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Melhoria da mobilidade urbana ainda é um sonho, mas possível

13º SEPPI mostra que desafio continua sendo desestimular transporte individual e implantar políticas metropolitanas integradas. Trabalhos apresentados abordam caronas e como acessibilidade segrega empregos

01/10/2015 20h55 - última modificação 02/10/2015 14h28

Com a população cada vez mais urbana e a prioridade ainda dada à motorização individual, resolver a mobilidade nas grandes cidades parece dilema insolúvel. Seja porque governantes pedem para a população andar a pé ou de transporte público mas não oferecem meios com qualidade. Seja porque não é eficaz até agora a integração entre modais como metrô, bicicleta e ônibus, assim como é falha a integração entre políticas públicas de cidades conurbadas (unidas geograficamente, mas cada qual tocando o próprio plano diretor).

“A Região Metropolitana de São Paulo vive uma grande oportunidade de desenvolver projetos integrados devido à relação de interdependência dos aglomerados. Não adianta ser o maior centro financeiro do País, com parque industrial e uma enorme troca de bens e de moradores devido aos deslocamentos, se não melhorar essa rede de comunicação e transporte”, advertiu o arquiteto Ronaldo Tonobohn, superintendente de Planejamento e Projetos da CET (Cia. de Engenharia de Tráfego) de São Paulo.

Segundo ele, a grande mobilidade de empregos e moradias na metrópole não é correspondida por uma mobilidade satisfatória de deslocamento, porque está muito centrada no transporte individual e motorizado. Além disso, as 39 cidades da RMSP não sentam para elaborar políticas públicas “que se conversem”. Ao contrário, muitos planos diretores são conflitantes.
“Não se articulam políticas setoriais para transporte, habitação e drenagem entre essas cidades, onde moram 21 milhões de pessoas que geram 43,7 milhões de viagens por dia, em média. São Paulo acaba de criar o Parque de Ecoturismo de Parelheiros e São Bernardo, na divisa, não tem nada nesse território”, questionou.

Carro não é vilão     

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Ronaldo Tonobohn, da CET

Ronaldo Tonobohn foi um dos palestrantes no 13º SEPPI (Seminário de Políticas Públicas Integradas: Mobilidade Urbana e Qualidade de Vida), realizado em 30 de setembro passado na Universidade Federal do ABC com apoio da Universidade Metodista de São Paulo por meio da Cátedra Gestão de Cidades, além da USCS (Universidade de São Caetano do Sul). Durante o evento foram apresentados nove trabalhos e pesquisas sobre o tema, que vão de um aplicativo para caronas até a potencialização do uso do metrô desde que seja facilitada a conexão com rotas de ônibus, bicicletários e automóveis.

“Não precisa tornar o carro um vilão. É possível um convívio saudável entre todos os modais mediante integração. É inevitável fazer bicicletas, pedestres e automóveis compartilharem o espaço urbano existente, já que não dá para esperar a criação de uma infraestrutura ideal”, apontou Andrea Brisida, secretária-adjunta de Transportes de São Bernardo e coordenadora do Grupo de Trabalho Mobilidade do Consórcio de Prefeitos do Grande ABC.

Andrea apresentou o pacote de propostas elaborado pelo Consórcio a partir de 2012 e que, entre outros pontos, elegeu 16 eixos para investimentos do governo federal cujo pré-requisito básico é a circulação de transporte coletivo. São os casos dos corredores Pereira Barreto-Lucas Nogueira-Piraporinha, Anel Viário até a avenida dos Estados, Taboão, Corredor Mauá, entre outros.

A prioridade do ABC para o transporte coletivo veio de seis anos para cá, já que o GT Mobilidade foi originalmente criado em 1990 para cuidar da logística da região (transporte de carga e trânsito). Com a chegada do Rodoanel, essa preocupação aumentou diante do agravamento do chamado tráfego de passagem de transporte de carga e individual. A solução foi propor a ampliação dos acessos às áreas de concentração industrial, criar rotas alternativas aos eixos saturados e incentivar a vinda do metrô, citou ela, referindo-se à Linha 18 Bronze que vai ligar São Bernardo à estação Tamanduateí.

