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Mobilidade urbana vai além de solucionar o caos no trânsito

06/03/2015 19h45 - última modificação 06/03/2015 20h37

Embora seja a solução mais incensada atualmente, a bicicleta é apenas uma das saídas para resolver ou amenizar o trânsito caótico que importuna a vida de 10 entre 10 moradores das grandes cidades. A mobilidade contempla um leque bem maior de ações, pois deve harmonizar equipamentos urbanos como calçadas, arquitetura, praças, pedestres, carros, arborização, ciclovias e mesmo espaço para skatistas.

“Mobilidade é mais abrangente que tráfego de veículos. A rua é de todo mundo e temos que conviver bem com a totalidade do ecossistema urbano. As calçadas estão intransitáveis para nós, imagine para os cadeirantes”, provocou o professor Luiz Silvério Silva, da Faculdade de Administração e Economia e coordenador da Cátedra de Gestão de Cidades da Universidade Metodista.

O tema pautou o 4º Colóquio da Cátedra, que a cada semestre promove debate e reflexão sobre temas relevantes da vida urbana. A Mobilidade Urbana foi levada para os três campi da Metodista nesta semana e reuniu turmas de cursos variados.   

Governos vêm resolvendo pela metade o problema do caos no trânsito das grandes cidades, que foram pensadas para o carro. O modelo atual é de consumo de petróleo, de estímulo ao usuário de veículo automotor, “fazendo com que bicicletas fiquem para segundo plano, como se fosse coisa de pobre”, definiu a professora do Núcleo de Formação Cidadã, Márcia Velasques. “Nas pequenas cidades do interior, a bicicleta é o meio mais comum de transporte. A inversão ocorreu nas grandes cidades”, citou, lembrando do desgaste físico e emocional cada vez maior de se enfrentar congestionamentos infindáveis, o custo monetário do trânsito e a escassez de espaços disponíveis para estacionar.  

No vídeo de abertura do evento, reportagem exibiu que jovens norte-americanos já colocam o celular à frente do primeiro carro como desejo de consumo, enquanto na Itália vendem-se mais bicicletas que automóveis pela primeira vez em meio século. “Todos voltam da Europa encantados com a modernidade das ciclovias, mas se um prefeito reserva uma faixa para bikes na frente de casa, muitos protestam”, comparou professor Luiz Silvério.

Carlos Henrique de Oliveira, professor do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária da Metodista, chegou a incluir o transporte aquático no leque de diversidades contempladas pela mobilidade urbana. Segundo ele, São Paulo e em particular o Grande ABC são banhados por grande rede hídrica que facilitaria seu uso para deslocamentos internos.

Mortes em alta

Professor Carlos Oliveira citou dados do Laboratório de Estudos Ambientais da USP (Universidade de São Paulo) segundo os quais têm aumentado as mortes por doenças cardiorrespiratórias (asma e ataque cardíaco, por exemplo) em decorrência da poluição atmosférica. Saíram de 2,5 mil mortes em 2009 para 4,6 mil em 2014.

Professor Luiz Silvério reforça que a mudança de cultura é demorada, mas benéfica. Começa pela implantação de ciclofaixas (para uso em fins de semana), depois depois trabalhar a mudança de comportamento dos usuários e incentivar o uso de ciclovias já estabelecidas. “Nenhuma cidade inverteu essa ordem. Nova York levou sete anos para implantar a cultura da bicicleta”, exemplificou.

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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