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O movimento Metodista e a educação

Ênfases que nos distinguem

Wesley e os primeiros metodistas se interessavam especialmente por convidar as pessoas a experimentarem a Graça de Deus e crescerem no conhecimento e no amor a Deus, por meio de uma vida cristã disciplinada. Eles enfatizavam, principalmente, o viver cristão, a fé e o amor postos em ação. Essa ênfase no que Wesley chamava de “espiritualidade prática” continua a ser a principal marca do metodismo contemporâneo.

A forma distintiva da nossa herança teológica pode ser vista não somente nesta ênfase na vivência cristã, mas também na compreensão wesleyana da graça salvadora de Deus. Ainda que Wesley tenha compartilhado com muitos outros cristãos a convicção da salvação pela graça, ele fez uma combinação poderosa do pensamento desses cristãos, criando ênfases singulares para se viver plenamente a vida cristã.

Graça

A Graça está no centro de nossa compreensão da fé e da vida cristãs.

Define-se a graça como o amor e a misericórdia que Deus nos dá, porque Deus assim quer que nós os tenhamos, não porque tenhamos feito qualquer coisa para merecê-los. Lemos na Epístola aos Efésios, capítulo 2, versos 8 e 9: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.”

Nossa herança metodista está enraizada em uma profunda compreensão da Graça de Deus. Esta incrível graça flui do grande amor que Deus tem por nós. Você já leu e decorou o texto de João 3.16? Este versículo resume o que nos é transmitido no Evangelho: que Deus amou ao mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna. A habilidade de chamar à mente o amor de Deus e a dádiva de Jesus Cristo por Deus é uma fonte riquíssima para a teologia e a fé.

John Wesley, fundador do movimento metodista, descreveu a Graça divina se manifestando de três modos:
- a graça preveniente;
- a graça justificadora;
- a graça santificadora.

 

Graça Preveniente

Wesley entendia a graça como a presença ativa de Deus em nossa vida. Essa presença não é dependente das ações humanas ou da resposta humana. É uma dádiva que está sempre disponível, mas que pode também ser recusada.
A graça divina revolve em nós um desejo de conhecer a Deus e nos capacita a responder ao convite divino para estarmos em relacionamento com Ele. A graça de Deus capacita-nos a discernir a diferença entre o bem e o mal, fazendo com que seja possível para nós escolher o bem. Deus toma a iniciativa em relação à humanidade: não temos que mendigar ou implorar pelo amor de Deus e sua graça. É Deus quem ativamente busca por nós.


Graça Justificadora

Paulo escreveu à Igreja em Coríntios: “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões e nos confiou a palavra da reconciliação” (2 Coríntios 5.19). Na sua carta aos cristãos romanos, Paulo escreveu: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5.8).  

Estes versos demonstram a graça justificadora de Deus. Eles apontam para a reconciliação, para o perdão e para a restauração. Por meio da obra de Deus em Cristo, nossos pecados são perdoados e nosso relacionamento com Deus é restaurado. Segundo Wesley, a imagem de Deus que tinha sido distorcida pelo pecado é renovada dentro de nós pela morte de Cristo.  

Novamente, esta dimensão da graça de Deus é uma dádiva, um dom. A graça por si só nos traz para o relacionamento com Deus. Não há aros dentro dos quais temos que saltar para agradar a Deus e sermos amados por Ele, como ocorre com animais adestrados. Deus age em Jesus Cristo. Precisamos apenas respondê-lo com a fé.
Conversão

O processo da salvação envolve uma mudança em nós, que chamamos de conversão. A conversão é uma mudança de rumo, abandonando uma orientação por outra.  Pode ocorrer de forma dramática e repentina, ou de modo gradual e cumulativo. Contudo, em qualquer caso, é um novo começo. Segundo as palavras de Jesus para Nicodemos: “você deve nascer de novo” (João 3.7). Falamos da conversão como um novo nascimento, uma nova vida em Cristo ou regeneração.

Wesley seguiu os passos de Paulo e Lutero, ao chamar a este processo de justificação. A justificação é o que acontece quando os cristãos abandonam todas as vãs tentativas de se justificar diante de Deus, buscando ser vistos como justos aos olhos de Deus por meio de práticas morais e religiosas. Quando a graça justificadora é experimentada e aceita, é um tempo de perdoar e ser perdoado, de uma nova paz, alegria e amor. Certamente, somos justificados pela graça de Deus por meio da fé.

Justificação é também ocasião para o arrependimento, para abandonar comportamentos arraigados no pecado e abraçar ações que expressam o amor de Deus. Nesta conversão, nós podemos esperar receber a segurança da presente salvação por meio do Espírito Santo que “testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Romanos 8.16).

 

Graça Santificadora

A salvação não é estática como um evento que ocorre uma só vez, em nossa vida.  É a experiência em curso da presença graciosa de Deus, que nos transforma naquilo que Deus quer que sejamos. John Wesley descreveu esta dimensão da graça como santificação ou santidade.  

