a equipe de Comunicação, teve a missão de produzir um documentário sobre o projeto e a de Pedagogia realizou um diagnóstico da situação da educação na comunidade”.

 

A experiência de quem foi

Elsa Villon, do 8º semestre de Jornalismo, pode ser considerada veterana nesse tipo de iniciativa. No ano passado, ela participou do Rondon Nacional e conta que decidiu participar para conhecer o projeto, ver e entender outra realidade. “Em Jornalismo, a gente está muito preso ao ‘mundinho’ da re dação, da TV. O meu intuito é ir atrás do que não é notícia ou não tão noticiado. Além disso, conhecer pessoas e histórias é crucial para a minha formação.”

No entanto, a ida para Canudos, teve outra motivação. “Hoje estou próxima do meu objetivo, que é o de me formar. Sei que, se isso está sendo possível, é graças a ajuda que tive. Quis ir para fazer algo por alguém.” Elsa cita algo que foi dito pelo professor Victor Bigoli. “Uma vez que você participa do Projeto de Extensão, você não será o mesmo e o projeto não será o mesmo”.

Esta foi a primeira viagem com caráter social de João Paulo Urra, do 4º semestre de Educação Física. Ele conta que “as pessoas não têm banheiro em suas casas, tomam banho no açude, não têm energia elétrica e mesmo assim são felizes. O interessante é que todos são amigos, todos se cumprimentam e você não fica com medo de andar na rua à noite”.

O Jornal da Metodista conversou com Cíntia Crizol, do 5º semestre de Biomedicina, antes da viagem. Havia muitas expectativas com o que encontra ria e uma certeza: “Sei que vou crescer

profissionalmente, mas também vou aprender muito sobre o modo de vi da deles. Será uma experiência positiva e diferente para todos nós”.

Ao retornar, a estudante confirma: “Aprendi muita coisa porque ainda não tinha feito nenhum estágio na área de Biomedicina. Tive um contato mais próximo com a população, com a cultura, com uma realidade totalmente diferente.” Uma das coisas que mais lhe chamou a atenção foi “a forma como nos recepcionaram. Era como se fôssemos parte da família, como se já nos conhecessem. Nós ficamos em casa de famílias e fomos acolhidos de uma for ma diferente.” E completa: “Eles têm uma vida simples, total mente diferente da daqui. Eles têm mui to pouco, mas oferecem de todo coração o que têm. Quando você volta, percebe que várias coisas não são tão importantes assim. Você volta revendo seus valores”.

Para participar, procure a coordenação de seu curso e fique atento às divulgações da Universidade.

 

Metodista no Rally dos Sertões

Desde o dia 16 de agosto e até o dia 31, uma equipe da Universidade está no nordeste participando do trabalho de ação social do Rally dos Sertões. A convite do Instituto Brasil Solidário, a Metodista é a responsável pelas atividades de atendimento à população das cidades que estão no trajeto da competição neste ano.

Sob coordenação do professor da Faculdade da Saúde, Victor Bigoli, o grupo é formado por alunos dos cursos de Odontologia, Nutrição, Biomedicina, Jornalismo, além de médicas da Faculdade de Medicina do ABC, que integram o grupo como convidadas.

Victor Bigoli afirma que “apesar da experiência de ter coordenado diversos projetos, é algo totalmente novo, por ser itinerante, em ficaremos no máximo dois dias em cada cidade.” Ele reforça ainda a importância do envolvimento dos alunos neste tipo de ação. “É uma experiência que eles também levam para a vida profissional.”

Silvana dos Santos, do 8º semestre de Odontologia, concorda. “Esta é uma chance de exercer a profissão. Isso me ajudou a crescer a ponto de eu ter certeza do que eu quero para a minha vida.” Em seu quarto projeto de extensão, ela se diz “viciada” desde o primeiro que participou, o do Rondon, e lamenta não ter participado antes. “Se eu soubesse que era tão bom, não teria deixado para ir só nos dois últimos anos do curso.”

Para se ter uma ideia da dimensão do projeto no rali, em dois dias em São Luís (MA), foram feitos 97 exames laboratoriais, 75 atendimentos médicos, 65 odontológicos, 66 consultas de nutrição, 60 moradores passaram pela fisioterapia e cerca de 50 crianças participaram das atividades de recreação.

A equipe passará ainda por Bacabal (MA), Barra do Corda (MA), Carolina (MA), Iguatu (CE) e Fortaleza (CE), onde encerrarão as atividades.

Acompanhe o dia a dia do projeto e veja as fotos no blog http://metodistanorally.wordpress.com e na página dos Projetos de Extensão da FacSaúde no Facebook.

 

Gabriela Rodrigues

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