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Religião é usada para transgressão a direitos humanos, cita professor da Fateo

Aula magna de Integralização de Créditos aborda intolerância em algumas igrejas

06/02/2017 19h40 - última modificação 06/02/2017 20h18

Prof. Schutz abordou "Religião e Direitos Humanos" em aula magna (Foto Malu Marcoccia)

Quando se olha a religião apenas pela lente da inspiração divina, o mundo que se vê é um reflexo alterado por esse dogmatismo. A religião deve ser entendida como expressão humana. Como tal, deve buscar a humanização em suas relações.

“O religioso tenta justificar seus atos dizendo-se inspirado pelo Divino. Em nome da religião, assistimos tantos flagrantes de agressão e de solapamento dos direitos humanos”, afirmou professor Jorge Schutz Dias na aula magna de Integralização de Créditos EAD da Faculdade de Teologia, na tarde de 6 de fevereiro.

Ele abordou o tema da “Religião e Direitos Humanos” e exemplificou com comunidades religiosas intolerantes à questão de gênero e sexualidade, que defendem aumento da punição a presidiários e mesmo a pena de morte, enquanto outras desqualificam religiões visando somente ao expansionismo territorial. Até a mutilação genital feminina, que aleija 150 milhões de mulheres no mundo, é feita em nome da religião.

“É difícil tratar de direitos humanos nas comunidades de fé quando dentro da própria religião há ações de violência, seja física, pela dominação por imposição, seja simbólica, ao se destruir imagens que exprimem uma crença”, disse o palestrante, enfatizando que o compromisso básico da igreja deve ser com a preservação da vida. E vida, a seu ver, passa pelo livre arbítrio.

Liberdade, base dos direitos

Professor Schutz buscou na história passagens como da Revolução Francesa, que resultou na Carta Magna do país em 1971, para sublinhar os pilares dos direitos do homem. Aquela Constituição já contemplava a liberdade, a segurança, o direito à propriedade e a resistência à opressão, todos de inspiração religiosa e que mais tarde embasaram também a Declaração dos Direitos Humanos da ONU, em 1948. Mas as igrejas desviaram-se de vários desses princípios ao longo de suas trajetórias.

“Em quantos cultos um pregador enfatiza a passagem em que Javé manda dizimar uma cidade? Esse pregador diz que isso é feito para eliminar pecadores. É difícil engolir essa narrativa. Muitas religiões passaram pela mortandade para seu projeto de hegemonia e de expansão física”, lamentou o palestrante, citando episódios de matança em nome da religião, como as facções radicais islâmicas aramadas. Lembrou, inclusive, que a palavra “facção” tem inspiração religiosa naqueles que em nome de Deus buscavam supremacia, por isso hoje a palavra dá nome a grupos violentos que agem nas cadeias brasileiras.

Professor Jorge Schutz culpa a igreja, e não o governo, pelo estágio da violência vivida no Brasil, entendendo que é papel da religião educar para o direito à liberdade e suas implicações. “Faço um mea culpa. Corpos decapitados e mutilados são símbolos de que em algum momento faltou nas igrejas o discurso da liberdade, cujo limite é que não fira o próximo”, citou.

Também lamentou a polaridade de hoje no campo das opiniões, em que se deve estar de um lado ou do outro, seja na política ou no comportamento. “Liberdade e vida se comungam. A Declaração Francesa já falava que ninguém deve ser incomodado por suas opiniões”, destacou na aula inaugural de 2017, transmitida ao vivo para todos os polos de Educação a Distância Metodista.

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