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Mapeando a Comunicação no Brasil

19/11/2015 18h06

Valdir Abdallah e Daniel Galindo

Arthur Marchetto e Victória Roman

O painel Pensamento Comunicacional Brasileiro (Pensacom) aconteceu ontem, às 15h, no Anfiteatro Sigma. Sob a coordenação de Sônia Jaconi, foi abordada a temática “Repertórios bibliográficos: novos projetos, novos desafios e avanços”. “O objetivo principal é mapear o pensamento comunicacional do Brasil, principalmente para preservar a memória. É um projeto memorialista”, destacou Sônia Jaconi.

O projeto, que começou a ser gerado em 2010, teve Alagoas como estado pioneiro. Piauí, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Santa Catarina aderiram sucessivamente ao projeto. “Também fomos desafiados pelo professor Marques de Melo: mapear a produção de todos os estados até 2018, além de expandir a área de pesquisa para a península ibérica”, comentou Sônia Jaconi.

Pesquisas – O primeiro painel contou com a presença de Sônia Regina Soares da Cunha (Confibercom) e Luís Humberto Marcus (Confibercom), que apresentaram a pesquisa sobre o Pensamento Comunicacional de Portugal. Além de retomar um panorama histórico, ambos trataram a importância de se estudar a comunicação neste país. Citando Edgar Morin, Sônia Regina comenta que “as mudanças políticas e culturais e os aquecimentos sociais são notados apenas pelos pesquisadores que estão envolvidos nos processos comunicacionais e na esfera cotidiana”. O futuro dos estudos lusófonos é “avaliar quais as linhas de investigação já foram feitas e quais parcerias foram estabelecidas no processo para, depois, decidir quais os passos que devem ser dados para avançar a catalogação do pensamento comunicacional”, afirmou Luís Humberto Marcus.

Magnólia Santos, Rossana Gaia e Ricardo Moresi, todos da UFAL, representaram o estado de Alagoas e comentaram que a pesquisa realizada por eles procura fazer perfis jornalísticos, catalogando o Jornalismo Científico, Literário, Ambiental, Sindical e Político do estado, além de resgatar a memória das premiações e do jornalista Danton Jobim. Os professores Sérgio Mattos, Giovandro Ferreira e Marcelo P. Oliveira, comentaram sobre a pesquisa no estado da Bahia. “Nossa produção está fortemente ligada ao programa de PósCom da UFBA”, comentou Sergio Mattos, “e procuramos catalogar as pesquisas pela Cibercultura, pela análise do produto da cultura midiática e pelo viés da democratização da comunicação”, finalizou.

Representando Santa Catarina, Roseméri Laurindo e Clarissa Josgrilberg, da FURB-SC, apresentaram o desenvolvimento da pesquisa no estado. “Temos por objetivo identificar a relação entre os pensadores da comunicação com as universidades de Santa Catarina, de acordo com mesorregiões”, comentou Roseméri. Clarissa comentou que os objetivos atuais são “mapear fontes para fazer uma cartografia, fazer um perfil das universidades de acordo com suas regiões, dos precursores, do primeiro publicitário e analisar a origem dos primeiros cursos de comunicação”, justificou.

Vinícius Ferreira (UFPI) apresentou a pesquisa do Piauí e os dois livros que já foram produzidos sob o espectro da pesquisa. As publicações integram perfis dos pensadores comunicacionais, das0020instituições, utilizando a história oral como base de pesquisa. Allan Rodrigues (UFAM) apresentou a pesquisa de Amazonas, feita com a comemoração dos 45 anos de ensino de Jornalismo no estado.

Por fim, Aline Grego (INCIFORM) e Juliano Domingues (INCIFORM) apresentaram os trabalhos de Pernambuco, Maria Berenice Machado (UFRGS) falou sobre Rio Grande do Sul, Vilso Santi (UFRR) comentou do início das pesquisas em Roraima. Outro estado que aderiu à pesquisa recentemente foi o Maranhão, sob a coordenação de Ricardo Alvarenga (UMESP).

