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Gilberto Dimenstein, fundador do site Catraca Livre, morre aos 63 anos

O jornalista e escritor, que lutava contra um câncer desde 2019, faleceu na manhã desta sexta-feira (29)

30/05/2020 21h35 - última modificação 30/05/2020 22h39

Por - Daniel Valenciano Gimenes

Gilberto Dimenstein morreu aos 63 anos, na manhã desta sexta-feira (29), vítima de um câncer de pâncreas, com metástase no fígado, que enfrentava desde 2019. O jornalista e escritor faleceu por volta das 9h da manhã, em sua casa, enquanto dormia. 

Em abril deste ano, o jornalista publicou um vídeo em uma rede social dizendo que vivia o momento mais difícil de sua vida. “Meu nome é Gilberto Dimenstein, sou fundador do Catraca Livre, sou presidente do Conselho da Orquestra Sinfônica Heliópolis, e vivo o momento mais difícil da minha vida. Estou há oito meses lutando contra um câncer de pâncreas que criou metástase. Estou lutando, ainda vou vencer, mas estou lutando”, disse.

O site do jornalista publicou um vídeo nas redes sociais em sua homenagem. "Morre hoje, 29, o jornalista Gilberto Dimenstein. A luta contra o câncer levou o fundador da Catraca Livre, mas sua determinação em construir uma comunidade mais igualitária, saudável e gentil, continua nesta página", diz a postagem.

Gilberto Dimenstein teve uma longa trajetória jornalística, com passagens por CBN, Correio Braziliense, Jornal do Brasil, O Globo, Revista Visão, Última Hora e Folha, tendo atuado na última por 28 anos, de 1985 a 2013, na qual foi diretor da sucursal em Brasília, correspondente em Nova York e colunista e membro do conselho editorial de 1992 a 2013.

“Gilberto Dimenstein brilhantemente atribui o êxito da Folha, à qual estava intimamente ligado, ao ‘espírito de imigrante’, esse ânimo incessante do desbravador de criar o próprio caminho. Seu jornalismo de preocupação social e de defesa a democracia fará falta ao Brasil”, disse Sérgio Dávila, diretor de Redação da Folha.

Em sua longa carreira jornalística, Gilberto Dimenstein recebeu diversos prêmios, dentre eles o Prêmio Esso de 1988, na categoria principal, na época em que escrevia pela Folha. A reportagem premiada foi “A lista da fisiologia”, que contava sobre políticos intermediários de repasses para programas, em esquema de tráfico de influência entre os poderes Executivo e Legislativo.

Autor de mais de 10 Livros, o jornalista e escritor ficou conhecido por seu posicionamento em defesa de direitos nas áreas de educação e meio-ambiente, nos quais atuava com projetos sociais. Dimenstein dedicou sua carreira a buscar, promover, fomentar, levantar recursos e dar visibilidade a projetos de inovação e inclusão. Ele também avaliou ter feito o bem por praticar um jornalismo de empoderamento.

Dimenstein sempre foi ligado a estas questões de reflexão e engajamento sobre problemas sociais. Foi um dos fundadores da ONG Andi (Agência Nacional de Direitos da Infância), que busca ampliar, aprimorar e dar mais importância à abordagem do tema da infância e da adolescência na grande imprensa. Em reconhecimento ao seu trabalho, ele ganhou, junto do cardeal Paulo Evaristo Arns, o Prêmio Nacional de Direitos Humanos.

O jornalista também foi fundador da ONG Cidade Escola Aprendiz, criada a partir de um projeto experimental de educação e comunicação com alunos do Ensino Médio, em 1977. O Bairro-escola, que foi reconhecido pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) como modelo em educação a ser replicado mundialmente. Tal feito fez Dimenstein receber o Prêmio Criança e Paz, do Unicef.

Gilberto Dimenstein deixa sua esposa, Anna Penido, dois filhos, Gabriel Dimenstein e Marcos Dimenstein, e um neto.

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