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Campo da comunicação perde Umberto Eco, um gênio polivalente

22/02/2016 20h50 - última modificação 22/02/2016 20h52

Divulgação

Arthur Marchetto

Umberto Eco, escritor italiano, morreu aos 84 anos na última sexta-feira (19), em Milão, na Itália. A notícia de sua morte foi dada pela família ao jornal “La Repubbllica” e, apesar da causa da morte não ter sido divulgada, o pensador era vítima de câncer.

Nascido no norte da Itália, em Alessandria, no dia 5 de janeiro de 1932, Eco era doutor em filosofia pela Universidade de Turim. Na década de 1960 trabalhou como professor associado de estética na mesma Universidade e em Milão. Desde 1954, era editor de cultura nos programas da empresa estatal de TV e rádio italiana.

Umberto Eco era autor de obras de romances, de semiótica, filosofia e estética medieval. Algumas de suas principais obras são “O Pêndulo de Foucault” e “O Cemitério de Praga”, porém a obra que o tornou mundialmente conhecido foi o best-seller “O Nome da Rosa”, lançado em 1980. Seu último romance, “Número Zero” foi lançado em 2015 e traz um olhar crítico sobre o jornal impresso que, segundo o autor, está em crise desde a chegada da televisão.

O livro desenvolve a ideia que o autor tinha sobre os jornais impressos serem “máquinas de lama”, que difundem suspeitas de atos cotidianos sobre pessoas poderosas como artifício de manipulação, e de como a Internet e o Impresso podem ser inimigos, caso o segundo continue a veicular as notícias que já foram disseminadas pela plataforma de comunicação instantânea.

Como parte de sua trajetória, o escritor participou do movimento vanguardista italiano criado por Francesco Agnello, chamado “Gruppo 63”. Os resultados do coletivo literário eram ensaios sobre arte contemporânea, cultura popular e mídia, e deram forma ao livro “Apocalípticos e Integrados”, de 1964. Ele também fundou o departamento de comunicação da Universidade de San Marino, em 1988, e lançou a Escola de Estudos Humanísticos, que visava divulgar a cultura internacional, enquanto lecionava filosofia na Universidade de Bolonha, em 2008.

Outro legado de Eco é a fundação da Associação Internacional de Semiótica. Entre seus prêmios de prestígio está o da Legião de Honra da França e os títulos de doutor honoris causa em cerca de vinte universidades, entre elas XXX.

O último livro que o pensador escreveu teve seu lançamento adiado para essa sexta-feira, dia 26 de fevereiro. Com o título “Pape Satan Aleppe”, a publicação traz crônicas já publicadas desde 2000 no semanário italiano “L’Espresso”.  O livro não tem previsão de lançamento no Brasil.

Recentemente, a professora dra. Lucia Santaella, da Pontífice Universidade Católica de São Paulo, escreveu um ensaio para o Portal dos Brasilianismos Comunicacionais onde comenta sobre a importância e a relevância de sua produção para os estudos semióticos. “Umberto Eco: um gênio polivalente” está disponível no link:http://portal.metodista.br/brasilianismos-comunicacionais/brasilianistas/umberto-eco

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