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Contracultura e cultura alternativa é tema de Workshop Unescom

26/05/2017 22h55 - última modificação 30/05/2017 19h05

Foto: Pedro Zuccolotto

Pedro Zuccolotto

Contracultura, ou cultura alternativa, é a denominação utilizada para nomear a cultura que surge das ruas ou de movimentos mais desconhecidos – do termo em inglês, “underground” – e que, às vezes, atinge a popularidade - ou “mainstream” –, como o hip hop, por exemplo. O processo de surgimento e evolução da contracultura foi variando com o passar do tempo, se modificando de acordo com a época em que estava inserida. Foi partindo desses conhecimentos que o jornalista e pesquisador Renan Marchesini ministrou, no dia 24 de maio, na Universidade Metodista da São Paulo (UMESP), o Workshop Unescom sobre Cultura Alternativa no século XX.

Renan é mestrando em Comunicação Social pela UMESP e sua pesquisa contempla os processos comunicacionais do movimento punk na ditadura militar. Em sua apresentação, ele afirma que “a contracultura é um questionamento de valores, aos padrões atuais da sociedade, aos padrões dos costumes, o comportamento passa a ser transgressor da norma hegemônica e das regras de comportamento”. Esse movimento, portanto, traz uma nova estética para a sociedade por se tratar justamente de uma forma de compreender, interpretar e criticar diversos aspectos já enraizados nas pessoas, sejam eles políticos, sociais, culturais ou qualquer outro.

A seguir, elencamos os principais momentos dessa trajetória apresentada no evento.


A escravidão norte-americana e a música

O pesquisador escolheu o resgate histórico da contracultura para apresentar sua proposta. Nesse sentido, ele relembrou o desenvolvimento da música durante o período de escravidão norte-americana. Nessa época, havia a Work Music e o Blues, que eram cantados pelos negros quando iam aos campos de trabalho. Com o a Guerra da Secessão e seu término, ocorre uma migração do sul para o norte dos negros. Nos campos de batalha abandonados, diversos instrumentos musicais utilizados pelas bandas marciais foram deixados. Logo, durante essa migração, os negros pegavam os instrumentos e começaram a desenvolver e estudar música.

Nessa época, havia a música clássica – com Beethoven, por exemplo – e o ragtime, uma música de dança de cunho mais popular. Em Nova Orleans, Jelly Roll Morton começa a estudar o ragtime e mesclar com outros instrumentos, resultando no Jazz, uma música com mais instrumentos, mais cadencia e mais sofisticação, o que rompia a estética social da época.

Outro ícone ressaltado da época foi Jack Jonhson, o primeiro boxeador norte-americano negro que rompeu diversos aspectos da sociedade ao permanecer campeão da categoria peso pesado de 1908 a 1915.

Enquanto isso, no Brasil, o samba começa a ser desenvolvido pelos negros e, após ser apropriado pelos brancos, é disseminado na sociedade. O mesmo acontece com o Jazz nos EUA.

 

Literatura e jornalismo

No campo da literatura e do jornalismo, Ernest Hemingway é uma figura importante. Jornalista, escritor e nascido nos EUA, utilizava um estilo literário diferente. Foi o primeiro a falar de drogas e outros temas de maneira direta e crua, sem floreios, que eram tratados de forma poética até então.

No Brasil temos Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, jornalista, escritor e pioneiro do humorismo político. Soltava frases de humor no jornal e provocava o sistema e as pessoas que detinham o poder na época.

 

1930 – Pós-depressão e pré-guerra

Durante a depressão dos EUA, John Fante, escritor, inova na linguagem literária, trazendo Hemingway  e a cidade para a escrita, abordando a sua própria realidade dura e fria da recessão econômica. Temas como a fome e o desemprego são exemplos do que foi tratado em suas obras, o que era incomum.

Paralelamente, o Jazz veio crescendo desde os anos 20. Simultaneamente, os músicos vêm acompanhando o crescimento da cidade. Com improvisos musicais feitos entre os próprios músicos surgiu o Jazz Bebop, ou JAM (Jazz After Midnight), um estilo bem mais complexo, rápido e sofisticado, com diversos instrumentos improvisando e presença forte de notas de tensão e resolução (elementos musicais não tão presentes no Jazz comum). Em comparação mais simples, o Jazz convencional tinha menos improvisos, enquanto o Bebop se sustentava justamente sobre os improvisos. Charlie “Bird” Parker, saxofonista, é um exemplo de um ícone do Bebop.

