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Perfil político do segmento evangélico revela transformações, conforme pesquisa da UMESP

23/06/2017 15h10 - última modificação 23/06/2017 15h10

Foto da Marcha para Jesus. Fonte: Facebook

Matéria original postada no site Mídia, Religião e Política, da Metodista.

Queda no reconhecimento de representatividade de celebridades religiosas e da Bancada Evangélica no Congresso Nacional é o forte destaque do levantamento realizado pelo Grupo de Pesquisa Mídia, Religião e Cultura (MIRE), da Universidade Metodista de São Paulo, com participantes da Marcha para Jesus, realizado na cidade de São Paulo, em 15 de junho passado, feriado de Corpus Christi. Falta de identificação com os principais partidos políticos e reafirmação do apoio a pautas políticas conservadoras também são elementos apontados pela pesquisa. A Marcha é um megaevento de rua, promovido pela igreja do ramo pentecostal Renascer em Cristo, com o apoio de diferentes denominações evangélicas e conselhos de pastores, em cidades de todo o país. Há 24 anos a marcha, inspirada em evento de evangélicos europeus, acontece em São Paulo e reúne o mais expressivo número de participantes (na casa do milhão) de diversas igrejas, incluindo simpatizantes católicos.

Diferentemente de outras pesquisas realizadas na Marcha, o levantamento do Grupo MIRE, coordenado pelo Prof. Leandro Ortunes (integrante do grupo, doutorando da PUC-SP) buscou alcançar a maior diversidade possível de perfis, por isso contou com 19 entrevistadores que aplicaram 424 questionários no horário de pico do evento (das 10 às 14h). Os pesquisadores se distribuíram em três pontos (Estação da Luz, na Praça da Luz e na Av. Tiradentes, nºs 676 a 1285) para buscarem participantes concentrados nos diferentes carros de som (agrupamentos por afinidade de diferentes denominações) e alcançarem a alta circulação de pedestres nas saídas das estações Luz (Metro e CPTM). O questionário, com 21 questões (seis de perfil religioso, socioeconômico e cultural e 15 de perfil político), é basicamente o mesmo aplicado na Marcha para Jesus de 2016 (com pequenas atualizações), cujos resultados podem ser acessados aqui.

A primeira análise do Grupo MIRE revela os seguintes destaques:

  • A maior parte dos presentes na Marcha é população de baixa renda: ganha entre um e dois salários mínimos. 25,94% dos participantes estão desempregados;
  • 42,69% (a maioria dos entrevistados) pertencem a comunidades evangélicas independentes. Este número se mantém próximo do que mostrou o levantamento de 2016: 48%. As Assembleias de Deus (15,57%) e a igreja promotora do evento Renascer em Cristo (12,97%) ficam, respectivamente, em 2º e 3º lugar entre as denominações representadas. 4,72% de católicos se fizeram presentes na marcha;
  • Quanto à identificação partidária, a grande maioria, 80,66% dos entrevistados, não se identifica com partidos atuais – número bem próximo da pesquisa de 2016 (81,6%). Chama a atenção, no entanto, que o Partido dos Trabalhadores (PT) se destaque entre os que indicam preferência por partidos: 12,3%, com crescimento em relação a 2016 (7,6%);
  • Entre os nomes cotados como candidatos à Presidência da República, o ex-presidente Lula (PT) e o prefeito da cidade de São Paulo João Dória (PSDB) se destacam: Lula com 12,50% e Dória com 11,56%. Brancos e Nulos somam o maior número (27,3%) das intenções de voto para presidente;
  • Entre os políticos que os participantes da Marcha para Jesus avaliam como seus representantes, o deputado federal Pastor Marco Feliciano foi o que teve ampla queda de reconhecimento. Em 2017 Feliciano teve 24,7% de indicações (soma das respostas “representa” e “representa muito”) contra 40,8% alcançados em 2016;
  • De igual modo a Bancada Evangélica também teve queda de reconhecimento. Em 2017, 39,39% não conhecem a Bancada e, dos que conhecem, 27,12% acreditam que a articulação dos políticos evangélicos no Congresso Nacional não representa o segmento. Em relação à pesquisa de 2016 há uma queda expressiva, uma vez que naquele ano apenas 13% indicaram não conhecer a Bancada Evangélica e 46% declararam que ela representaria os evangélicos na política institucional.
  • Entre os líderes notáveis o pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo Silas Malafaia permanece com bom índice de representatividade, porém também com queda expressiva. Em 2017, Malafaia teve 36,91% de indicações (soma das respostas “representa” e “representa muito”) enquanto em 2016 o número foi bem mais alto: 58,6%. Isto se reflete no índice de rejeição deste nome: ele aumentou de 13,9%, em 2016 para 25%, em 2017;
  • Pautas conservadoras como a redução da maioridade penal, a não descriminalização do aborto, a rejeição ao casamento homoafetivo, e a negação da legalização da maconha não tiveram grandes mudanças nas opiniões entre 2016 e 2017 e se mantêm como identidade do segmento. Permanecem, no entanto, apoios a pautas progressistas como a rejeição à pena de morte, o apoio ao projeto Bolsa Família e o rechaço à liberação do porte de armas. A novidade na pesquisa foi uma pergunta sobre a Reforma da Previdência, proposta pelo governo do presidente Michel Temer: 56% se manifestaram contrários e 30%, favoráveis; os demais são indiferentes (8%) ou não souberam opinar (6%).

 

Uma matéria sobre a pesquisa foi publicada pela revista Carta Capital On-Line.

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