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Conferência de Grupo de Pesquisa em Comunicação e Tecnologia une academia e mercado

25/11/2016 16h32

Arthur Marchetto

O sucesso de produções audiovisuais que têm na tecnologia o ponto principal de discussão, como séries Mr. Robot e Black Mirror, mostra que o assunto é relevante nos dias atuais e que a discussão parece ser necessária. Seja pela maneira como nos relacionamos, seja como as tecnologias interferem no ambiente, as mídias impactam na nossa sociedade. Para discutir a convergência desse campo com a área comunicacional, o Grupo de Pesquisa Comunicação e Tecnologia (Comtec) realizou, com começo de novembro, a 9º Conferência Brasileira de Comunicação e Tecnologias Digitais, sob a temática “Os desafios para a Comunicação no contexto de IoT, Wereables, BigData, Drones, Learning Machine e Inteligência Artificial”.

O evento teve a participação dos palestrantes Daniel Chaves e Beatriz Palmeiro, da INTEL, e Fabio Sakae, do Buscapé.  O evento contou com a abertura da coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista, Marli do Santos, e do Coordenador do ComTec, Sebastião Squirra. Em sua fala, Squirra comentou sobre a importância de balizar a conversa entre as práticas acadêmicas e as práticas do mercado, e o evento aparecia como um espaço para o diálogo.

Daniel Chaves fez a apresentação sob o título “Design e Comunicação na sociedade da interação, informação e vigilância” e começou explicando a logística de produção da Intel, que trabalha em b2b (business to business, vende para empresas e não para o consumidor final). “São chips e hardwares que estão por trás de diversos equipamentos”, disse Chaves, mas a empresa agora também se dedica na “Internet das coisas” – lâmpadas, drones etc - e à produção de alguns softwares.

Segundo Daniel, o mercado de tecnologia tem sido engolido pelos softwares desde 2011, citando o ensaio de Marc Endreessen, “porque os softwares estão engolindo o mundo”. “Qualquer coisa que você pensar tem um software que resolve”, comentou ele, mas essas transformações trazem questões de interação que trazem uma sobrecarga de informações – usou de exemplo o caso de uma família que aplaude uma apresentação e as palmas entram em conflito com o sistema de iluminação da casa.

Essa complexidade é de tomada de decisão. “Se a gente olha pro ser humano, ele tem uma capacidade finita de atenção, limitada”, comenta Daniel, “quando você começa a ter muitas informações e muitos dispositivos para controlar, você começa a ter que parar e refletir para pensar como lidar, definir prioridades”. Isso exige uma maior capacidade cognitiva, intelectual, como tratado por Daniel Kahneman, no livro “´Rápido e Devagar: Duas formas de pensar”, e por Daniel Levitin, no livro “The Organized Mind”, indicados por Daniel Chaves.

Caminhos

No entanto, Daniel enunciou algumas iniciativas que estão sendo tomadas para soluciona esses problemas: Design antecipatório, com softwares que tomam decisões conforme o programa aprende os hábitos do seu consumidor, abordado no artigo de Sophie Kleber, “How to Get Anticipatory Design Right”. Sem interface, é um conceito que pretende tirar o excesso da interface, das telas, como abordado no livro “The best interface is no interface”. No entanto, o descarte das interfaces traz a problemática do lixo eletrônico e de sua reciclagem, falado por Neha Saraf, no artigo “The consequences of our insatiable technology appetites”. Interfaces conversacionais, como no filme Her ou a Siri dos sistemas iOS, são interfaces que conversam com seu usuário e são discutidas no artigo “Desenhando interfaces conversacionais: o desafio UX”. Uma outra inciativa destacada foi o “The Carebot”, um bot que servia de métrica do conteúdo jornalístico e produzia um relatório refinado dos usuários dentro dos conteúdos. Quando feito o pedido por qualquer rede social, o robô lia os conteúdos, fazia uma relação com as questões analíticas e aí poderia te responder quanto tempo a pessoa ficou em qual parte da página, quais as interações que teve com o conteúdo. Realidade Virtual e/ou Aumentada, inciativas de uma outra realidade mediada pela tecnologia. Chaves levanta a problemática, “para as pessoas é uma realidade mesmo. Como lidar com as outras experiências?” e cita o caso do primeiro assédio sexual sofrido por uma usuária, descrita no texto “My first virtual reality gropin”.

Desafios

Segundo Daniel, “no fundo, a overdose de informação estava tomando tempo das pessoas. Essa infinidade de informação e o gerenciamento disso fez as pessoas “perderem tempo”” e, para solucionar isso, ele comenta que há desafios a serem transpostos pelas empresas: Interoperabilidade, a necessidade de fazer tecnologias conversarem entre si, como um ecossistema tecnológico. A iniciativa já é vista em grupos empresariais que passam a se unir em torno desse propósito, conectando suas tecnologias. Além disso, há softwares que servem para unir produtos divergentes. Acesso e Gestão da Informação, a sociedade precisa entender qual é a informação necessária para a comunidade e qual é importante para o indivíduo, que casa com o Controle da privacidade, já que as pessoas não podem ter certeza do que está ou não sendo compartilhado, como divulgado nessas duas notícias: “Hackers Used New Weapons to Disrupt Major Websites Across U.S.”, que mostra como um hacker derrubou diversos sites ao longo dos EUA, e também “Hackers and Law Enforcement Could Hijack Wi-Fi Connections to Track Cellphones”, que conta como é possível hackear aparelhos por meio das redes Wi-Fi.

Há, também, a necessidade de se organizar as definições de princípios e leis. Segundo Daniel, “hoje temos companhias que aproveitam as brechas das regulamentações para executarem seus serviços” e isso leva a criação de soluções sem se discutir a ética e os princípios do ambiente digital.  A entrevista “Facebook e Apple poderão ter o controle que a KGB nunca teve sobre os cidadãos” mostra como essas empresas podem ter armazenados diversas quantidade de dados.

Por fim, antes da dinâmica de encerramento, Daniel comentou sobre a Construção de um modelo ético e sustentável por meio do ambiente digital. Usando de exemplo a casa inteligente da intel, a Tiny Home, o novo software de som que está sendo desenvolvido pela Adobe e também a inciativa de criar uma interface conversacional por uma invasão no sistema de um peixe cantante, Chaves diz que, “na verdade, são esses caminhos que trazem esses desafios enormes, em relação a solução, mas são obrigatórios pois também definem os valores que a gente quer ter por trás dessas tecnologias".

 

 

 

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