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Entrevista com Paulo Dias Neves - Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

A Cátedra entrevistou o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Paulo Dias Neves, que trabalha há dez anos na Makita Ferramentas Elétricas. Paulo está participando dos Seminários Integrados da Cátedra, através do GT Serviços Prestados ao Público. Além dele, outros membros do Sindicato também participam. A economista da DIESE no Sindicato, Zeíra Mara Camargo e a pesquisadora da DIESE no Sindicato, Renata Sanches, também compartilham do trabalho desde o primeiro encontro. O vice-presidente Hélio Honorato Moreira é um dos parceiros da Cátedra na organização dos Seminários e atualmente coordena o setor de Políticas Públicas Locais dentro do Sindicato. Paulo Dias deve assumir um posto neste setor, nas próximas semanas.

Cátedra: Quais são os interesses e objetivos do Sindicato em participar dos Seminários Integrados, "Fundamentos para a construção de indicadores de qualidade das gestões nas dimensões da Ética Pública, da Ação Cultural e dos Serviços Prestados ao Público"?

Paulo: O sindicato passou por diversas fases. O período de 1975 a 1980 aproximadamente, marca o rompimento do sindicato com a estrutura do Governo Federal, quando os militares impunham regras aos sindicatos. O Lula rompeu tudo isso e trouxe um sindicato autônomo. A segunda fase trata da organização do Sindicato dentro das fábricas, com as chamadas Comissões de Fábrica, que hoje já estão consolidadas. E num terceiro momento, nos anos 90, o Sindicato passou a se preocupar com a região como um todo, na questão do desenvolvimento econômico, social e principalmente na questão de pensar no trabalhador como um cidadão. O trabalhador não só trabalha, ele mora, pega condução, ele usa a saúde pública, ele precisa de segurança, etc. Então essa amplitude que o Sindicato tem na visão do trabalhador, nos dá a liberdade e missão de buscar junto com outros parceiros, uma melhor qualidade de vida, uma melhor postura no mercado de trabalho, uma melhor formação profissional, pensando sempre no homem como um cidadão.

C: Como o sindicato trabalha com a questão dos serviços Prestados ao Público?

Paulo: No Sindicato nós temos trabalhadores metalúrgicos de diversos níveis: nas montadoras, os trabalhadores tem um alto nível de salário, são gerentes, técnicos, mas na outra ponta também estão os trabalhadores de pequenas empresas, que têm salários menores e menos representatividade. Há uma diferença muito grande de trabalhadores, em níveis, e o Sindicato trabalha com a possibilidade de poder melhorar estes níveis, trazendo uma condição de vida melhor para todos. A questão dos Serviços Públicos vem ao encontro destas necessidades. Por exemplo, no ponto da educação profissional, a necessidade de se ter uma Universidade Pública Federal no ABC, é grande. O sindicato tem trabalhado bastante nisso, pois a maioria dos trabalhadores não tem a condição de pleitear uma universidade privada e então fica uma parcela da sociedade sem participação na educação profissional. Além disso, há uma serie de demandas para as quais o Sindicato enxerga a necessidade de se aprofundar, como no campo da segurança pública, desenvolvimento econômico e também na discussão com prefeituras, Governo do Estado e Federal, para o desenvolvimento de políticas que possam fazer com que o ABC cresça, sempre pensando na melhoria da qualidade de vida na região.

C: Quais são as expectativas com o resultado do trabalho que está sendo desenvolvido pelos GTs?

P: Eu acredito que o ABC é uma ponta no Brasil, porque foi daqui que saíram as grandes lideranças políticas. Também, é o pólo industrial de maior tecnologia no Brasil, e a necessidade de discutir a questão dos Serviços Públicos traz essa preocupação. Eu vejo como uma grande oportunidade para o ABC, ter um diagnóstico que possa medir de fato a qualidade e retorno do usuário do serviço público. É importante procurar entender também, o lado do gestor do serviço público e o que ele espera com aquele serviço. Trabalhar com o funcionário, o servidor municipal, etc, também deve ser feito. Eu acredito que este trabalho possa fazer o ABC sair na frente com uma metodologia de pesquisa que pensa em indicadores que possam medir a qualidade da gestão pública. A gente elege alguns representantes não simplesmente para que eles comandem, a gente pensa que a sociedade civil e organizada é parceira nesta administração. Então, o cidadão não pode ser passivo simplesmente, ele tem que ser pró-ativo e agir junto com gestor que ele elegeu, seja na escala municipal, federal, estadual, seja no âmbito executivo, legislativo. Então eu espero que a pesquisa possa trazer mecanismos nesse sentido, na participação popular e cidadã, com o objetivo de termos uma sociedade mais justa, solidária e acessível a todos.

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