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Pesquisa na região do Grande ABC tem como foco os hábitos culturais da população

Pesquisa indica quais são as preferências culturais da população

11/05/2018 10h27

Foto: Internet

Vittória Cataldo 

Para falar sobre o consumo da mídia no Grande ABC é necessário entender, primeiramente, o conceito de “cultura”. A cultura pode ser compreendida com um todo complexo que inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos adquiridos pelo ser humano, não só pela família, como também por fazer parte de uma sociedade ao qual está inserido.

O Grande ABC é conhecido por conter uma variedade de movimentos culturais, como ter recebido peças históricas, ricas exposições e ter sediados diversos shows importantes. Devido a isso, e para entender melhor o que acontece nas sete cidades que compõem o Grande ABC, a consultoria JLeiva Cultura & Esporte entrevistou, entre junho e julho de 2017, cerca de 1,595 pessoas, a partir de 12 anos, para entender os hábitos culturais da população da região. A pesquisa teve por objetivo direcionar os gestores à revisão de estratégias de comunicação a fim de atrair e formar novos públicos para os equipamentos e atividades culturais oferecidos pelas prefeituras.

Os resultados que saíram no mês de março deste ano apontam as preferências de cada morador em relação às atividades culturais nos tempos livres, ou seja, quando não estão trabalhando ou estudando. No Grande ABC, 640 mil pessoas escolhem entre ir à praia, praticar exercícios ou mexer no celular no tempo em que estão livres, sendo a maior parte do município de São Caetano do Sul (45%), logo em seguida fica Ribeirão Pires (39%) e depois Diadema com taxa de 20%.

“Quem prefere usar o celular passa a maioria do tempo conectado nas redes sociais, o que possibilita a conversa instantânea. Se eu quero conversar com alguém que está no Canadá, eu posso, é possível”, declara Roberto Joaquim, professor da graduação e Pós-graduação da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Para o professor, na internet, há uma aproximação das pessoas que pensam da mesma maneira. “Nós vamos sempre nos aproximar de pessoas que pensam como a gente, acabamos formando um grupo. Isso é importante.”, diz.

No quesito “atividades preferidas”, a leitura registrou 69% da preferência dos consumidores e “ir ao cinema”, 65%, apontando que apreciar os filmes em cartazes é a atividade de lazer favorita e mais realizada fora de casa pela população. Ainda foram citadas “assistir shows” (44%) e “passear um pouco em bibliotecas” (39%).

Foram detectadas também as principais razões para as pessoas não frequentarem peças de teatro, shows e museus. Segundo a pesquisa, os motivos são “a falta de tempo e interesse” e os “motivos econômicos”. Cerca de 72% dos entrevistados participam apenas de atividades gratuitas, como em Rio Grande da Serra, onde isso ocorre com mais frequência.

Nesse sentido, Roberto Joaquim explica que só é possível gastar com cultura se o dinheiro da pessoa permitir, pois muitas famílias têm apenas dinheiro para as despesas básicas, desse modo, abrem mão de eventos pagos e dão preferência às atividades gratuitas.

Outro aspecto importante é a exclusão cultural. A pesquisa aponta que quanto menor o grau de escolaridade e renda, menos o acesso as pessoas têm às atividades de lazer, como acontece em Diadema. Em contrapartida, a análise mostra que 86% das pessoas consultada têm acesso à internet e usam o celular como atividade preferida de lazer.

As novelas brasileiras possuem grande audiência, e para Roberto isso passou a ser uma atividade de lazer devido ao baixo custo, pois para assistir uma novela não é necessário o pagamento, como em filmes nas salas de cinema. “Quando peças de teatro vão para as escolas da periferia, há uma grande participação”, diz. Porém, como elucida, quando as atividades são pagas nas comunidades periféricas a participação, consequentemente, diminui.

“O problema é que a gente faz produção cultural apenas para um grupo”, declara Roberto. Segundo ele, uma solução seria o barateamento dessas produções para que não apenas a elite participe, mas sim toda a população. “Quando peças de teatro acontecem anualmente em um loca por apenas 2 ou até 5 reais, há uma participação muito grande”, conclui. 

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