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A Copa no mundo de 2018

O evento começa em um cenário geopolítico ainda mais conturbado que em sua última edição

08/06/2018 21h10 - última modificação 08/06/2018 21h11

Nila Maria

A Rússia recebe, a partir da próxima quinta-feira (14), a 21ª edição da Copa do Mundo FIFA de Futebol. Para os amantes do esporte, é o evento mais esperado a cada quatro anos. Para outros tantos, apenas mais um motivo de quebrar a rotina e entrar em ritmo de festa, já outros, consideram perda de tempo e encontram diversos motivos para criticar.

Mas o que se nota é que o brasileiro não aparenta estar tão empolgado com o Mundial quanto esteve em outros tempos. Chama a atenção a ausência das ruas pintadas e as camisas verde-amarelas ganharam outro significado com as manifestações que acontecem pelo país desde 2015. Hoje há mais espaço para a crítica, há, também, a falta de tempo e o excesso de conteúdo para acessar e informação para processar. Para quem não aprecia o esporte, há muitas outras alternativas neste período.

Neste ano, de maneira especial, o mundo encara um momento de incertezas e instabilidade por toda parte. Vemos conflitos cada vez mais intensos no Oriente Médio e diversas polêmicas envolvendo as Coreias e os Estados Unidos. Não precisamos citar o Brasil ao falar de questões difíceis de lidar... E a própria sede do Mundial, a Rússia, aparece nos noticiários com manchetes que apresentam escândalos que vão das decisões políticas às questões sociais.

O mundo não para. Vivemos tempos de sobrecarga de informações a todo instante, e isso chega também ao esporte. Os campeonatos esportivos não param. Mal tivemos tempo de digerir a final da UEFA Champions League e tudo o que marcou aquela partida e já nos vimos apreensivos com o sorteio das partidas finais da Libertadores.

Isto, para o coordenador do curso de Jornalismo da Universidade Metodista, Rodolfo Martino, é o que atrapalha a euforia do brasileiro em relação ao Mundial. “Antes da chamada globalização do futebol, os campeonatos eram mais esparsos. Havia um tempo em que o assunto era só Seleção. Hoje, os meios de comunicação nos sufocam com evento atrás de evento”, diz.

Com os ânimos aflorados diante do cenário político, discute-se muito se o futebol deveria ter tamanha relevância em nossas vidas. Há os que se opõem completamente ao evento esportivo, comprometem-se a “boicotar” e afirmam que torcerão contra a Seleção, em protesto. Para Martino, nós, brasileiros, “temos uma tendência ao drama. Uma tentativa de racionalizar o que não é racional – a paixão que o futebol nos proporciona”.

Ele também lembra das manifestações por todo o país às vésperas do Mundial de 2014, em que diversos atos ocorreram pelo país com gritos de que não haveria Copa: “só durou até o primeiro trilar do apito do juiz do primeiro jogo”.

A expectativa é de que este ano as coisas aconteçam da mesma forma. Na próxima quinta-feira, quando o primeiro jogo começar, as atenções estarão, novamente, voltadas para a Copa. Os críticos podem até continuar resistindo, mas a bola vai rolar de qualquer jeito. É o que afirma Rodolfo: “quando a hora chegar, o ânimo, o envolvimento, a paixão e até o ufanismo serão os de sempre”. Ele também acredita que o cenário político não contaminará o entusiasmo da torcida. “O futebol tem luz própria, independente de qualquer ação política”, completa.

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