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Último dia do Pensacom 2016 promove XI ENSICOM e XX CELACOM

13/12/2016 21h51

Arthur Marchetto

Encerram hoje, terça-feira, 13 de dezembro, as discussões do Pensacom 2016 e permanece até terça-feira, 13 de dezembro. Sob o mote “De volta ao futuro”, o evento promoveu o debate sobre o pensamento comunicacional brasileiro e sobre o ensino da comunicação. Realizado pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (INTERCOM), pelo Serviço Social do Comércio (SESC) e pela Cátedra UNESCO/UMESP de Comunicação para o Desenvolvimento Regional da Universidade Metodista de São Paulo, o evento científico acontece no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo.

O segundo dia comportou, além da apresentação dos últimos quatro Grupos de Trabalho, o XI Simpósio Nacional de Ciências da Comunicação (XI ENSICOM) e o XX Colóquio Internacional da Escola Latino-Americana de Comunicação (XX CELACOM).

XI ENSICOM

O XI ENSICOM foi organizado sob a temática “Ciências da Comunicação para o mundo em mudança radical e veloz transformação: avaliação, tendências e perspectiva das demoscopia, demografia, democracia, tecnologia, culturologia e brasilologia”, sob a coordenação do Prof. Dr. Fernando de Almeida, teve a mediação do Prof. Dr. Luiz Silvério, foi composta pela Profa. Dra. Cícilia Peruzzo e pela Profa. Dra. Anamaria Fadul e teve comentários da Profa. Dra. Elizabeth Gonçalves.

A primeira exposição foi da pesquisa de Anamaria Fadul, sobre como os manuais e enciclopédias retratam o campo comunicacional. “O trabalho é resultado de uma preocupação antiga”, segundo Fadul, mas que atualmente se configura como “um estudo preliminar para entender como é que está o campo da comunicação”. A professora levantou 113 manuais e 30 enciclopédias como material de estudo.

No caso das enciclopédias, tanto as publicadas quanto as a publicar, era preciso que fosse impressa, com todos os autores, editor e editora. Assim, Anamaria separou categorias que eram tratadas pelas enciclopédias: Relações Públicas; Comunicação Política; Religião, Comunicação e Mídia; Comunicação, Consumo e Juventude; Jornalismo; Comuniação Científica; Comunicação para a saúde; Comunicação Política Internacional; Comunicação Interpessoal; Enciclopédia Internacional de Comunicação Organizacional e Enciclopédia Internacional de Comunicação Intercultural. Além disso, Fadul encontrou novas áreas englobadas pelas enciclopédias, como: Nova Mídia; Mídia e Movimentos Sociais; Gênero e Mídia; Violência Midiática; Mídia Social e Política e Comunicação Digital e Sociedade.

Já para os manuais, o corpo foi de 113 publicações e que, durante a pesquisa, Fadul notou que as pesquisas mais importantes dos manuais foram feitas através das editoras. “Elas tiveram um papel importante para consolidar os dados”, disse Anamaria. As áreas que a professora identificou nos manuais foram: Comunicação e Mídia; Comunicação Intercultural; Comunicação Política; Relações Públicas; Retórica; Comunicação Internacional; Comunicação Organizacional; Metodologia; Psicologia da Comunicação; Comunicação da Ciência; Comunicação Grupal; Criança, Adolescente e Mídia; Comunicação Interpessoal; Comunicação para a Saúde; Comunicação Familiar; Comunicação Educacional; Gênero Comunicação e Mídia; Economia da Comunicação e da Mídia; Esporte, Comunicação e Mídia; Nova Mídia; Comunicação Não Verbal; Publicidade Internacional; Política da Internet; Jornalismo; Ética da Comunicação; Vídeo Participativo; Estudos de Filme; Comunicação sobre os Riscos Ambientais, Segurança e Saúde; Comunicação Visual; Midiatização da Comunicação; Comunicação para o Desenvolvimento e Mudança Social; Estudos de Televisão; Comunicação e Tecnologia; Meio Ambiente e Comunicação e Comunicação Verbal.

Anamaria Fadul ressaltou que os campos de Comunicação Política e Relações Públicas são extremamente importantes e tradicionais nos estudos e que, em sua pesquisa, utilizou “apenas obras de referência que dão conta do campo comunicacional e não da sala de aula, da questão do ensino”. Desse levantamento preliminar, as primeiras conclusões que Fadul chegou foram a importância que essas obras têm na área acadêmica de comunicação, além de notar uma crescente complexidade no campo com a globalização, com o surgimento das novas mídias. Há, também, um aumento da publicação de enciclopédias e manuais nas primeiras décadas do século XXI em relação ao século passado. “As obras são importantes para a pesquisa, são obras que podem organizar o campo “, disse Fadul, “são obras de referência no século XX e no século XXI e, com um momento de reflexão, é possível organizar o campo”.

