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Cátedra Unescom promove workshop sobre jornalismo literário

Professor levantou a discussão de como o jornalismo literário se mostra insubordinado às regras do jornalismo de pirâmide

31/08/2018 16h51

Foto: Wagner Ribeiro

Nila Maria

Na última quarta-feira, 29, a Cátedra Unesco de Comunicação para o Desenvolvimento Regional promoveu o workshop Vozes Insubordinadas do Jornalismo Literário. O evento ocorreu na sala 417, do edifício Capa, e foi ministrado pelo prof. Dr. Mateus Yuri Passos, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo (PósCom-UMESP). Participaram do evento 23 pessoas, entre alunos da graduação, do mestrado e do doutorado.

Mateus falou sobre a dificuldade de definir o que exatamente é o jornalismo literário. Segundo ele, existem profissionais que preferem não se autointitular  como jornalistas literários porque acreditam que o conceito de literatura está vinculado à ficção, enquanto outros buscam justamente romper com esta ideia.

O professor apresentou diversas formas de como o jornalismo literário se mostra insubordinado às regras do jornalismo de pirâmide, citando teorias de estudiosos, como, por exemplo, o teórico russo, Mikhail Bakhtin. O conceito de polifonia, cunhado pelo pensador, é utilizado por Mateus como característica do jornalismo literário. Este consiste em observar os vários lados sobre um assunto, ou seja, ouvir várias fontes e dar a elas o mesmo tratamento, sem hierarquiza-las.

Para este caso, o palestrante cita o exemplo da reportagem de Consuelo Dieguez para a revista piauí sobre o tratamento de eletrochoque para pacientes psiquiátricos. Nesta produção, a repórter utiliza como fonte tanto as pessoas que se opõem a essa prática, quanto as que acreditam que pode ser uma alternativa aos medicamentos, além de outras que já haviam se submetido ao tratamento.

Mateus também cita Walter Benjamin, com a teoria da História a contrapelo, o que significa fazer uma “escavação” dos fatos, investigá-los mais a fundo do que tudo o que já foi anteriormente noticiado. Cita, então, o livro de Eliane Brum, “Coluna Prestes: O Avesso da Lenda” (1994), em que a jornalista percorre os 70 mil quilômetros da Coluna Prestes a fim de ouvir depoimentos de sobreviventes do período, a quem ela chama de “o povo do meio”, pessoas que não eram nem rebeldes, nem legalistas ao movimento.

O evento foi transmitido ao vivo pela página do Facebook da Cátedra e contou com a participação de internautas que fizeram perguntas, respondidas imediatamente pelo professor.

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