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Professores do PósCom lançam livro sobre terrorismo

Cilene Victor e Roberto Chiachiri falam sobre a responsabilidade na cobertura jornalística sobre o terrorismo

17/08/2018 18h10 - última modificação 17/08/2018 19h11

Nila Maria

Os professores Cilene Victor e Roberto Chiachiri, que fazem parte do programa de pós-graduação da Universidade Metodista, o PósCom, ao lado de Mustafa Göktepe, presidente do Centro Cultural Brasil-Turquia (CCBT) e de Yusuf Elemen, diretor executivo da instituição, publicaram, no último mês de maio, o livro ‘Posições Diante do Terrorismo: Religiões, Intelectuais, Mídia’.

O livro surge a partir dos debates realizados na Conferência Internacional sobre a temática do terrorismo. O evento, realizado no teatro da Universidade Cásper Líbero pelo CCBT em março deste ano, foi organizado por Cilene e Roberto a convite de Göktepe e reuniu intelectuais de diversas áreas, religiosos e acadêmicos. Diante disso, o livro é produzido com a proposta de trabalhar a partir das falas da conferência, com o cuidado de preservar a oralidade ao falar dessas três faces, consideradas prioritárias, da questão.

Os professores destacam a importância da participação conjunta na construção da obra, uma vez que o principal objetivo é abrir a visão sobre esse assunto e ir além do que se vê na mídia brasileira. Segundo eles, existe uma diferença entre o terrorismo e o terrorismo midiaticamente construído. “O interessante foram os vários olhares sobre o terrorismo, o olhar religioso, nas diversas religiões que estavam ali representadas, o olhar intelectual, com participantes estrangeiros e brasileiros também. Então, é muito importante essa troca de experiência, essa troca de olhares sobre o tema”, destaca Chiachiri.

Para os organizadores da publicação, este tripé de intelectuais, religião e mídia é fundamental para a discussão sobre o terrorismo. Como jornalista, Cilene fala das análises da comunidade científica a respeito da abordagem jornalística que a mídia constrói quando veicula notícias voltadas a essa temática. “Nós sabemos que a cobertura de acontecimentos que nós chamamos de situações-limite tendem a formar uma opinião pública dentro das primeiras 24 ou 48 horas, então é fundamental que essa cobertura seja a mais lúcida possível, caso contrário, nós vamos perpetuar uma ideia equivocada de que o Ocidente é a principal vítima do terrorismo”, conta.

Cilene acrescenta que o trabalho do livro é tentar corrigir uma cobertura jornalística historicamente viciada em apenas um olhar. A questão é entender o que esse vício representa para a opinião pública e o medo que ele pode causar a população de que os casos de terrorismo só aumentam no Ocidente. Dessa forma, se evidencia a responsabilidade do jornalista na cobertura dos fatos, e o cuidado que o esse profissional deve ter com as palavras.

Assim, ambos enfatizam que o comunicador tem o papel de não permitir que as intolerâncias étnicas e religiosas se perpetuem no senso comum e na opinião pública, ao reportar o terrorismo em seus veículos, e mesmo de reforçar estereótipos a respeito do islamismo e dos refugiados.

O livro já está à venda nas principais livrarias do país e o lançamento oficial está previsto para o final de agosto, com data a ser divulgada, na Livraria Cultura em São Paulo.

 

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