 

1950 – Década embrionária para a contracultura

Aqui, a contracultura começa a tomar forma. A juventude agora é marcada pelo pessimismo pós-guerra. Isso muda o comportamento hegemônico e, por consequência, novas manifestações culturais surgem e refletem isso. O filme O Selvagem, estrelado por Marlon Brando, pode ser considerado um ícone de influência na juventude dessa época.

Na música, começa a ser desenvolvida uma música que também se adapte a esses novos comportamentos. Little Richard, por exemplo, desenvolve músicas com ritmos mais acelerados, presença de refrão e mais instrumentos, mas ainda com elementos do Jazz presentes. Posteriormente, surge, com o estilo muito semelhante, o ícone cultural Elvis Presley, mesclando também elementos do country. Toda a estética da música e dança passa a ser diferente depois do Elvis, com seu estilo que pode ser considerado o início do Rock. Outro exemplo é Johnny Cash, um músico mais para o lado country que traz a realidade para as letras das suas músicas.

Na literatura, Jack Kerouac e Allen Ginsberg se destacam. Jack é reconhecido pelo seu método espontâneo de prosa e pelo seu livro Pé Na Estrada, onde relata uma viagem de sete anos com seus amigos pelos Estados Unidos. Allen foi reconhecido pelo seu poema improvisado chamado O Uivo. Ambos foram importantes para a Geração Beat, que é o movimento literário da época.

Já no Brasil, o samba foi se desenvolvendo. Vários aspectos norte-americanos começaram a se instalar aqui, entre eles o Jazz. Assim, João Gilberto começa a mesclar o Jazz com o Samba e acaba criando a Bossa Nova.

 

1960 – Uma época conturbada

Os anos 60 foram conturbados. Pelos EUA, diversas passeatas por direitos civis ocorriam. O presidente eleito, John Kennedy, foi assassinado. Muhammad Ali chacoalhava o mundo do boxe com suas vitórias. Na cultura, também foi agitado.

A música folk foi trazida ao público por Bob Dylan, recente ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, que utiliza a música folk e resgata o country e o estilo de Johhny Cash. Suas músicas são as primeiras músicas consideradas de protesto, com letras sobre guerra e existencialismo. Blowing in The Wind e Like a Rolling Stone são alguns exemplos de músicas simples, mas incrementadas com suas ideias intelectuais.

Surge o Novo Jornalismo, com Tom Wolfe e Hunter Thompson. Ambos defendem matérias que sejam feitas de forma mais romanceada, ou seja, é o jornalismo pela arte, não pela notícia. Esse movimento demarcou a luta contra a maneira industrial de se fazer e publicar notícia.

No brasil, o cinema toma novas proporções. A companhia Vera Cruz chega ao país, realizando diversas produções cinematográficas. Até que surge Rio 40 graus, filme de Nelson Pereira dos Santos com estética diferente, retratando a dura realidade. Glauber Rocha aperfeiçoa essa estética, trazendo a realidade da periferia, a cultura brasileira e os elementos da história do brasil para o cinema. Como exemplo, há o filme Deus e o Diabo na Terra do Sol, que foi indicado no Festival de Cannes a Palma de Ouro.

No rock, ocorrem dois desdobramentos: o mainstream e o underground. No desdobramento underground nasciam as músicas que possuíam um som mais sujo e pesado, enquanto no mainstream músicas mais simples, como Iggy Pop. Foi nessa década que também surgem os Beatles, com um rock simples no começo, mas com arranjos diferentes e experimentais posteriormente. Há um destaque aqui para o festival de música de Woodstock, que reuniu mais de 400 mil pessoas por quatro dias, em 1969.

 

Anos 70/80 – A cultura periférica

Surge Ramones, que estoura o movimento punk pelo mundo com seu primeiro álbum. Outras bandas do gênero também surgem, como The Clash e Sex Pistols. O Hip hop começa a ser formado e tomar forma, disseminando a ideia de luta periférica.

 

Anos 90 – A última década

Aqui, ocorre um maior desenvolvimento do hip hop no Brasil e um desdobramento do punk, agora bem disseminado pelo mundo, nascendo assim o hardcore e grunge com bandas famosas como Pearl Jam e Nirvana. Com o advento da internet, o mercado fonográfico começa a perder força, fazendo surgir novas tendências tecnológicas e musicais também.

 

Confira também o vídeo feito pela Cátedra Unesco com Renan Marchesini sobre o tema do Workshop:

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