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Sou Show Afro de 2017 exalta papel da mulher negra na sociedade

Apresentações artísticas mostram vários espaços conquistados

13/11/2017 18h10 - última modificação 24/11/2017 14h54

Dança é uma das manifestações culturais afro

Não é difícil associar, no Brasil, a mulher negra à pouca ou nenhuma roupa, hipersexualizada ou vestindo uniformes de trabalhos subordinados. Para combater essa hegemonia que vincula afrodescendentes em geral a níveis inferiores econômica e socialmente, as irmãs Marisa e Elvira Brito fazem seu libelo na forma de decoração e artes plásticas, mostrando sobretudo a mulher negra bem vestida e elegante em jeans, alta costura, tecidos floridos e bem talhados, acompanhados de joias.

“Queremos mostrar que a mulher negra pode usar a roupa que quiser, ir aonde quiser e ocupar postos profissionais de destaque”, enfatizou Marisa, que monta exposições como a Black Queens apresentada no Sou Show Afro, promovido pelo Núcleo de Arte e Cultura da Universidade Metodista de São Paulo na noite de 10 de novembro. As irmãs Brito, que assinam como Ateliê Las Hermanas, deram o tom do SSA, que elegeu como tema desta 13ª edição a valorização e presença da mulher negra na sociedade brasileira.

“Além de combater e denunciar o preconceito contra negros, queremos valorizar a beleza e identidade da mulher negra, dando visibilidade à sua resistência e empoderamento na sociedade”, falou a educadora e coordenadora do NAC, Cláudia Cezar, que revezou a série de apresentações no palco com a jornalista e professora Lídia Maria de Lima.

Grupo vulnerável

Música, poesia, dança, depoimentos e outras manifestações procuraram opor-se a um cenário que, apesar dos avanços, coloca os negros no Brasil – e as mulheres em especial – num grupo historicamente vulnerável. “Racismo no Brasil é histórico, por isso é dever de toda a sociedade romper com a desigualdade”, reforçou Cláudia Cezar.

Num país em que 55% da população é afrodescendente, as estatísticas do IBGE do final do ano passado indicam que o rendimento dos brasileiros brancos era de R$ 2.660, enquanto dos pardos ficou em R$ 1.480 e dos trabalhadores que se declaram pretos em R$ 1.461. O cenário é ainda pior para a mulher afro: seus vencimentos chegam a representar apenas 50% do que recebe um homem branco.

Entre outros, O Sou Show Afro de 2017 trouxe apresentações de Cacau, uma das vocalistas do grupo hip-hop MCs pela Educação; o mestre Diolindo de Brito e seu grupo de percussão e de dança do Projeto Cultura e Movimento (SESC-São Caetano) e do grupo Sol Capoeira; As Angolanas representadas por Maria Isabel Reis, Maria Dala e Rosa Laurinda; o Grupo Ubuntu com alunas de Pedagogia da Metodista que performaram o poema “Gritaram-me Negra”; Kessy, oficineira de Hip Hop; além do grupo Consciência Negra, com Neusa Cezar e crianças convidadas.

A arte educadora Nina Mancin conduziu performance teatral e preparou vídeo exibindo 17 mulheres negras que marcaram a história de resistência em quilombos no Brasil. Também apresentou-se o Projeto TrançAmor, que auxilia na fase de transição capilar, estimulando mulheres afro a assumir seus fios cacheados, como afirmou a coordenadora Evelyn Daisy. Veja imagens do evento: 

13º Sou Show Afro

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