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Mostra de Arte Inclusiva exibe novos talentos e exemplos de superação

8ª edição reúne oito grupos e artistas que não fazem da deficiência uma barreira

22/09/2016 18h10 - última modificação 22/09/2016 18h13

Portadores de Down encenam Escolinha do prof. Raimundo

Todos com carreiras bem-sucedidas ou dedicados a atividades de destaque após ultrapassarem a porta do desprezo, grupos culturais e artistas com necessidades especiais que se apresentaram na 8ª Mostra de Arte Inclusiva demonstraram como mudaram suas agendas com dedicação e enfrentamento do preconceito. Em ano de Paralimpíadas no Brasil, o evento na Universidade Metodista de São Paulo também mostrou que não há teto para superação de limites pessoais.

“A gente sai daqui feliz com tanta coisa boa feita em ações de inclusão. Começamos em 2009 com três grupos e nesta edição são oito, o que fixa a Mostra de Arte Inclusiva como espaço não só de fruição de arte, mas de quebra de barreiras e respeito às diferenças”, falou a coordenadora do NAC (Núcleo de Arte e Cultura) da Metodista, Cláudia César, uma das idealizadoras do evento, que é realizado sempre no 21 de setembro, Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência.

Uma das apresentações foi de Lothar Bazanella, que perdeu a visão aos 5 anos de idade com tiro de espingarda mas não fez da deficiência visual o fim de tudo. Alfabetizou-se aos 13 anos e aos 22 já cursava faculdade de direito. Fez programação e gestão de sistemas de computação e, mesmo já aposentado, trabalha há 43 anos como analista de sistemas na Prodam, empresa de Tecnologia da Informação da Prefeitura de S.Paulo. É membro da Associação Cadevi (Centro de Apoio aos Deficientes Visuais), joga xadrez como poucos e faz trovas, recitando várias quadrinhas no palco. “É uma caminhada árdua, mas pior é ficar parado, sem exercer a cidadania”, disse.

Grazyely Stivaletti, também deficiente visual desde os dois anos e meio de idade devido a uma leucemia, está finalizando a faculdade de psicologia na Metodista e trabalha na Assessoria de Inclusão da universidade. Aos 22 anos, diz que nunca desistiu dos sonhos e pretende seguir carreira na psicologia do esporte. A dança é uma de suas paixões e fez questão de mostrar desenvoltura ao palco acompanhada do professor de academia.
Integrado por portadores de Down, o grupo de teatro Sintonia arrancou gargalhadas e aplausos pela performance de uma réplica da Escolinha do Professor Raimundo. Dirigidos pela atriz e arte-educadora do NAC Nina Mancin, não erraram nenhuma passagem de diálogo e de performance. O grupo nasceu em 2010 com objetivo de proporcionar o envolvimento dos funcionários do Setor de Produtos Artesanais da Metodista.

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Gonçalo pinta com a boca e dá aulas de artes plásticas
  Paralisia e 50 livros

Busca de novas experiências também é o resumo de vida de Emílio Figueira, que devido a uma asfixia durante o parto, em 1969, ficou com paralisia cerebral e carrega sequelas na fala e movimentos. Seus exemplos de superação são inúmeros, começando com poemas e contos que já escrevia aos 7 anos de idade. Aos 16 editava sozinho a Folha de Guaraçai, no interior paulista, e hoje acumula várias produções científicas, com mestrados e doutorados em Teologia e Comunicação. Tem mais de 50 livros publicados e os mais recentes tratam de autoajuda.

Frequentador assíduo da Mostra de Arte Inclusiva da Metodista, Gonçalo Borges mais uma vez apresentou-se fazendo pinturas com a boca. Sem as mãos, ele utiliza técnicas de aquarelas, guache, tinta acrílica e óleo. Tem pós-graduação em Artes Plásticas e dá aulas de pintura. “A mostra é um evento maravilhoso, assim como o espaço cedido pela Metodista. Me emociona muito porque estamos na batalha pelas leis, quando isso já deveria estar superado e deveríamos batalhar pela consciência de todos pela inclusão dos deficientes”, falou, referindo à Lei Brasileira de Inclusão criada em 2015 e vigente a partir deste ano.

A Mostra de Arte Inclusiva tem como objetivo dar visibilidade ao tema por meio de encontro de grupos artísticos integrados por pessoas com deficiência. A realização tem apoio da Assessoria de Inclusão, do Núcleo de Formação Cidadã, do Espaço Metô e do diretório acadêmico Garra Metodista, da Escola de Gestão e Direito. Também se apresentaram na 8ª edição a Cia. Olhos de Dentro, que há 15 anos inclui pessoas deficientes por meio da arte, e Yohan, deficiente auditivo de 4 anos que interpretou a música “Sonho de  Menino”, de Paulinho Pedra Azul.

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Grazyely, Lothar e Emilio são exemplos de superação
  

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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