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Democracia no Oriente Médio é tema da aula inaugural do GP Jornalismo Humanitário e Media Interventions

Liberdade de imprensa foi principal temática do encontro

06/11/2018 21h31

Nila Maria

O Grupo de Pesquisa Jornalismo Humanitário e Media Interventions foi inaugurado na última terça-feira, 30, em um evento especial organizado pelo Programa da Pós-Graduação em Comunicação (PósCom/UMESP) e pela Cátedra UNESCO/Metodista de Comunicação para o Desenvolvimento Regional. A aula, mediada pelos professores Roberto Chiachiri e Cilene Victor, contou com a presença de Mustafa Goktpe, presidente do Centro Cultural Brasil-Turquia (CCBT) e do jornalista e refugiado palestino Hassan Massoud.

O encontro do Grupo de Pesquisa foi aberto com uma homenagem em vídeo a Jamal Khashoggi, feita pela Anistia Internacional. O saudita era editor chefe do Al-Arab News Channel e um dos criadores da plataforma de notícias progressistas, Al Watan.

No dia 2 de outubro, o jornalista foi até o consulado da Arábia Saudita em Istambul (Turquia) a fim de retirar um documento para oficializar seu casamento, e essa foi a última vez em que foi visto com vida.

A morte de Khashoggi foi confirmada e admitida pelo governo saudita somente no dia 20 de outubro. Hoje, cerca de um mês depois do desaparecimento do jornalista, a notícia é de que a morte foi por estrangulamento, ainda no dia 2, e que, depois disso, seu corpo teria sido dissolvido em ácido. Seus filhos clamam pela devolução do corpo e esperam que não tenha sido uma morte dolorosa.

Na sequência, Mustafa Goktpe falou sobre a situação atual da Turquia, que tem, segundo o sindicato dos jornalistas, 143 profissionais presos. A democracia vive um momento de fragilidade, e o primeiro sinal de que as coisas não andam bem é a restrição à liberdade de imprensa. O país é governado por Recep Tayyip Herdogan, que foi eleito em 2014, com um discurso de reconstrução e limpeza política, mas que, hoje, mostra-se uma real ameaça à democracia.

Erdogan alimenta um discurso de que a imprensa atrapalha a democracia, buscando afastar a voz dos veículos de comunicação dos ouvidos do povo. Para Goktpe, o caminhar do presidente no governo de seu país vai contra os princípios democráticos, afinal “a democracia tem diversos pilares, entre eles, a liberdade de imprensa. Não há democracia sem liberdade de imprensa”, diz. E acrescenta, ainda, que, desta forma, “a Turquia mostra como uma democracia morre de maneira não violenta”.

Hassan Massoud foi quem encerrou o evento. Ele vive no Brasil há um ano, atuando como jornalista correspondente da TV Aljazeera e da agência Associated Press. De origem palestina, Massoud nasceu no Líbano, em uma família de refugiados. Muçulmano, condena o discurso de líderes que se utilizam da religião para apelar para o emocional dos interlocutores com a intenção de manipula-los.

Antes de vir para o Brasil, Hassan tentou encontrar refúgio em países de outros continentes, mas conta que os brasileiros foram os únicos que estiveram de portas abertas para recebe-lo. Demonstra-se preocupado com os rumos da política e da democracia brasileira, sobretudo no que diz respeito às questões dos imigrantes e refugiados. “Se o Brasil se fecha para nós, não tem mais lugar para nós”, diz.

O evento contou com a participação de 30 pessoas, entre professores e alunos da graduação e da pós-graduação. As reuniões do Grupo de Pesquisa serão mensais e abertas ao público externo. O próximo encontro será realizado no dia 27 de novembro.

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