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Cátedra UNESCO promove workshop sobre jornalismo humanitário

A professora Cilene Victor levantou discussões sobre o papel do jornalista na cobertura da crise humanitária

28/09/2018 20h02

Nila Maria

Na última terça-feira (25), a professora Cilene Victor, do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Metodista (PósCom/UMESP), ministrou o workshop “Jornalismo Humanitário: Em busca de um conceito e suas práticas”, promovido pela Cátedra Unesco de Comunicação para o Desenvolvimento Regional.  

A professora iniciou o evento exibindo a fotografia de uma menina brincando à entrada de seu alojamento no campo de refugiados, no Vale do Bekaa, no Líbano, e ressaltou a importância de compreender a identidade das pessoas que vivem nesses ambientes, para além das estatísticas.

Cilene diz que existem, hoje, 150 milhões de pessoas no mundo que dependem de ajuda humanitária e, por mais que utilizemos recursos que deem certa dimensão da crise que assola o mundo, fazendo comparações com o número de habitantes de países, ainda não é o suficiente para entendermos o que, de fato, há por trás das estatísticas. Por isso, a necessidade de tais questionamentos. “Quem são essas pessoas? Qual a faixa etária dessas pessoas? Quantas, dessas pessoas, têm alguma deficiência ou sofrem de alguma doença grave?”, indaga.  

Ela destaca também que uma de suas intenções ao realizar essas viagens até os campos de refúgio e registrar imagens de quem vive nesses lugares é combater a perpetuação da violação dos Direitos Humanos.

No decorrer da apresentação, a professora se posiciona contrariamente à divulgação de imagens que expõem abusos contra a dignidade humana. “Eu optei por imagens que mostrem uma realidade, que aproximem essas crianças das crianças da nossa família, por exemplo, das crianças do nosso meio”, explica enquanto mostra uma fotografia de um grupo de crianças brincando na rua.

Não somente a questão de pessoas que são forçadas a migrar é o cerne da problemática da crise humanitária. Existem ainda, segundo Cilene, 30,8 milhões de pessoas que se deslocam internamente no mundo. Ou seja, pessoas que, em razão dos conflitos em seus países, se veem obrigadas a deixar suas casas, mas não, necessariamente, cruzar a fronteira em busca de refúgio.

A professora elucida que a Organização das Nações Unidas (ONU) [E1] foi criada em 1947, no entanto, somente 71 anos depois foi organizado um debate a respeito de soluções para a crise humanitária. Na 1ª Cúpula Mundial Humanitária, organizada em maio de 2016, os líderes mundiais lançaram a proposta de uma Nova Agenda pela Humanidade, que visa mobilizar todos os setores da sociedade para apoiar o que chamam de cinco responsabilidades sociais: 1. Prevenir e pôr fim aos conflitos; 2. Respeitar regras de guerra; 3. Não deixar ninguém para trás; 4. Trabalhar de diferentes formas para eliminar carências; e 5. Investir na humanidade.

Para Cilene, existem três tipos de jornalismo humanitário: o que noticia as crises e seus atores, não apenas relatando o conflito, mas dando voz aos seus protagonistas; o que adota os princípios da ética humanitária em sua narrativa, buscando compreender melhor o humanitarismo e a realidade, de maneira imparcial; e o que produz a notícia como prática humanitária, não especificamente no conteúdo, mas na forma como o jornalista exerce seu papel diante da crise.

Um dos problemas que o jornalismo humanitário ainda enfrenta é a carência de apoio e patrocínio nas plataformas de cobertura. A professora cita o exemplo do IRIN, uma agência de notícias independente que se dedica a assuntos humanitários, que se mantém através de doações feitas por apoiadores.

O Workshop contou com 15 participantes e foi transmitido ao vivo na página da Cátedra UNESCO/UMESP no Facebook.

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