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Luis Fernando Assunção discute aproximações entre jornalismo e literatura

Pesquisador defende caráter criativo do jornalista

24/05/2017 20h55 - última modificação 25/05/2017 12h57

Na última terça-feira (23), o Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo promoveu uma palestra com o professor Luis Fernando Assunção que realiza estágio pós-doutoral no Póscom. O pesquisador abordou os contrastes e as aproximações entre jornalismo e literatura com base em sua pesquisa atual, supervisionada pelo professor José Faro.

Assunção falou sobre a relação histórica de separação e aproximação entre os dois discursos. O pesquisador explica que o jornalismo foi alicerçado na ligação com a realidade e credibilidade. “No fim do século 19, surgem as fórmulas da pirâmide invertida e lead, para que se escrevesse dentro de normas e padrões. Isso padroniza a dinâmica da profissão e o texto jornalístico”, explica.

Segundo o pesquisador, o jornalismo se alinhou ao capitalismo moderno e se forjou contra a ficcionalidade, presente na literatura. Isso criou também o conceito de separação entre informação e opinião, a tão discutida imparcialidade. “O jornalismo conquista certa ilusão de autonomia e se torna vigilante do poder político”, diz.

Uma das diferenciações entre jornalismo e ficção, segundo Assunção, é que o jornalismo precisa de referência do mundo real, enquanto a ficção, não. Além disso, a produção jornalística precisa de contextualização, já que trabalha com informações fragmentadas. A ficção, no entanto, se contextualiza sozinha. “A fonte no jornalismo ocupa um espaço de honra e na ficcionalidade se trabalha com objetos que não fazem parte do contexto da realidade”.

“Outra questão importante é o tempo. A escrita literária tem um bom tempo para ser desenvolvida, mas no jornalismo a produção é rápida”, ressalta. Essa rapidez ficou ainda mais evidente e mais necessária com as inovações tecnológicas e busca por informação on-line. Apesar disso, ambas linguagens são próximas, pois produzem textos narrativos com uma sequência de tempo.

Para Assunção, o fazer jornalístico nos padrões existentes limita a autonomia criativa do profissional. “Há um certo preconceito quando se fala da capacidade criativa do jornalista. O jornalismo também tem o seu processo criativo”, argumenta. A própria reprodução dos fatos como se estivessem acontecendo em tempo real é, para o pesquisador, uma criação com contornos de ficcionalidade.

Alguns jornalistas fogem dessas normas e diminuem esses distanciamentos. É o caso de Rodolfo Walsh e Eliane Brum, por exemplo, autores estudados por Assunção em seu estágio pós-doutoral, que tratam de temas não comumente abordados nas produções jornalísticas. Em suas pesquisas, Assunção chegou a três conclusões a respeito da produção desses profissionais.

“Esses jornalistas preferem um outro olhar sobre o fato. Transgridem as normas da redação, não apenas na escrita como também no comportamento e processo criativo”, esse é o primeiro aspecto desse jornalista: transgressão. O segundo aspecto dessa narrativa é a autoria, por meio de sua assinatura implícita e explícita. O terceiro aspecto é o fortalecimento da história e devaneios dos personagens da história, com fortalecimento da oralidade.

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