Ir para o conteúdo.

.
Você está aqui: Página Inicial / JBCC / Notícias JBCC / Profissionais da Comunicação: mercado e academia

Profissionais da Comunicação: mercado e academia

19/11/2015 18h08

Luís Humberto Marcus

Arthur Marchetto e Victória Roman

O IV Seminário sobre o Ensino de Graduação em Comunicação Social (ENSICOM) aconteceu na última quarta, dia 19, sob a temática “Desafios do ensino na comunicação frente a formação para o emprego e a cidadania”. O Painel I teve início às 9h e seus palestrantes falaram sob a temática “Formação dos profissionais de comunicação: Mercado e Academia”.

 A mesa foi coordenada pelos professores Marcelo Briseno de Melo (UMESP), João Carlos Picolin (Clareatianos) e Robson Bastos (Unitau/ Unisanta). “A ideia do evento é consolidar um espaço para os docentes debaterem”, comentou o prof. Bastos, “e também ouvir o que o mercado espera da formação do profissional do campo de comunicação e depois pensar em articular as expectativas do mercado e da academia”, completou o prof. Picolin.

A mesa também foi composta pela professora Margarida Kunsch (ECA/ USP e SOCICOM), Ênio Vergeiro (APP), Luís Alberto de Farias (Abracorp), Valci Regina Zuculoto (FENAJ e do Sindicato de SC – UFSC) e José Marques de Melo, que não pode estar presente mas teve suas considerações sobre o tema lidas na apresentação.

 “A comunicação exerce um poder incontestável no dia-a-dia das pessoas e pode ser considerada como uma das áreas mais dinamizadas”, iniciou Margarida, “a comunicação não pode ser vista meramente como instrumento, mas como um processo social básico e como um fenômeno de extrema relevância nessa nova era digital”. Além disso, falou sobre o papel da comunicação no mundo e de um novo mundo em que as relações de trabalho mudaram completamente, das novas diretrizes que dão nova identidade para a área de comunicação e que “é de extrema importante a relação entre a academia e o mercado, a experiência que ele traz nos leva a novas reflexões, que podem levar a novas teorias”, comentou Kunsch.

Como representante do meio profissional e principalmente do sindicato dos jornalistas, Valci defendeu a volta da obrigatoriedade do currículo, que desvalorizou “a função da universidade e reduziu o jornalismo à uma reprodução técnica”. Para encerrar, a professora comemorou a aprovação das novas Diretrizes Curriculares, que “melhora a qualidade do ensino e dá base à questão da obrigatoriedade”, afirmou.

 As mudanças do cenário mercadológico, como estagiarização dos funcionários e o crescimento das Pessoas Jurídicas (PJs), foram abordados pelo prof. Luis. “É claro que a crise gera uma situação propícia para nos reinventarmos, mas não podemos deixar de lado as coisas que perderemos no processo, como a relação com as fontes”, comentou destacando também como a interdisciplinaridade e a interconectividade “têm sido favorável para a RP, tanto como para as outras áreas comunicacionais”, declarou.

José Marques de Melo, que teve suas considerações lidas, comentou que “a rapidez da tecnologia produz tensões com a burocracia acadêmica” e mesmo com a tentativa de unificar as áreas de comunicação, “teve-se dificuldade em acompanhar o ritmo”. O Jornalismo, por exemplo, “deixou de atender as demandas sociais e não acompanhou a modernidade”, concluiu o professor.

 A fala de encerramento do prof. João Picolin levantou as temáticas que tangenciaram todas as falas, como a flexibilidade da formação acadêmica em relação ao mercado de um profissional de visão globalizada e sem perder visão humana. Uma atualização profissional, tanto do professor como o aluno e um projeto pedagógico que seja praticável, implicando numa organização mais adequada nas instituições de ensino e “não só nas novas diretrizes, mas também na infraestrutura”, concluiu o professor.

Satélites e museologia

As Oficinas Pensacom 2015 aconteceram ontem na parte da manhã durante o último dia do evento. As duas oficinas abordaram as temáticas “Cristianismo em tempo de parabólicas”, com o grupo da rede via satélite SAT-7, e “Museologia Comunicacional” com o Diretor do Museu Nacional da Imprensa, Luís Humberto Marcos.

A primeira oficina foi aberta com a fala de um dos idealizadores da rede SAT-7 de televisão via satélite, Lars-göran Gustafsson. A rede que possui cinco canais tem como objetivo levar a educação, evangelizar e incentivar as comunidades do Oriente Médio assim como tentar desmontar ideias sobre a fé cristã.

“Eles não entendem, então eu acrescento, o cristianismo nasceu no Oriente Médio, não é uma religião do Ocidente, a primeira igreja nasceu ali, nós exportamos o cristianismo para os outros países”, citou Rita El Mounayer, coordenadora da programação dos canais. Um dos canais do o SAT-7 é direcionado para a educação a fim de chegar a todas as crianças vítimas da guerra que não puderam continuar os estudos, “Programas que possam levar educação, mas também uma segunda chance a esse povo que precisa disso”, afirmou.

Ao descrever a experiência de visitar um campo de refugiados no Líbano, citou a importância dessa comunicação para aquelas populações, “Você vê uma tenda no chão onde eles dormem, comem, brincam. A vida deles é nesse 1/4, o satélite os conecta com o seu país de origem, com o que está acontecendo, essa é importância da TV e do satélite”. Para Rita, o canal SAT-7 KIDS é seu o favorito por ser, segundo ela, uma oportunidade em investir naqueles de uma maneira que outros não têm investido, ela acredita que essas gerações irão mudar a cara do Oriente Médio.

“São pessoas com dificuldades, sem esperança que precisam de alguém que se importe com elas. Vivi situações sem segurança, esperança, não queria roupas, comida ou morar em um lugar melhor, queria alguém que me dissesse que não estava sozinha, que estava ao meu lado. Nós somos esse canal que diz às pessoas que elas não estão sozinhas”, finalizou.

A segunda oficina foi ministrada pelo Diretor do Museu Nacional de Imprensa de Portugal e professor do Instituto Superior da Maia, Luís Humberto Marcos, com a temática “Museologia Comunicacional”. Em sua fala o professor destacou que “conservar a imprensa é registrar a história, o cotidiano e isso significa preservar a nós mesmos”, afirmou. No entanto, “há dificuldades de se criar uma museologia da comunicação, de tornar o conteúdo cultural contextualizado para o conhecimento”, finalizou.

Mais de 70 trabalhos nos GTs do Pensacom

Na tarde do último dia do Pensacom Brasil 2015 aconteceu a reunião dos 10 Grupos do Trabalho do evento, que são: História da Comunicação, Folkcomunicação, Comunicação e Saúde, Comunicação Eclesial, Comunicação e Economia, Comunicação Política, Pensamento Comunicacional Latino Americano, Pensacom, Intercom.Humor e Comunicação Digital e Tecnologias.

Os GTs foram compostos por pouco mais de 70 trabalhos oriundos de diversos estados do Brasil.

Comunicar erros