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Pesquisas comparam resultados 50 anos após estudo de Marques de Melo

17/03/2016 19h30

Alice Kienen Gramkow, Ana Paula Dahlke, Brenda Pereira e Luisa Von Padilla

O Colóquio Nacional de Midiologia Comparada aconteceu hoje, 17, via Skype, com o intuito de divulgar os resultados da comparação do panorama jornalístico atual com a pesquisa feita pelo professor José Marques de Melo 50 anos atrás. As pesquisadoras participantes expuseram suas análises, levando em consideração o cenário político e econômico no dia da observação – em 2015, a discussão sobre o impeachment da presidente Dilma estava começando, enquanto em 2016, o ex-presidente Lula assume o ministério da Casa Civil.

 Santa Catarina

As pesquisadoras de Santa Catarina Roseméri Laurindo e Clarissa Josgrilberg apontam que os jornalistas devem adequar os métodos utilizados há 50 anos para o crítico cenário atual em que o Brasil está inserido. "Temos muito a contribuir para a análise dos demais pesquisadores, e pelo que vimos, como levantar dados sendo que os métodos do passado quase não se aplicam, tendo em vista que possuímos o jornalismo digital?", questiona Laurindo. Além do ajuste de métodos utilizados na pesquisa, Laurindo questiona o papel do jornalista no campo da comunicação em compreender o cenário atual e aponta para a contribuição que a pesquisa pode ofertar a outros campos de estudo como Sociologia e História.

 A pesquisadora Clarissa descreveu a análise feita em 17 de março de 2015, no Jornal a Hora de Santa Catarina, quando ocorreu um grave acidente envolvendo um ônibus que deixou muitos mortos e feridos, e a partir da análise concluiu que a tragédia prevaleceu acima de qualquer assunto político-econômico que também movimentava o país. Afirma ainda que o caso do ex-presidente Lula que assume como Ministro da Casa Civil em 2016, contamina o resultado da pesquisa deste ano para comparar com os 50 anos antecedentes. Clarissa propõe que seja feita a junção das análises e que a pesquisa seja concluída abrangendo a nacionalidade dos estudos "Analisar o que muda de 50 anos atrás com a atualidade e fazer comparações regionais e nacionais", pontua.

 Minas Gerais

A professora da Universidade Federal de Ouro Preto, Nair Prata, e sua orientanda, Kamilla Avelar, que participou da Rússia, expuseram no colóquio os resultados da pesquisa, que contou com a ajuda de mais cinco acadêmicos da instituição.

José Marques de Melo as confiou o Jornal Super Notícia, que possui grande alcance popular em Belo Horizonte e tem a maior tiragem do Brasil. Apesar de ter sido fundado recentemente, sua tiragem média é de 314 mil exemplares diários. Seu preço acessível (R$0,25 em Minas Gerais e R$0,50 no restante do país) deve-se ao seu foco nas camadas C e D da população. Segundo Kamilla, é bastante comum encontrar usuários de transporte público com o jornal, por ser imagético, fácil e agradável de ler.

Os maiores cadernos são o de cidade – repleto de tragédia, linguagem exagerada e espetacularização da violência – e o de variedades – que ocupa cinco páginas do jornal analisado, com um uso exagerado do erótico, falando sobre novelas, reality shows, cinema, receitas, shows e exposições, além de reproduzir palavras cruzadas, piadas, horóscopo e numerologia. Não é do perfil do jornal discutir política, não possuindo uma editoria específica para este assunto.

 A professora apontou o estudo de Letícia Milene de Castro, que explica que os leitores do Super não apresentam interesse por política por três motivos: consideram cansativo ou chato; têm pouco tempo para leitura e não acham a temática relevante; ou perderam a confiança nos políticos e acham as matérias repetitivas e pouco efetivas.

O jornal também é bastante centrado nos esportes, principalmente no futebol. As notícias sobre os principais times do estado são bastante completas e os títulos são sempre positivos, ao contrário das editorias de geral e cidades. 

 Pará

A professora Netilia Seixas, do Pará, iniciou sua transmissão agradecendo ao professor José Marques de Melo por esta oportunidade, que possibilitou a ela conhecer uma metodologia com a qual ela não tinha contato. O jornal que ele a indicou é o Diário do Pará, único jornal do estado auditado pelo Instituto Verificador de Comunicação (IVC). Ela optou, ainda, por analisar também os jornais O Liberal e Amazônia, ambos do mesmo grupo.

