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Manuel Chaparro discutiu as diversas revoluções do Jornalismo em evento do Póscom

Pesquisador ressaltou como acontecimentos históricos mudaram o fazer jornalístico

26/05/2017 14h19

Para Manuel Carlos Chaparro, jornalista, professor e pesquisador, o jornalismo moderno foi construído por meio de diversas revoluções que ocorreram ao longo da história. A chegada do telégrafo, a revolução das tiragens, a demanda social por informação mais aprofundada e complexa e a chegada das novas tecnologias como a internet mudaram a produção jornalística e a dinâmica de trabalho.

Em uma palestra aos alunos do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo, Chaparro falou a respeito dessas revoluções e sobre o momento atual do jornalismo, sobretudo o impresso, que enfrenta novas demandas devido à velocidade da notícia on-line.

“Não é o mundo que tem que se adaptar ao jornalismo, é o jornalismo que tem que se adaptar ao mundo”, diz. Para o professor, hoje os impressos perdem espaço porque não se adaptaram à nova lógica de comunicação das mídias digitais, o impresso traz a mesma informação já noticiada na internet e na televisão, mas com um dia de atraso. “Por que não trazer opinião para os jornais impressos? A entrevista deveria ser um tipo de texto mais utilizado, porque agrega caráter reflexivo para as informações”.

Quanto à imparcialidade, que muitos defendem, Chaparro diz que a partir do momento em que o jornalista decide o que é mais importante em uma notícia, já está opinando. “Começamos a escrever uma notícia pelo que é mais importante. Mas o que é o mais importante?”, questiona. O pesquisador convida, também, os estudantes do Póscom a buscarem essas explicações: “continuo a pensar que temos que descobrir os porquês. Vocês [do Mestrado e Doutorado] têm que sair daqui pensando em novas formas de fazer, porque as coisas precisam mudar”.

A revolução das fontes

Antes da chegada dos meios digitais, havia um intervalo entre o acontecimento e a notícia. O grande público tomava consciência dos fatos a partir do momento em que os jornalistas o noticiavam e, muitas vezes, a informação chegava dias depois aos leitores. Chaparro destaca a queda das torres do World Trade Center como um momento decisivo na mudança do jornalismo, pois a partir daquele momento o jornalista não era mais necessário. As pessoas ficaram sabendo a respeito da queda ao vivo, sem a intervenção de um profissional.

Hoje, qualquer pessoa pode ser produtora de notícias e postar um acontecimento em tempo real nas redes sociais, por exemplo. “Quando desaparece o intervalo entre os acontecimentos e a notícia, as pessoas não são mais apenas leitores e surge uma tempestade de sujeitos sociais discursivos”, explica.

Mas essa mudança começou muito antes, com a criação da primeira agência de relações públicas de Ivy Lee. Com a inserção do modelo de Lee nas empresas americanas e, mais tarde, no mundo inteiro, as empresas passaram a ter a possibilidade de pautar a mídia. Chaparro questionou também a lógica de mercado que enxerga os profissionais de assessoria de imprensa e das redações de maneira diferente.

“Penso que está na hora de estudar essa configuração do jornalismo atual. Por que o jornalista que trabalha na redação tem mais importância do que o outro? Um profissional de comunicação de uma empresa também pode ser um gerador de socialização”, completa.

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