Cícilia Peruzzo foi a expositora seguinte e comentou sobre tendências da democracia comunicacional na era tecnológica. Peruzzo dividiu a apresentação em três tópicos: Uma nota introdutória sobre o campo da comunicação; Apresentação do paradoxo que vive o campo e a sociedade da liberdade de informar e participar de um lado e o controle do cidadão e da cidadã do outro; por último, tratou do negócio da comunicação na internet e busca pelo comum.

“A velocidade das mudanças ajuda a tornar mais visível a complexidade do campo da comunicação”, disse Cicília, “a complexidade como um recorte da realidade, uma totalidade organizada em que os elementos são inseparáveis e não podem ser estudados isoladamente”, comentou. O campo da comunicação, como sistema complexo, interdisciplinar e movediço, comporta diversas facetas da comunicação, como a comunicação social e a organizacional, é atravessado por diversos fenômenos, sejam eles sociais, econômicos ou culturais, e está sempre em transformação, cada vez mais acelerada. Além disso, há uma mobilidade dos seus objetos de estudo devido às atualizações tecnologias e às acomodações processadas pelos elementos que configuram o campo, como o nível econômico e o nível político.

Assim, Peruzzo introduziu o primeiro paradoxo: entre a liberdade de informar e o controle do cidadão. “A tecnologia nunca esteve tão presente em nossas vidas e as possibilidades de participação foram sendo amplificadas na internet, que se mostrou como uma ágora participativa”, comentou a professora, “mas houve também espaço para as manifestações conservadoras, racistas, falsas, até de jornalismo inventado”, disse Peruzzo. O paradoxo enfatizado é sintetizado, então, entre “a liberdade de manifestação, que é real”, e “o real controle do próprio controle do cidadão”.

Dentro desse cenário, Cicília apresenta o segundo paradoxo. “A internet, num primeiro momento, foi mesmo uma arena do comum, mas porque não se sabia como anunciar através dela e, aos poucos, os mecanismos tecnológicos foram sendo desenvolvidos até o momento atual quando a apropriação dos espaços da internet se tornou lucrativa”, afirmou Cícilia. Essas transformações, no entanto, não apagaram a busca pelo comum. “Há espaço para essa busca, pois é possível formar redes dentro das mídias sociais, pensadas como plataformas”, disse a professora, “elas são capazes de gerar relacionamentos, ações coletivizadas. Nesse espaço se desenvolve muito o midiativismo, como visto nos coletivos, nas redes de cobertura ao vivo por celulares e nas redes de WhatsApp”.  

Por fim, ao concluir sobre o campo da comunicação, Peruzzo afirma que o campo precisa dar contas das outras formas de comunicação, não só dos meios de comunicação tradicionais. “O campo só conseguirá se legitimar quando der conta dessas multiplicidades”, concluiu Cícília.

GTs

De tarde, houve a apresentação dos últimos quatro Grupos de Trabalho (GTs). O quinto tratou de Comunicação e Político e foi coordenado pela professora Alessandra Castilho, o sexto divido em dois subgrupos, o primeiro coordenado pelo Sebastião Squirra e o segundo coordenado por Antonio de Andrade e tratou de Comunicação Digital e Tecnologias. O terceiro e o quarto tratam da Comunicação e Mercado e da Comunicação Popular e Alternativa e foram coordenados pela Daniel Galindo e pelo Ariane Carla, respectivamente. Ao longo dos dois dias, foram apresentados 8 GTs, com 100 inscritos selecionados e cerca de 70 trabalhos apresentados, ao longo dos dois dias.

XX CELACOM

Próximo do encerramento, o evento sediou o XX CELACOM. Ao redor do mote “Resgate do nacionalismo e do localismo. Ciências da Comunicação: Da denúncia como tática de resistência à utopia possível como estratégia de mudança” e do balanço de 25 anos dos congressos bienais da ALAIC, 1992-2017 (de Embu-Guaçu à Cidade do México), o evento foi coordenado e mediado pelo Prof. Dr. José Salvador. A mesa foi composta pelo Prof. Dr. Fernando Paulino, pelo Prof. Dr. Ismar de Oliveira Soares e pela Profa. Dra. Margarida Kunsch e teve comentários da Profa. Dra. Fátima Feliciano.

