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Escolas ainda são excludentes, afirma autora de livro sobre acolhimento de pessoas com deficiência

Escolas ainda são excludentes, afirma autora de livro sobre acolhimento de pessoas com deficiência

11/11/2016 17h10 - última modificação 11/11/2016 17h14

Prof. Elizabete coordenou assessoria de inclusão da Metodista

A contribuição das pessoas com deficiência para as escolas é maior do que o caminho inverso, ou seja, das instituições de ensino para com alunos com necessidades especiais. Geralmente as escolas olham os deficientes de cima para baixo e adotam ações paternalistas, quando eles demandam apenas o direito de ser tratados como seres normais dentro de limitações.

“Infelizmente as escolas ainda são excludentes”, resume a professora Elizabete Renders, ex-docente e ex-coordenadora da Assessoria Pedagógica para Inclusão da Universidade Metodista de São Paulo, que acaba de lançar o livro “A Inclusão na Universidade: As Pessoas com Deficiência e Novos Caminhos Pedagógicos” (Editora Prismas).

Segundo ela, o deficiente provoca ações novas, para melhor, quando chega a um estabelecimento de ensino e é bem acolhido nas suas reivindicações não apenas de acessibilidade arquitetônica, mas de inclusão no grupo. Ela mostrou como exemplo imagem de uma aluna surda ensinando a linguagem de Libras em uma reunião de diretores e reitores na Metodista. “Quando se podia imaginar isso!”, exclamou.

Apontou, porém, situações inversas como outro aluno interagindo com sua intérprete de Libras em sala de aula, mas com os demais colegas indiferentes a essa presença, fixando a atenção no quadro e na professora. “Não tem nada de inclusivo nisso. A professora tem que se comunicar com o aluno e a intérprete”, reclamou a autora, que debateu a obra com outros dois especialistas em inclusão, Virginia Marino, da Secretaria de Educação de São Bernardo, e Romeu Sassaki, pedagogo que há anos abraça a causa em artigos, livros e salas de aula.

O livro “A Inclusão na Universidade” reúne 15 crônicas baseadas nas histórias de deficientes quando professora Elizabete Renders atuou na Metodista, extraídas entre 2005 e 2010. As crônicas são seguidas de comentários sobre a realidade desse público no Brasil e o salto ético na educação possibilitada pela inclusão, que é bastante tímida no País. Segundo dados do IBGE, 23,9% da população brasileira tem alguma deficiência. Em 2003, havia apenas 5.078 universitários em sala de aula, número que subiu para 20.338 em 2010, mas ainda assim pequeno diante dos 6,5 milhões de estudantes em ensino superior naquele ano. Na Metodista esse público saiu de 31 em 2005 para 145 em 2010, dentro de um universo de 28 mil estudantes.

Pessoa invisível


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Pedagogos Virgínia Marino e Romeu Sassaki debateram a obra com a autora (ao centro)
Professora Elizabete Renders lançou seu livro na noite de apresentação dos TCCs (Trabalho de Conclusão de Curso) das turmas de Pedagogia e com apoio do Núcleo de Formação Cidadã, em 10 de outubro. Ela exortou os futuros professores a vencer o desafio do modelo que privilegia a meritocracia individual, sem enxergar o deficiente como um ser social. “Temos que pensar na emancipação de todos, e não só de alguns”, afirmou, reforçada pela professora convidada Virgínia Marino, segundo quem a escola é um local de vida, onde transitam pessoas e sonhos, por isso o deficiente não pode ser visto como incapaz.

 

“Não adianta a escola ter rampas se na sala de aula o deficiente é invisível. Infelizmente nosso professor é treinado para fazer o previsível, a receita pronta, quando deveria abrigar, ser hospitaleiro, e ver depois como resolver os obstáculos que vão aparecendo”, falou a dirigente municipal de São Bernardo, ex-aluna Metodista.

O pedagogo Romeu Sassaki adotou o mesmo pronunciamento dizendo que hoje essa população é politizada, conhece seus direitos e não quer paternalismos. “Hoje facilitar ações, ter piedade, é ofensivo, porque é obrigação das escolas dar direitos aos deficientes sem que isso pareça caridade”, falou. Sassaki lembrou que no Japão essa consciência é antiga, pois seu pai já praticava inclusão – sem os saberes técnicos de hoje – ao acolher pessoas especiais em casa, onde dava aulas para a vizinhos e conhecidos. Foi a partir desse exemplo que ele tomou a bandeira da inclusão.

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Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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