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Canal para a lingüística

16/10/2008 20h52 - última modificação 16/10/2008 20h53

Por Fábio de Castro


Agência FAPESP – As pesquisas sobre ciência da linguagem não contavam, até agora, com um veículo de divulgação científica especializado. Para preencher essa lacuna, pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Lingüística e do Departamento de Letras da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) lançaram a revista eletrônica mensal Linguasagem.

O professor Roberto Leiser Baronas, um dos editores da revista, destaca que não há no Brasil outra revista de popularização científica – impressa ou eletrônica – na área de ciências da linguagem.

“Algumas revistas impressas discutem a língua portuguesa e trazem artigos de lingüistas, mas ainda mantêm uma visão bastante prescritiva da linguagem, tentando estabelecer normas do uso correto da língua. Nosso objetivo é dar um olhar mais científico e explicativo sobre os fenômenos da linguagem”, disse à Agência FAPESP.

Segundo Baronas, existe uma vasta produção na área de linguagem, embora seja uma ciência recente. A lingüística tem pouco menos de um século e seu marco inaugural foi o livro Curso de Lingüística Geral, do suíço Ferdinand Saussure (1857-1913), lançado em 1916.

“Mesmo sendo tão recente, a ciência da linguagem tem uma produção vastíssima. No entanto, essas publicações estão restritas a revistas acadêmicas, capítulos de livros, teses e dissertações. Dificilmente atingem um público que não seja restrito aos nossos pares. Nosso objetivo é mostrar que a lingüística não é um bicho de sete cabeças”, disse.

Para tratar a ciência da linguagem escapando do viés normativo, o grupo do Departamento de Letras da UFSCar decidiu criar a revista, contando com a contribuição de pesquisadores de diversas universidades brasileiras e estrangeiras, de acordo com Baronas.

“Abordamos diversos campos da linguagem e procuramos trazer explicações científicas para os fenômenos lingüísticos. Para isso, queremos que o leitor possa ter contato com pesquisas feitas na atualidade, independentemente da instituição”, afirmou.

O conselho editorial, constituído por pesquisadores de diversas universidades e países, faz uma primeira triagem dos textos recebidos. O material considerado adequado aos gêneros abordados pela revista é aprovado e enviado a dois pareceristas, que analisam questões formais e de conteúdo. “Se um parecer for positivo e outro não, submetemos a um terceiro”, explicou Baronas.

A revista está organizada em 20 seções, abarcando diferentes gêneros discursivos, como literário, teórico e informativo. Além dos artigos e ensaios de especialistas, apresenta dicas de leitura, resenhas, monografias, artigos de iniciação científica, agenda de eventos, reportagens e notícias. “Ela tem um caráter de certo modo caleidoscópico. Evitamos que fique centrada nos pesquisadores de renome ou em temas específicos”, disse.

Baronas afirma que o novo veículo também preenche uma demanda da população. “As pessoas em geral não têm qualquer noção do que é lingüística e as diversas áreas que a compõem. Quando elas deparam com uma questão de linguagem, o recurso que buscam é quase sempre uma gramática ou um dicionário, mas não têm acesso à compreensão dos problemas por meio de uma perspectiva científica”, disse.

O público-alvo do periódico, segundo Baronas, vai dos alunos do ensino básico a pesquisadores especializados na área de linguagem. “Tentamos atingir o público mais amplo possível. Temos também algumas seções que são destinadas a professores, indicando material didático e mostrando como eles podem utilizar essas pesquisas para melhorar sua prática em sala de aula em relação ao ensino de todas as línguas”, explicou.


Novo bacharelado em lingüística

Baronas conta que a criação da revista se relaciona com uma ação maior no Departamento de Lingüística da UFSCar: a criação de um curso de bacharelado em lingüística. O curso abrirá 40 vagas, no período vespertino, para o vestibular de 2009. “A revista vai ser um campo de trabalho para os futuros bacharelandos em lingüística formados na UFSCar”, afirmou.

Segundo o professor, o grupo resolveu criar o novo curso por conta do projeto do governo federal que reestrutura e amplia as universidades federais. “Mas será um bacharelado diferente dos que já existem. Não queremos formar apenas um doutorando, mas um profissional da ciência da linguagem que milite em outras áreas”, destacou.

O profissional que deverá ser formado no novo curso, segundo Baronas, poderá, por exemplo, elaborar gramáticas, dicionários ou materiais instrucionais como cartilhas. “E queremos que ele esteja apto a trabalhar com texto em diversos veículos, como revistas e jornais, colocando ali em prática seus conhecimentos sobre lingüística”, disse.

Mais informações: www.letras.ufscar.br/linguasagem


fonte: Agência FAPESP

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