O Diário do Pará foi fundado em 1982 com a finalidade de alavancar a candidatura de Jader Barbalho ao governo do estado do Pará, pelo PMDB. Mais tarde se firmou no mercado como um jornal noticioso, e no que tange à cobertura das manifestações ele foi pouco presente.

 Já o Jornal Liberal é mais antigo, tendo sido fundado em 1946, como jornal do Partido Socialista Democrático (PSD), do senador Magalhães Barata, fazendo frente aos ataques do jornal opositor Folha do Norte (1896-1974). Em 1966 ele foi comprado pelo empresário Romulo Maiorana, que optou por modernizar o jornal e adotar um viés noticioso.

 Mais tarde, constituiu as Organizações Romulo Maiorana, que mantém atualmente emissoras de televisão (afiliadas da Rede Globo) e de rádio AM e FM, TV a cabo, Amazônia Jornal, portal ORM News com emissoras online. Possui também um jornal online, disponível apenas para assinantes.

Ele não é auditado pelo IVC desde 2006 e, mesmo não sendo um jornal partidário, apoia o PSDB, que está no governo do Estado e na Prefeitura de Belém. Seu enfoque é no público A, B e C.

Por sua vez, o jornal Amazônia foi criado no ano de 2000 para ser vendido a preço baixo em bancas, voltado ao público C, D e E. A empresa que controla ambos os jornais é a Delta Publicidade Ltda.

Crise na Imprensa Brasileira é discutida em Colóquio Nacional

Hoje, em um momento de crise para o Brasil, pesquisadores de diversas regiões do país se reuniram em vídeo conferência para discutir a imprensa brasileira. Meio século depois da pesquisa de José Marques de Melo, o assunto voltou a ser discutido, sendo tema do Colóquio Nacional "Um Dia de Crise na Imprensa Brasileira”.

José Marques de Melo realizou em 1966 uma análise de cobertura, composição e gêneros jornalísticos em três periódicos brasileiros do dia 17 de março: o Jornal do Brasil (RJ), o Jornal do Commercio (RE) e o Correio da Paraíba (PB). A escolha da data deu-se pela situação do Brasil naquela época: o país via Castello Branco instaurar o Ato Institucional – 3 e tornar indiretas as eleições de governadores e prefeitos, além da indicação do general Artur da Costa e Silva para presidência da República.

Em 2015, grupos de diversas regiões do país analisaram sob a coordenação de Marques de Melo, o dia 17 de março na imprensa brasileira, que com o período das passeatas anti e pró-impeachment da presidente Dilma Rousseff, tiveram um comportamento atípico. O objetivo principal da pesquisa era perceber as mutações dentro dos gêneros jornalísticos, de quando José Marques de Melo fez a análise até agora.

A abertura do colóquio foi feita pela pesquisadora Marli dos Santos, coordenadora do programa de Pós-Graduação da Universidade Metodista de São Bernardo do Campo, que introduziu o tema falando sobre os gêneros jornalísticos adotados por José Marques de Melo na pesquisa de 1966, apontando as modificações dos gêneros ao longo destes 50 anos.

Um diferencial do colóquio foi a presença das brasileiras Kamilla Morando Avelar e María Laura Viera, respectivamente, da Rússia e Uruguai. “A gente percebe de forma muito positiva a participação dessas pessoas que estão em outras regiões e até mesmo de outros países. Antigamente era impossível da gente fazer uma atividade como essa reunindo pessoas de lugares tão distantes. Agora com a tecnologia, tem a possibilidade de encurtar essas distâncias e favorecer esse diálogo e essa interação com pessoas que estão em lugares como a Rússia, por exemplo.”, avalia o organizador do evento Ricardo Alvarenga. Kamilla envolveu-se em toda a pesquisa como orientanda da professora Nair Prata. Maria, mestranda na Universidade Atlântica, no Uruguai, participou como convidada.

Durante a vídeo conferência, os pesquisadores apresentaram os resultados das pesquisas realizadas em 2015. 

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