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Reunião do grupo de pesquisa Mídia, Arte e Cultura discute cartografia e sampling

21/08/2019 18h16

Zanco e Monteiro mostraram como a cartografia crítica influencia na memória de identidade dos habitantes das comunidades ao criar afeto

Igor Neves

A primeira reunião do semestre do grupo de pesquisa Mídia, Arte e Cultura, coordenado pelo professor Herom Vargas, que aconteceu no último dia 14, contou com apresentações sobre a cartografia como ato político, a obra de Arthur Verocai e o sampling e capas de álbuns punks.

As mestrandas Amanda Zanco e Andressa Monteiro apresentaram o artigo “Cidade e Mídia: práticas sociais e culturais na análise da cartografia crítica WikiMapa” submetido ao XIII Encontro de Pesquisadores em Comunicação e Cultura. O trabalho estuda o documentário Todo mapa tem um discurso, sobre o projeto WikiMapas, que é uma iniciativa de moradores de bairros periféricos de grandes cidades que buscam mapear essas comunidades, que muitas vezes acabam fora do mapeamento oficial.

As pesquisadoras abordam a cartografia como ato político, que pode excluir deliberadamente áreas das cidades daquilo que é considerado oficial ou que pode – como no caso do WikiMapas – dar voz aos moradores desses espaços marginalizados. Zanco e Monteiro mostraram como essa cartografia crítica influencia na memória de identidade dos habitantes das comunidades ao criar afeto.

A segunda apresentação foi feita pelo mestrando Deivison Brito. O trabalho versa sobre o sampling nos discos do compositor Arthur Verocai. Entitulado de “Memória na música digital: o sampling na obra de Arthur Verocai”, o trabalho busca entender como o álbum homônimo do compositor – que na época do lançamento teve pouco impacto e baixo número de vendas, sendo até retirado do mercado para dar espaço para outros discos – acabou se tornando um trabalho consagrado nos dias de hoje – com grande número de samples na música contemporânea – e até um item disputado na comunidade de colecionadores.

Brito mostrou os vários artistas e músicas que utilizaram samples das músicas de Verocai, como “Na boca do sol” que foi utilizada na produção das músicas de Soonrof, Gracia, e Ludacris, dedicada a ela que apareceu nas produções de  The Spark, Brenk Sinatra, Your Old Droog. O compositor foi, até 2018, sampleada em 39 outras obras, a maioria delas por artistas internacionais.

A última apresentação ficou por conta do professor Herom Vargas e o doutorando Renan Marchesini de Quadros Souza, que expuseram o artigo “Representações de punk rock brasileiro nas capas de discos” sobre capas de álbum punks brasileiros das décadas de 70 e 80. As capas dos discos da época apresentavam estética “suja”, com pouco acabamento, que continham o estereótipo do personagem punk nas vestimentas, nos cortes de cabelo e no corpo, tinha composições visuais tensas e desequilibradas e utilizavam o preto ou cores contrastantes.

Essas capas refletiam as mensagens que as músicas queriam passar, com um som pesado e sujo, de protesto social, que eram influenciadas pelo momento histórico da ditadura militar brasileira, pela miséria e a deterioração das cidades brasileiras.

 

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