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Debate sobre impeachment divide alunos e reflete sobre os rumos do Brasil

Encontro foi promovido pelo Núcleo de Formação Cidadã e lotou Salão Nobre

15/04/2016 20h05 - última modificação 15/04/2016 20h19

O ambiente de expectativa com os rumos do Brasil e de opiniões divididas sobre o impedimento da presidente Dilma Rousseff foi reproduzido na noite de 14 de abril no encontro “Diálogos sobre Política: Que Democracia Queremos?” promovido pelo Núcleo de Formação Cidadã. O lotado Salão Nobre da Universidade Metodista de São Paulo separou-se em metade dos alunos favoráveis ao afastamento e outra metade contra, enquanto entre os expositores a maioria dos professores entende que impeachment é golpe. A rodada de debates pretendeu promover uma reflexão sobre o atual cenário político do Brasil e provocou vaias e apupos da plateia em vários momentos.

“O clima de Fla-Flu não é ideal para resolver conflitos e crises políticas e sociais. Quem não tem diálogo nem faz reflexão só constrói muros”, apelou o promotor do evento e coordenador do NFC, professor Oswaldo de Oliveira Santos, que apaziguou uma acalorada disputa de gritos “Não vai ter golpe” e “Sérgio Moro”, este último em referência ao juiz condutor da operação Lava-Jato, que investiga desvios de dinheiro público na Petrobrás. Professor Oswaldo elogiou o interesse e a grande presença dos estudantes.

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Professores debateram também cenário de pós-impedimento

Para o professor Décio Saes, especialista em Ciências Políticas e Sociais, o discurso da oposição de afastar a mandatária da República com a bandeira do ataque à corrupção é subterfúgio de “liberais e da burguesia” para a desestabilização do governo. Segundo ele, corrupção, fraude e desvios de dinheiro público estão presentes nas mais avançadas sociedades capitalistas e a oposição no Brasil não estaria interessada em extinguir essas práticas, mas sim em promover uma “deposição branca” da presidente. “O capital nas mãos de poucos alicia e corrompe governos. Qualquer que seja o novo governo, não vai alterar o modus operandi do Estado burguês”, disse ele, atribuindo ao que chamou de burguesia associada ao capital estrangeiro interesses em privatizações e em retrocessos nas conquistas sociais.

Também professora Luci Praun, socióloga e especialista em História, Sociedade e Cultura, teme pela perda de direitos sobretudo da classe trabalhadora, caso se concretize o que definiu como “golpe institucional em curso”. Para ela, o que virá com um novo governo “lastreado em empresários” será a desregulamentação de direitos trabalhistas, apontando para uma provável reforma da Previdência Social, a aprovação da lei da terceirização e o projeto de lei 4962 que permite a prevalência de acordos coletivos sobre a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).

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Alunos lotaram Salão Nobre da Metodista
Citando que corrupção não foi inventada pelo Partido dos Trabalhadores, ela reconheceu que o PT errou ao aderir à prática que tanto combateu nas suas origens e acusou a agremiação de se adaptar “à fórmula burguesa de governar”. Apontou como exemplo as várias isenções de impostos concedidas a grupos empresariais.


Preconceito social

Essa também foi a linha da exposição do professor José Salvador Faro, historiador e doutor em Comunicação Social. “A transferência de riqueza provoca reação em nossa burguesia, que é magra, pois é sustentada por desoneração de impostos, subsídios do Estado e capital estrangeiro”, disse, acreditando que há preconceito das elites contra conquistas como a dos 22 milhões de brasileiros que deixaram a pobreza entre 2004 e 2014, segundo dados da ONU. Professor Faro também atribui a atual crise ao que considera colapso da representação político-partidária e disse estar receoso de que, nesse cenário, uma sociedade vulnerável acabe se entregando a “qualquer liderança messiânica”.

Já professor Lauri Wirth, que tem formação em Teologia e Ciências Sociais, alertou para o peso do capital financeiro no mundo e como influencia governos, políticos, imprensa e meios de produção. Apresentando pesquisa da Universidade de Zurich (Suíça) com 147 fundos de investimentos que agem conectados com ativos que somam mais de 50% da economia mundial, ele citou o BlackRock. Sozinho, o BlackRock detém US$ 4 trilhões, ou três vezes o orçamento anual da Alemanha, uma das maiores economias do mundo. “A missão desses fundos é exclusivamente aumentar seus rendimentos. Com um só lance baixam e levantam preço de petróleo, derrubam bolsas de valores, provocam inflação e pobreza”, descreveu, definindo esses fundos como um poder anônimo ao qual governos se aliam porque não conseguem vencê-lo. Citou que há, porém, tentativas alternativas como a do Banco dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) para fazer frente ao poder do FMI (Fundo Monetário Internacional.

Advogada e professora de Direito do Estado, Maria Cristina Teixeira destoou da mesa de expositores ao entender que não há nenhuma inconstitucionalidade em curso com o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Citou que a Câmara dos Deputados obedeceu ao rito estabelecido pelo próprio STF (Supremo Tribunal Federal) e que não há solução alheia à Constituição Federal de 1988. “Das sete constituições brasileiras, nenhuma como a de 1988 estabeleceu princípios e objetivos fundamentais do Estado, sobre os quais se pode pensar em um Estado melhor, mais digno e justo para todos”, opinou, após discorrer sobre os princípios Republicano, do Estado Democrático de Direito e do Sistema Presidencialista de Governo.

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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