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Investidores formam cartel na Indústria Cultural

Empresas investem em grandes grupos culturais e se esquecem de espetáculos de bem público

12/09/2011 17h23 - última modificação 08/08/2014 13h25

 

Airyn Vishnevsky, Luis Fernando Ossani

Grandes empresas visam patrocinar grandes grupos ligados à cultura, que não precisam de incentivos, para ter a boa reputação provinda dos eventos culturais. A Lei Rouanet, em partes, permite a formação de clousters, grupos pré-definidos e restritos para quem fomenta e para quem recebe os incentivos.   

A imagem da organização muitas vezes vem antes e é dispare de sua identidade. Com o intuito de publicidade, algumas organizações se associam a espetáculos que não precisariam de investimento.

Através da Lei Rouanet, a empresa reverte cinco por cento de seus impostos para a produção de algo relacionado à cultura. Entre os principais captadores dos recursos oferecidos pela lei estão o Itau Cultural e a Time For Fun, organizações que visivelmente não carecem de patrocínio.

Esta lei é muito favorável para as empresas, é uma propaganda que não sai na folha de pagamento. A imagem fica agregada a grandes espetáculos e à indústria da cultura. O que vale ressaltar é que os grandes necessitados e interessados em uma pesquisa cultural não são beneficiados por essa lei.

A cultura é pouco considerada em nosso país. Segundo encenador, professor e diretor Danilo Monteiro, as demandas da área são muito grandes. “O orçamento do Ministério da Cultura é 0,06% do orçamento da União. A UNESCO recomenda aos Estados investirem ao menos 2% de seu orçamento para a área.” O Brasil está distante de chegar ao mínimo.

Para fazer a diferença nesse cenário desprovido de incentivo na arte, as empresas deveriam buscar patrocinar um “bom espetáculo, socialmente ou artisticamente necessário”. Não somente vincular a marca da empresa aos grandes espetáculos já expostos na mídia.

A maioria dos empresários não tem a expertise para discernir os espetáculos interessantes para o crescimento artístico e sócio-cultural do país. Uma solução seria direcionar o incentivo para um fundo público de cultura em que a sociedade, através de seus representantes, de júris eleitos, decide o destino dos recursos.

“Precisamos de uma política de investimentos previstos em lei, e não implementados por editais esporádicos, como é grande parte do investimento público em cultura hoje em dia”, finaliza Monteiro.

 

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