Lucía Castellón, da Universidad Mayor do Chile, encerrou o evento. “Pelo que vivi nessa tarde, escutando os relatos de todos esses pesquisadores, sinto que essa pesquisa é a homenagem mais importante que o professor José Marques de Melo pode receber, sendo no Brasil ou em qualquer parte do mundo”, disse a professora. “O que ouvimos hoje, com a produção desses professores, é um exemplo do que deve ser uma universidade, em qualquer lugar do mundo”, declarou

Brasilianistas em rede

O Coletivo dos Brasilianismos Comunicacionais inaugurou seu portal nesta terça-feira (17), às 14h. O site, que se encontra no endereço, portal.metodista.br/brasilianismos-comunicacionais, já estava planejado desde o Intercom Rio 2015 e passou por uma mudança de nome. A mudança do termo Colégio dos Brasilianistas para Coletivo aconteceu para “modernizar o nome” e até pelo seu significado, já que é “um grupo que vem crescendo e abraçando diversos pesquisadores”, segundo uma das coordenadoras do projeto, profa. Marli dos Santos.

“A ideia do portal é criar uma comunidade e resgatar esse conceito, de se criticar e se renovar em grupo”, diz o idealizador do projeto, professor José Marques de Melo. Para isso, o site foi divido em diversas seções que são: Apresentação, Cartografia – que mapeia e analisa as produções do campo comunicacional, Antologia – que faz uma coletânea de textos e referências do que foi produzido pelo grupo, Agenda e Atualidades – que reúne notícias sobre as produções da área comunicacional, Repositório, Ponto e Contraponto, Ágora e Dicionário.

Este último procura traçar perfis biobibliográficos de pensadores da comunicação. “O propósito do dicionário é criar um intercâmbio cognitivo entre várias gerações, de pesquisadores e os que estão chegando na área acadêmica”, disse Esmeralda Villegas, doutoranda da USP, “e não podemos falar que o tópico terá um estilo único, pela variedade de pessoas que escrevem os verbetes. Não se pode podar a riqueza que isso traz”, conclui.

Ponto e Contraponto procuram trazer entrevistas, analises e críticas sobre as produções do coletivo e a revista Àgora, antes chamada de Arena, tem como horizonte editorial “a ideia de que o Brasil não se conhece”, segundo Fátima Feliciano, pós-doutoranda da Cátedra UNESCO/UMESP de Comunicação. Juliano Domingues, professor da Universidade Católica de Pernambuco, é responsável pela produção dos perfis bibliográfi cos de Brasilianistas Beltranianos, e Katarina Real será o primeiro. Pesquisadora e antropóloga norte-americana, teve produções de referência nos estudos sobre o carnaval brasileiro.

Folk Humor

O Fórum de Humor aconteceu no segundo dia do Pensacom e contou com a abertura do prof. Dr. Daniel Galindo. Ele comentou a importância da realidade comercial como objeto de estudo e classificou como “atividade comercial da Idade Média” que aflora em pleno século XXI, pois “a reprodutibilidade das práticas ali vivenciadas alimenta uma cultura muito peculiar, rica e forte em sua trajetória diante dos grandes magazines, shoppings e centros comerciais. A rua ocupa um espaço relacional, há uma vivência, há vida na 25 de Março”.

A palestra do Diretor da Associação Comercial de São Paulo, Valdir Abdallah, abordou a temática “Ativismo Folkcultural dos Sacoleiros, os mascates da Idade Média”. Abdallah contou sobre a colonização Libanesa no Bairro do Ipiranga, a riqueza cultural que o processo imigratório árabe trouxe para o país.

Mario Mastrotti, cartunista que ficou famoso pelas tiras do “Cubinho”, comentou que o espaço do chargista tem diminuído e que a função atual está mais direcionada a criticar a sociedade. Falou sobre a importância da charge que, segundo ele, é um editorial gráfico, “a charge ajuda o leitor a se sintonizar com o tempo atual”.

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