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Ex-metalúrgicos temem manifestações pela volta dos militares

07/05/2015 21h20 - última modificação 07/05/2015 21h29

Greve na Volks (Foto SMABC)

As manifestações da população nas ruas e nos panelaços contra os rumos da economia e da gestão política no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff são legítimas e democráticas, mas não devem tirar do pântano a ditadura submersa com a volta das eleições diretas e de um presidente civil, em 1985. Pedidos para o retorno do regime militar são uma forma de o Brasil retroceder à menoridade política e não avançar na emancipação da democracia, “que ainda não é plena nem perfeita, mas representa uma grande conquista”, dizem os ex-metalúrgicos João Paulo de Oliveira e Cláudio Roberto Rosa, protagonistas das históricas greves do ABC nos anos 1980.

João Paulo e Cláudio Rosa temem que as cicatrizes dos 21 anos de ditadura estejam sendo arquivadas na memória sobretudo dos mais jovens. João Paulo, hoje presidente da AMAA (Associação dos Metalúrgicos Anistiados do ABC), coloca inclusive em dúvida a consciência crítica da juventude sobre governos autoritários e se se ergueria hoje a mesma resistência operária de 35 anos atrás contra o regime militar e pela recuperação de perdas salariais. Cláudio Rosa, secretário da AMAA, prefere apostar no maior acesso dos jovens às informações e na relevância do tema para mobilizá-los se a democracia for ameaçada. Cita que um instrumento facilitador de mobilizações são as próprias redes sociais que articulam protestos contra o atual governo.

“Na nossa época, falávamos por senha e códigos, usávamos codinomes e nos escondíamos de lugares públicos porque se a polícia visse mais que duas pessoas conversando, prendia”, rememorou João Paulo (foto 1), que participou ao lado de Cláudio Rosa (foto 2) da terceira noite de debates do X Encontro de Movimentos Populares e Cidadania da Universidade Metodista. A abordagem na edição 2015 é “Temas Emergentes em Cidadania”. O encontro ocorreu no campus Vergueiro e teve como pauta “35 anos do início da redemocratização no Brasil: a greve dos metalúrgicos do ABC”, sob moderação da professora Cláudia Cezar, também coordenadora do Núcleo de Arte e Cultura.

Polícia truculenta               

No entender de Cláudio Rosa, dois problemas que considera “mal resolvidos” na redemocratização são a segurança e a imprensa no Brasil. Acha que as polícias civil e militar herdaram a truculência usada na repressão da época militar, enquanto a grande mídia estaria sendo tendenciosa no noticiário. “Há uma grande lavagem cerebral da juventude pela mídia”, deduz ele.

Os dois ex-metalúrgicos historiaram várias passagens das greves dos anos 1970/1980 e o enfrentamento ao regime vigente, que resultou em prisões, torturas e mortes, além de desaparecidos até hoje reivindicados pelas famílias. Apesar de os 41 dias de paralisação e a prisão do então líder Lula da Silva terem projetado o ano 1980 como grande marco das lutas sindicais, citaram combates anteriores em 1978 e 1979 em Osasco e Contagem (MG) como importantes para a linha cronológica dos movimentos operários.

O estopim foi a histórica manipulação do então ministro Delfim Netto de subtração de 34,1% na inflação oficial. As empresas resistiam a reconhecer esse patamar e foram várias as negociações em que a contraproposta da poderosa Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo) era zero de reposição salarial, o que aumentava a resistência dos trabalhadores e o enfrentamento com a polícia, que na maioria das ocasiões foram chamadas pelos empresários a ocupar as fábricas.

 

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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