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Exposição "Mundo em Movimento: imigração búlgara no Brasil" conta história desconhecida

População búlgara bessarabiana chegou ao Brasil por volta de 1926 para trabalhar em fazendas

13/12/2018 18h45 - última modificação 14/12/2018 11h30

Conhecer nossa história é fundamental para não repetir erros no futuro, mas ainda sabemos pouco sobre o passado brasileiro e muitos momentos estão perdidos, longe dos livros escolares e do conhecimento público. Esse é o caso, por exemplo, da imigração búlgara bessarabiana que ocorreu no período entre guerras, a partir de 1926. Os búlgaros bessarabianos são originários do sul da Rússia, região conhecida como Bessarábia, e vieram ao Brasil em busca de melhores condições de vida após a invasão romena.

Algumas pessoas lutam para preservar essas memórias, como Jorge Cocicov, advogado e autor dos livros “Imigração no Brasil Búlgaros e Gagauzos Bessarabianos” (2005), “Imigração Búlgaros e Gagauzos Bessarabianos - Brasil Uruguai” (2007) e “Imigrantes Bessarabianos: búlgaros e gagauzos” (2015). Cocicov esteve na Universidade Metodista de São Paulo na quarta-feira 12 de dezembro para conferir de perto a exposição "Mundo em Movimento: Imigração Búlgara no Brasil”, promovida pelo Núcleo de Arte e Cultura na Biblioteca Central.

“Essa imigração é desconhecida e passou a ter mais divulgação por meio dos meus livros, que se constituíram como um registro de memória das famílias. Daí vem a importância de ações como essa exposição, para despertar o conhecimento que é pouco divulgado”, disse o autor.

Filho de imigrantes bessarabianos, o advogado viu necessidade de preservar essa história por meio de livros. Suas obras são compostas de entrevistas com aproximadamente 300 famílias de imigrantes, fotos e documentos. De acordo com Cocicov, não se sabe ao certo o número de pessoas que imigraram para o Brasil na época, mas estima-se que sejam de 10 a 20 mil famílias. “Não sabemos se foram famílias ou pessoas, pois os passaportes eram familiares na época”, explica.

Cocicov conta ainda a respeito das dificuldades que muitos imigrantes encontraram. Por se recusarem a trabalhar nas colheitas de café, cerca de 2 mil foram enviados para a Ilha Anchieta, em Ubatuba, onde existia um presídio. “Lá morreram mais de cem pessoas, pois não tinham assistência e não sabiam falar o idioma”, relata.

O professor Mário Dimov Mastrotti, da Escola de Comunicação, Educação e Humanidades da Metodista, foi o curador da exposição. O docente conta que a família Dimov veio da Bessarábia em 1926 e, como muitos imigrantes, trabalhou em fazendas de café na região de Americana, interior de São Paulo. Depois disso, mudaram-se para São Caetano do Sul, no ABC, onde comercializavam bananas. “Na época não havia CEASA, eles tinham que descer a Estrada Velha de Santos e comprar diretamente do produtor, em Itanhaém”, diz.

Sobre a exposição, o professor explica que foi feito um recorte básico da história dos imigrantes com algumas curiosidades sobre essa comunidade tão pouco representada. “Somos um país de imigrantes, um país de braços abertos. Somos todas as identidades e, ao mesmo tempo, nenhuma. Gosto dessa diversidade que caminha para a unidade, porque ela é criativa, nos leva a discussões”, complementa.

A exposição conta com fotos, documentos e informações da Associação Cultural do Povo Búlgaro do Brasil. Além de marcar presença, o autor Jorge Cocicov doou edições de seus livros para a Biblioteca Central da Metodista e o material ficará disponível para consulta dos alunos. “Entender essa história tem valor incomensurável, pois o futuro depende do passado”, finaliza Cocicov.

Confira mais fotos:

Mundo em Movimento: imigração búlgara no Brasil

Confira a entrevista em vídeo com Jorge Cocicov:

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