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O papel da Memória nas relações com as dinâmicas culturais: um encontro com Irene Machado

04/10/2019 18h41

Irene Machado. Foto: Deivison Brito

Deivison Brito

A professora Irene Machado, professora da USP, esteve no 15º Encontro Internacional de Música e Mídia, ocorrido em São Paulo entre os dias 25 a 27 de Setembro de 2019, no Centro de Pesquisa e Formação do SESC-SP. A temática do evento versou sobre temas relacionados à memória em seus diversos desdobramentos. Com mediação da professora Mônica Nunes (ESPM), Irene ocupou a mesa intitulada: “O papel dos códigos culturais da espacialização da memória, com a apresentação oral: Semiótica da Cultura: Escola de Tártu Moscou e o legado de Iúri Lotman. A semioticista brasileira, vinculada à Semiótica da Cultura, analisa como as leis da semiótica da memória conservam as dinâmicas da cultura e revisitam de maneira constante os diversos “textos” e manifestações nela presentes. Adverte para o fato de não pensarmos a memória como um repositório, mas sim como um espaço dinâmico de trocas e fluxos, que visam não apenas rearticulações com o passado, mas transformações futuras. Essas dinâmicas preconizam e ensejam a produção de novos códigos responsáveis por traduzir, atualizar e gerar novos sentidos dentro da cultura. 

“Existe algo importante nessa relação entre música e memória e que de uma certa forma o pensamento do Lotman recupera e formula. São os processos de transformação. Por exemplo, nos estudos Brasileiros, os trabalhos de José Miguel Wisnik sobre os gêneros musicais do começo do século, como o maxixe, precederam ritmos mais consolidados como o Samba, ou quando  trata de alguns contos de Machado de Assis, como “Cantiga de Esponsais”. Nesse conto Machadiano há um músico popular com vontade de criar um réquiem, composição erudita. Mas, o que vem na cabeça dele são apenas polcas e ele não consegue fazer outra coisa. Um dia, o músico estava na janela e escuta um casal novo que morava em frente, a moça começa a cantar “trá-lá-lá-lá-lá”. De repente, ele vê naquela frase a possibilidade que buscava para criar uma composição erudita.

A moça cantarolou e o cantarolar da canção significou uma frase, uma possibilidade musical. Essas pequenas ideias que podem ter uma repercussão maior são também relações semióticas. São rearticulados processos de memória, de associação e de formação de memória, ao meu ver muito importantes” Completa Irene Machado. 

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