Só 31% usam ônibus     

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Andrea Brisida, Consórcio de Prefeitos

Mas o transporte coletivo ainda apresenta limites: só 31% dos quase 3 milhões de moradores do ABC paulista usam ônibus, 34% utilizam veículo individual motorizado e 35% andam a pé. As ciclovias, por enquanto, são uma fantasia devido à falta de recursos das sete cidades, onde alguns esforços são feitos apenas em torno de ciclofaixas de lazer, apontou a dirigente do Consórcio.

Ronaldo Tonobohn, da CET, aposta em algumas saídas contempladas no Estatuto da Metrópole recentemente promulgado (lei federal 13.089 de 12 de janeiro de 2015), entre as quais as ações consorciadas de cidades e regiões, de modo que despesas e soluções sejam compartilhadas. Também acha importante a compensação financeira para cidades enquadradas em proteção aos mananciais – que prestam importante serviço ambiental à metrópole pela preservação de áreas. “O grande desafio é essa governança consorciada dentro de regiões metropolitanas tão heterogêneas como a de São Paulo”, polemizou.

O coordenador da Cátedra Gestão de Cidades da Metodista, professor Luiz Silvério, reforçou o pensamento da professora da USCS Isabel Cristina dos Santos de que não existe solução simples e rápida para a mobilidade urbana e qualidade de vida. Mas entende que as discussões devem ser postas continuamente, mesmo que pareçam utopias. Professora Isabel conclama os cidadãos a mudar o olhar sobre o território em que habitam e vivem e defendeu que a mobilidade esteja numa agenda política suprapartidária, de Estado, e não de governos passageiros.

Veja a íntegra dos 9 trabalhos apresentados no XIII SEPPI:

Tripda: aplicativo para compartilhamentos de caronas, cujo objetivo é conectar motoristas e passageiros e, assim, utilizar de forma mais eficiente o automóvel para mobilidade urbana. Leia na íntegra. 

Bike Anjo: incentivo ao uso de bicicleta como transporte para trabalho e lazer. Trata-se de uma ONG que oferece serviços gratuitos aos iniciantes, desde oficinas que ensinam a pedalar até acompanhamento para começar a se locomover e o planejamento de rotas. Leia na íntegra.

Segregação de espaços: reinterpretar o conceito de separação geográfica do espaço urbano e estimular nos espaços habitados e frequentados pelas pessoas maior interação entre os grupos sociais, bem como o acesso a oportunidades. Leia na íntegra.

Alternativa jovem: avalia a predisposição positiva de alunos do Ensino Médio na escolha de alternativas de transporte (coletivo e não motorizado) após participarem de uma oficina de conscientização durante dois anos. Leia na íntegra.

Metrô de Salvador: pesquisa sobre incentivo ao uso do metrô por meio da integração intermodal dos diversos grupos de usuários - pedestres, ciclistas, usuários de transporte coletivo e individual. Leia na íntegra.

Violência no trânsito: aborda como a popularização do transporte individual privado, resultado do advento do carro popular e da motocicleta destinada à classe trabalhadora, exacerbou os acidentes de trânsito na Grande São Paulo. Leia na íntegra.

Acessibilidade e emprego: estuda como as más condições de acessibilidade na maior parte das aglomerações urbanas brasileiras se tornaram um processo socialmente excludente e segregador socioespacial, pois as densas populações periféricas precisam fazer longos e dispendiosos deslocamentos para atingir as oportunidades de empregos e serviços como hospitais e áreas de lazer. Leia na íntegra

Intervenção do Estado: análise das principais mudanças, avanços e impactos da gestão do instrumento do PGT (Pólo Gerador de Tráfego, sobretudo empreendimentos imobiliários) na Capital paulista e seus impactos nas políticas públicas relacionadas ao uso do solo e à mobilidade. Leia na íntegra.

Políticas integradas: analisa como é vantajoso fazer políticas públicas integradas na gestão da mobilidade urbana nas grandes cidades e mostra a experiência bem-sucedida no Brasil da integração dos transportes na Região Metropolitana do Recife e em Madri, na Espanha. Leia na íntegra.

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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