A primeira exposição, de Fernando Paulino, foi feita virtualmente. Apresentou algumas considerações sobre a trajetória da ALAIC. “Claro que não vou conseguir todas as ideias”, comentou Paulino, “mas é possível caracterizar alguns tópicos”. O primeiro ponto levantado foi o de multiplicidade de perspectivas ao pesquisar comunicação na América Latina. Comentou que há, também, um crescente diálogo nas pesquisas de comunicação latino-americanas. “Tem havido mais livros, eventos, publicações de revistas, seminários e congressos”, disse Fernando, e relacionou os dados também com a expansão dos programas de pós-graduação e das atividades dos pesquisadores no campo.

Por fim, falou de alguns desafios e perspectivas na pesquisa em comunicação, como contribuir para a superação do exotismo presente nos últimos 40 anos e enalteceu as pesquisas em tecnologias da comunicação para superar os desafios que enunciou.

A expositora seguinte foi Margarida Kunsch, que organizou sua fala em torno das principais contribuições da ALAIC e dividiu sua fala em cinco frentes: As principais fases da história; sua configuração como entidade; organização de resistência e de criticidade no pensamento latino-americano; suas frentes de atuação e a utopia possível como estratégia de mudança.

Sua história é pontuada por três pontos. O primeiro é em 1978, com a criação da ALAIC, que surge para aglutinar e legitimar os investigadores latino-americano, incluindo a América Latina na comunidade mundial das ciências da comunicação. Além disso, teve um papel importante na fundação de bibliografias e na resistência durante as ditaduras militares vividas pela maioria dos países latino-americanos, desenvolvendo produtos críticos. Seu segundo momento foi, depois da perda de representatividade, a sua reconstituição, em 1989. Nesse período, projetou seu nome na comunidade internacional e realizou o primeiro congresso latino-americano das Ciências da Comunicação em 1992. Foi nesse contexto que trouxe a entrou no seu último momento levantado, quando consegue se comportar como entidade científica representativa a partir de suas frentes de atuação, que são: Congressos bianuais, Grupos temáticos (GTs ALAIC), Seminários internacionais, Publicações, Portal-Site, Periódico Científico e Boletim online.

“Logicamente, se pensar em América Latina, nas dificuldades, nas condições institucionais dos nossos colegas, dos países pobres, ainda é complicada. Ainda estão buscando formas de sobrevivência”, comentou Kunsch, “ os pesquisadores criam projetos para tentar captar recursos. O que se ganha é muito pouco para poder se manter”, falou. Além disso, pontuou a questão do medo devido à falta da liberdade de expressão em alguns países. Nesse contexto de difícil atuação, Margarete ressaltou a importância de se apegar à utopia de luta. “A utopia não pode ser renunciada”, concluiu.

Por último, o Ismar Soares apresentou sob o título “Educomunicação: como Práxis Social”. “A educomunicação é uma construção latino-americana”, comentou Ismar, “já que se criou a partir das lutas que ocorreram no cenário”. Soares comentou sobre uma pesquisa realizadapara saber o que pensavam os educadores e os comunicadores da educação. O resultado do trabalho, fruto de 176 entrevistas em 12 países, foi a identificação de grupos, em todos os países, que não se conheciam, mas tinham alguns pressupostos comuns e metodologias semelhantes e que esses grupos não se identificavam com grupos da comunicação ou da educação. Se encontravam no meio desses dois campos.

“Ousamos pensar que estávamos em frente à um espaço emergente de atuação”, disse Ismair, "e notamos que, tanto educadores quanto comunicadores, tinham resistência a esse espaço. Nosso posicionamento representava uma posição utópica". Comentou sobre o crescimento de projetos de educomunicação, pedido por prefeituras para diminuir a violência em escolas ou aplicadas em comunidades indígenas, a presença do campo em emissoras de televisão, em pesquisas de pós-gradução e na criação de um bacharelado. "Quando uma área do conhecimento é reconhecida pela universidade, ela reconhece que existe um espaço de prática social que comporta esse cidadão. Não é só a existência de uma prática específica, de uma assessoria, mas de que existe um mercado pronto para receber esse profissional", disse o pesquisador, "o campo de atuação de educomunicação não é a mídia, são os processos de comunicação em permanente avaliação", concluiu.

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