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Metodista investiga como empresa endividada manipula balanço para mudar a percepção do mercado

Relação entre gerenciamento de resultados e endividamento é tema de pesquisa no Programa de Mestrado em Administração da universidade

10/06/2016 19h28

Demonstrativos financeiros devem representar a situação financeira e econômica de uma empresa da forma mais realística possível, certo? Nem sempre.

Há brechas legais que autorizam manejar números e fatos para a empresa parecer “mais bonita” para o mercado, seja porque quer se apresentar menos arriscada ante os credores ou mais atraente para investidores. O inverso também é verdadeiro: empresas que buscam mostrar-se ligeiramente pior do que a realidade - por exemplo, concessionárias do governo, como forma de pleitear mais tarifas dos serviços que prestam ao público.

“Considerando a natureza não obrigatória por lei de transparência e de divulgação de certas informações contábeis e a possibilidade de adotar diferentes princípios de contabilidade geralmente aceitos, como a gestão de gastos através da sua antecipação ou postergação, é possível que os resultados apresentados possam ser manipulados de forma legal, mas que atendem aos interesses imediatos dos gestores ou acionistas”, explica Anderson Luis Saber Campos, professor no programa de pós-graduação em Administração da Universidade Metodista de São Paulo, que teve aprovada pesquisa sobre o tema com financiamento da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

“Gerenciamento de Resultados e Endividamento”, tema da pesquisa, aborda como as empresas se utilizam de ferramentas dentro de uma área cinzenta de interpretação subjetiva de sua situação financeira, permitida por algumas práticas de contabilidade. O objetivo chave é: alterar a percepção de alguém, sobretudo usuários externos de balanços financeiros como investidores, governo, credores e outros stakeholders que querem conhecer a organização.

“Temos que separar o legal do que é ilegal: ilegal é fraude. Nós vamos estudar, dentro do que a lei permite, como as empresas agem nessas áreas, digamos, cinzentas. A prática de gerenciamento de resultados todo mundo faz em algum nível de subjetividade. Minha expectativa é que empresas mais endividadas pratiquem mais GR, ou seja, querem aparecer mais bonitas para o mercado ou não querem que os credores, por força de contrato e quebra de cláusula, cobrem de volta seu dinheiro ou queiram antecipação”, explica o professor.

Ele cita como exemplo de manipulação legal um fator imponderável como a inadimplência em conjuntura de recessão. É lançada no balanço como uma estimativa. Ou então uma ação judicial que a empresa esteja sofrendo: como prever se vai perder ou ganhar? “O que é passado, fato ocorrido, é simples e declarado, mas as demonstrações financeiras trazem também algumas previsões colocando a empresa no contexto futuro da economia”, explica professor Anderson.

Governança corporativa

A literatura oferece diversas razões para a prática do GR. A pesquisa da Universidade Metodista vai se debruçar sobre casos mais específicos de empresas endividadas para associá-los com estudo bibliométrico concluído por um aluno de Ciências Contábeis sobre gerenciamento de resultados nos últimos 10 anos no Brasil e mais um mestrando atualmente pesquisando governança corporativa.

Nos mecanismos de governança corporativa, a ideia base é justamente que a empresa seja transparente, não explore minoritários, proteja os investidores. Quando uma empresa pratica governança, atrai mais interessados em investir. “Por isso, vamos investigar gerenciamento de resultados nas duas pontas: nas empresas endividadas e nas que praticam transparência com governança corporativa. Quanto maior for essa governança, mais fortes e estruturados estão os mecanismos de controle dessas empresas e menor deveria ser a prática de gerenciamento de resultados. E a situação inversa, na ponta das empresas endividadas, é verdadeira, ou seja, elas praticam mais gerenciamento de resultados para manipular alguma informação”, acredita o professor, que focará os estudos em empresas não-financeiras de capital aberto (S/A) porque são auditadas e obrigadas a publicar demonstrações financeiras. Os bancos estão excluídos porque sua matéria-prima, o dinheiro, demanda outro tipo de análise.

O objetivo da pesquisa está vinculado à evolução e às mudanças nas regras de contabilidade que levam o Brasil a convergir para um padrão internacional. Isso é necessário porque o mundo ficou globalizado e há necessidade de o mercado comparar e analisar os resultados em qualquer parte do planeta.

 

 

 

 

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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