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Estado debilitado prolongará a retração do País, avalia Observatório Econômico

Contas ruins do governo impedem investimentos e exigirão medidas duras, que por sua vez dependem do Congresso

06/09/2016 18h30 - última modificação 06/09/2016 18h51

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Além de enfraquecida pelo longo período de retração, a atividade econômica terá retomada morosa porque no Brasil a dinâmica da economia é bastante dependente da ação direta do Estado, seja via investimento, seja por meio da ampliação do financiamento, do estímulo ao consumo e de concessão de subsídios, entre outros. “A atual condição fiscal do governo reduz significativamente as possibilidades de adoção de uma política ativa no curto e médio prazo”, comenta o economista Sandro Maskio, coordenador do Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo, ao divulgar o 12º EconomiABC, boletim que analisa o ABC paulista frente a conjuntura nacional.

Por onde quer que se olhe, o levantamento sobre o 1º semestre de 2016 é desfavorável em todos os aspectos no País sobretudo pelo impacto da recessão sobre a indústria, da qual o Grande ABC é fortemente dependente, por isso a região desacelera mais do que o restante do Brasil. A participação da indústria no PIB, que no fim da década de 1980 era de 46%, chegou a 22,7% no ano passado, segundo dados da CNI (Confederação Nacional da Indústria), e no ABC está em torno de 25%.

Puxando o fio desse novelo, a taxa média de desemprego registrada em junho passado no Grande ABC foi de 16,9% da PEA (População Economicamente Ativa), para 11,3% no País. A renda média em junho dos trabalhadores formais chegou a R$ 2.587 na região, uma redução de cerca de 2% nos últimos 12 meses até junho. O financiamento imobiliário apresentou a primeira redução após seis anos de crescimento constante no ABC, com vendas 26% menores nos imóveis novos em 2015. E o estoque regional de depósitos em poupança acumulou R$ 14,7 bilhões em abril de 2016, caindo 19,1% na comparação com dezembro de 2014, quando começaram as primeiras evidências da retração econômica.

Cadeia produtiva

“A melhora deste cenário no ABC paulista está atrelada à retomada da atividade produtiva na região, em especial do setor industrial, tendo em vista sua capacidade de agregar valor, bem como de movimentar uma extensa cadeia produtiva direta e indiretamente”, afirma professor Sandro Maskio. O salário médio da indústria regional está em R$ 3.687, para R$ R$ 2.117 dos serviços, R$ 2.089 da construção civil e R$ 1.893 do comércio.

Além da perda do poder de compra com o desemprego, a aceleração da inflação afetou a capacidade de consumo. Levantamento da Companhia de Abastecimento de Santo André (Craisa) indica que a cesta básica no Grande ABC subiu para R$ 576 no mês de junho, 17,7% mais cara que em junho de 2015. O valor da cesta é recorde na região, desde que começou a ser apurado pela Craisa há cinco anos.

O coordenador do Observatório Econômico da Metodista diz que o cenário atual requer adoção de duras medidas necessárias ao ajuste fiscal do governo que, além de debilitado financeiramente, depende de aprovação do Congresso para alteração na legislação tributária, bem como das regras e previsões de gastos. Soma-se a isso a crise orçamentária enfrentada por diversos Estados e municípios.

“Na busca pela solidez dos fundamentos macroeconômicos, o governo deverá adotar uma política restritiva neste e no próximo ano, ao que tudo indica. Reequilibrar as contas públicas, trazer a inflação para o centro da meta (4,5% ao ano) e estancar a expansão da dívida pública estarão entre as principais metas a serem atingidas. A partir do segundo semestre deste ano, parece não haver alternativas a curto prazo que não seja a recomposição da capacidade de investimento do poder público e das condições econômicas que atraiam a confiança e investimentos do setor privado”, cita o economista.

Veja a íntegra do 12º Boletim EconomiABC e assista ao vídeo com professor Sandro Maskio.

Esta matéria foi publicada no Jornal da Metodista.
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