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Jornada acadêmica de comunicação traz especialista em migração latino-americana

19/05/2016 16h40 - última modificação 19/05/2016 16h43

Victoria Roman

A imigração é um tema que tem ganhado destaque nas discussões mundiais atuais principalmente pelas decorrentes notícias sobre os refugiados sírios, que partem do país na tentativa de escapar de uma guerra civil que se estende desde 2011. Em um contexto mundial, os Estados Unidos foi o país que mais recebeu, até hoje, imigrantes em toda a história da humanidade, com dominância de latino-americanos, e em especial, mexicanos.

No dia 16 de maio, a Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) recebeu o Colóquio Internacional de Comunicação que abordou o tema “Comunicação e Migração”. O evento, que faz parte de uma jornada acadêmica percorrida pela Professora da Universidade de Colima, no México, Ana Uribe, que está sendo realizado em parceria com as universidades Universidade de São Caetano do Sul (USCS) e Universidade Paulista (UNIP). A jornada se estenderá durante esta semana e a próxima com uma programação que inclui seminários sobre as aproximações entre a temática da migração internacional e a comunicação e oficinas metodológicas.

Com a condução da mesa feita pela professora doutora e docente da UMESP, Cicilia Peruzzo, a pesquisadora Ana Uribe ministrou a palestra “Mundo em Movimento: Migração, Comunicação e Transnacionalismo”. Ela possui licenciatura em comunicação pela Universidade de Colima com Mestrado e Doutorado em Comunicação Social. Tendo inclusive feito seu mestrado no Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social (PósCom) da UMESP sob a orientação do professor Luiz Roberto Alves. Publicou livros na interface comunicação e migração e possui estudo sobre as telenovelas como um fenômeno social.

Ana possui um trabalho na unidade de extensão da Universidade de Colima, em Los Angeles, onde realiza oficinas com imigrantes de diversas origens, os capacitando no ponto de vista profissional e idioma, com o intuito de condicionar a sobrevivência no novo país. As pesquisas que realiza estão vinculadas a essa prática e, segundo a professora coordenadora do PósCom da UMESP, Marli dos Santos, graças ao seu trabalho, Ana se tornou uma das especialistas na América Latina sobre as questões ligadas à imigração.

Em sua fala abordou temas como “transnacionalidade”, “biculturalidade” e “multiculturalidade”, todos estes apresentados por ela como uma consequência do grande fluxo de migração de latino-americanos para os Estados Unidos. Também afirmou que a imigração é uma consequência da globalização, “Com todo esse movimento [a globalização] a imigração aumentou. Isso faz parte da cultura contemporânea, é uma causa e consequência do mundo globalizado” diz.

Uribe diz que o perfil da migração mudou e se tornou circular, explica que antigamente pessoas se deslocavam para outro local e se fixavam no primeiro destino, hoje existe a possibilidade de fortalecimento e rotatividade. A professora ainda pontua que outra mudança aconteceu com o decorrer do tempo, para ela, o status do imigrante nos EUA mudou e conclui que “as fronteiras entre EUA e México vão crescer ainda mais com a presença do pré-candidato Donald Trump”.

Com alguns anos vivendo na fronteira entre Tijuana e San Diego, afirma que a perspectiva de viver na fronteira traz a “biculturalidade” e “multiculturalidade”, graças à troca de cultura incontestável que a miscigenação entre nacionalidades traz, a pesquisadora traz ainda um dado bastante curioso que Los Angeles é a cidade com o maior número de mexicanos fora do México.

Em sua fala ainda pontuou que começou a perceber, estudar e escrever sobre o sentido da imigração a partir da vida não só “bicultural”, mas também multicultural e transnacional, e o fato disso acontecer, sobretudo, nos Estados Unidos. Essas complexidades, interconexões e desigualdades a fizeram repensar nos antecedentes para entender o mundo de hoje, concluindo com os chamados “Cinco Eixos”: Ethnoscape, Mediascape, Technoscape, Financescape e Ideoscape.

A pesquisadora encerrou sua fala afirmando que as universidades e centros de pesquisa ainda têm muito o que debater e pesquisar as aproximações entre a comunicação e o processo de migração, “é necessário fomentar a investigação nesses temas” diz. 

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