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Grupo de Pesquisa “Mídia, Arte e Cultura”, promove palestra sobre Gênero do discurso

Professora e pesquisadora Barbara Heller da Universidade Paulista (Unip) foi convidada para discutir sobre a temática.

13/04/2018 10h55 - última modificação 16/04/2018 18h40

Professora Barbara Heller. Foto: Pedro Zuccolotto

Vittória Cataldo

O Grupo de Pesquisa “Mídia, Arte e Cultura” (MAC), liderado pelo professor Dr. Herom Vargas, se reuniu nesta quarta-feira (04) para discutir sobre Gênero do discurso de Mikhail Bakhtin, entre alunos e pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).

Idealizado pelo professor Dr. Herom Vargas, docente pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UMESP, o MAC se constitui como um grupo que discute estética e semiótica precisamente dentro da comunicação, temáticas que estão presentes linha de pesquisa ‘Comunicação midiática, processos e práticas socioculturais’, do programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).  

Barbara tem pesquisas sobre Bakhtin e conhece bem o pensamento desse importante intelectual, os discursos e seus gêneros são ferramentas importantes na comunicação e entende-los é parte importante de várias pesquisas na área. "Como no Grupo de Pesquisa tratamos de arte nas mídias e na cultura, o discurso é uma das maneiras de uma obra de arte organizar seus sentido, organizar o que um autor (artista) quer dizer. Temos várias teorias que tratam disso. A semiótica, por exemplo. A análise do discurso é outra e, nela, a teoria de Bakhtin é bastante importante", Herom explica. 

A discussão foi liderada pela professora Barbara Heller graduada em Teoria Literária pela Universidade Estadual de Campinas, que possui mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo e doutorado em Teoria Literária pela Universidade Estadual de Campinas. É pós-doutorada em Comunicação pela UMESP e atualmente é docente e vice coordenadora do Programa de Mestrado e Doutorado em Comunicação da Universidade Paulista (Unip).

A partir de alguns aspectos da obra e da vida de Mikhail Bakhtin, filósofo, pensador russo, teórico e pesquisador de diversos assuntos, dentre eles linguagem e semiótica, o encontro foi marcado por exibições de capas de jornais discutidos no viés dos gêneros de Bakhtin, abrindo espaços de discussão entre os participantes. Heller explicou a importância de se discutir a temática devido a difícil compreensão da Teoria bakhtiniana, já que foi elaborada e reelaborada ao longo da vida do autor, principalmente porque enquanto Bakhtin esteve vivo, sofreu perseguições políticas e nunca teve sua obra reconhecida.

Heller explicou que há muitas dificuldades na discussão desta temática e apresentou também outros conceitos como por exemplo produção e reprodução de um jornal. Conceitos que esclarecem melhor a contextualização da teoria no viés da comunicação.

Dentro da sua abordagem, a professora destacou algumas características de um gênero específico: a sátira menipeia, que contém a presença do elemento cômico, representação do inferno, do fantástico experimental, a presença da loucura entre outros elementos.

A Teoria Bakhtiniana

A Teoria Bakhtiniana consiste em enxergar a linguagem como um constante processo de interação mediado pelo diálogo e não apenas como um sistema autônomo. De acordo com o filósofo, a língua materna, seu vocabulário e sua estrutura gramatical, não é conhecida por meio de dicionários ou manuais de gramática, mas graças aos enunciados concretos que ouvimos e reproduzimos na comunicação efetiva com as pessoas que nos rodeiam.

Segundo essa concepção, a língua só existe em função do uso que locutores (quem fala ou escreve) e interlocutores (quem lê ou escuta) fazem dela em situações diversas na esfera da comunicação.  Dentro dessa teoria, o filósofo estuda os gêneros.

Como conceitua Bakhtin, gênero do discurso é a união indissolúvel entre língua, linguagens, história, sujeitos e ideologias. Ele subdivide o gênero em dois tipos: os primários e os secundários. Os primários, segundo Heller são predominantemente orais, uma comunicação espontânea e os secundários são os gêneros mais elaborados que absorvem e digerem os primários e os transformam.

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