Por meio da graça santificadora, nós crescemos e amadurecemos nossa capacidade de viver como Jesus viveu.  Quando oramos, estudamos as Escrituras, jejuamos, participamos dos cultos e compartilhamos nossa fraternidade com outros cristãos, aprofundamos nosso conhecimento de Deus e do seu amor. Quando respondemos com compaixão às necessidades humanas e trabalhamos por justiça em nossas comunidades, fortalecemos nossa capacidade de amar ao próximo. Nossas motivações e pensamentos mais íntimos, tanto quanto nossos comportamentos mais explícitos, estão alinhados com a vontade de Deus e testificam nossa união com Ele.
Caminhamos, com a ajuda de Deus, na trilha da santificação em direção à perfeição. Ao abordar o tema da perfeição, Wesley não queria dizer que deixaríamos de cometer erros ou apresentar fraquezas. Ele entendia que a perfeição é um processo contínuo de se fazer perfeito em nosso amor a Deus e um ao outro, além de remover o desejo de pecar.


Fé e Boas Obras

Os metodistas insistem que fé e boas obras caminham juntas. O que nós cremos deve ser confirmado pelo que fazemos. A salvação pessoal deve ser expressa em ministério e missão no mundo. Acreditamos que a doutrina e a ética cristãs são inseparáveis, que a fé deve inspirar o serviço prestado à humanidade. A integração entre piedade pessoal e santidade social é um marco da nossa tradição. Afirmamos o preceito bíblico de que “a fé sozinha, sem obras, é morta” (Tiago 2.17).


Missão e Serviço

Em função do que Deus fez por nós, oferecemos nossa vida a Deus por meio de uma vida de serviço. Como discípulos, tornamo-nos ativamente participantes da ação de Deus no mundo por meio da missão e do serviço ao próximo. O amor a Deus está sempre ligado ao amor ao próximo e a um compromisso apaixonado pela busca de justiça e de renovação no mundo.

 

Sustento e Missão da Igreja

Para Wesley, não há religião que não seja social, nem santidade que não seja social. Em outras palavras, há sempre uma dimensão social incluída na fé. Ninguém pode ser um cristão solitário. Quando crescemos em fé, por meio de nossa participação na comunidade da igreja, somos nutridos e capacitados para a missão e para o serviço ao mundo.

Dos dias de Wesley até o presente, o Metodismo busca ser tanto uma comunidade de apoio como uma comunidade serva. Os membros das sociedades metodistas se encontravam para o cuidado pessoal por meio da doação aos pobres, da visita aos que estavam na prisão, e do trabalho por justiça e paz, na comunidade. Eles buscavam não só receber a integralidade da graça de Deus para si, mas viam a si mesmos como existindo para “reformar a nação... e espalhar a santidade bíblica sobre toda a terra”.

 

Metodista na Educação

Os dez princípios gerais da perspectiva metodista na educação

  1. Educação nunca deve ser limitada a fins utilitários. Trata-se da construção da sabedoria para que as pessoas possam dar uma direção correta para a sua vida em um mundo em rápida mutação e complexo.
  2. Todos os meninos e meninas, homens e mulheres, merecem ter suas necessidades educacionais atendidas e isso requer uma diversidade de abordagens.
  3. A educação deve promover uma atitude questionadora, que evita doutrinação e procura a verdade por meio da razão, da investigação e debate baseado na liberdade de pensamento e de expressão.
  4. Educação não é apenas sobre o que aprendemos como indivíduos. Também é o que nós aprendemos juntos como comunidades. Trata-se de estimular o respeito mútuo e a compreensão, valorizando a importância do perdão, reconciliação e o respeito à diversidade cultural.
  5. Educação deve promover a nossa compreensão de Deus e isso inclui incentivar as pessoas a encontrar Cristo de maneiras que possam mudar suas vidas enquanto mostrando sensibilidade às opiniões daqueles de outra ou nenhuma fé .
  6. Educação é um veículo de Deus, portanto, o Estado não deve ter o monopólio da educação. A Igreja deve oferecer suas próprias formas de educação formal e informal, para encarnar o melhor que uma educação fundamentada em valores éticos cristãos pode oferecer.
  7. Fornecer os modelos certos é intrínseco a uma boa educação. Nesse contexto, responsabilidades familiares são de extrema importância e o ensino deve ser visto como uma vocação, que implica em enormes responsabilidades e não apenas uma forma de organização econômica.
  8. Educação tem a ver com a realização do potencial humano em todas as fases da vida e é, portanto, um processo contínuo e permanente. Trata-se também de desenvolver o caráter, crescendo em bondade e na busca da perfeição.
  9. A educação deve promover a autodisciplina, o trabalho sério e o reconhecimento de que quanto mais nos é dado mais é esperado de nós. Deve preparar as pessoas para escolher hábitos corretos e ter uma vida de serviço aos outros.
  10. A educação deve ser um instrumento para reformar e remodelar a sociedade, pela não manutenção do status quo. Deve incentivar as pessoas a querer mudar o mundo para melhor. Isto inclui a responsabilidade socioambiental pelo bem-estar do mundo que Deus criou.

 

Baseado na United Methodist Church.

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