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“Precisamos superar a crise humanitária na Venezuela pela via da empatia e do jornalismo humanitário”, diz Cesar Barrios

19/03/2019 17h50 - última modificação 19/03/2019 20h55

Cesar Barrios, jornalista venezuelano. Foto: Wagner Ribeiro

Por Deivison Brito

Na noite de ontem (18), o PPGCOM-Umesp recebeu Cesar Barrios, jornalista venezuelano e solicitante de refúgio no Brasil, para realizar a palestra Venezuela – reflexões sobre o cenário político, econômico, midiático e humanitário. Coordenado pelos professores Roberto Chiachiri e Cilene Victor, o evento abriu as atividades deste ano do grupo de pesquisa Jornalismo Humanitário e Media Interventions. Participaram do evento alunos de graduação em jornalismo, relações públicas, além de mestrandos e doutorandos em comunicação social, pesquisados e professores.

A palestra de Barrios iniciou com a apresentação do sistema de governo da Venezuela, o cenário econômico e uma discussão sobre as possíveis causas que desencadearam a crise humanitária no país. A Venezuela, de acordo com o jornalista, é um país que deveria estar em constante prosperidade, pois produz grande quantidade de petróleo e o ouro, mas em contrapartida, não produz matérias primas fundamentais como plástico, por exemplo.

“Isso é um grande problema pois não fomenta o mercado de trabalho interno e eleva muito o preço dos produtos”, afirma Barrios. O resultado deste processo, aliado a outros fatores, gerou uma onda de desemprego e intensificou a situação de vulnerabilidade dos venezuelanos. “Atualmente, há pessoas no meu país que vivem com cerca de 1 US$ por dia; isso serve para exemplificar a extrema pobreza que alguns dos meus companheiros estão vivendo”.    

O jornalista chamou atenção para o fato de que a mídia não tem conseguido compreender a complexidade da situação e, de uma forma ou de outra, estimula a busca por culpados em vez de fomentar uma terceira via de discussão, mais centrada na solução dos problemas e na empatia entre os povos. “Hoje, o que precisamos é de ideias que ajudem a buscar solução para que o povo venezuelano recupere a dignidade, a alegria e a paz. Isso só se faz com empatia. Nesse sentido, o jornalismo de paz e todos que estão aqui presentes têm um papel fundamental”.

No que diz respeito à representação midiática dos imigrantes ou refugiados venezuelanos, Barrios é incisivo: “Não somos coitadinhos”. Para ele, o que falta mesmo é oportunidade e aproveitamento de habilidades profissionais. “Muitos dos meus companheiros e companheiras que estão no Brasil são muito capacitados”. O que não se consegue é oportunidade para demonstrar nossas habilidade e força de trabalho. “Vamos superar essa situação por meio da empatia. Minha vida no Brasil será boa, meu país vai superar todas essas dificuldades e voltará a ser próspero e feliz”, conclui Barrios.

O professor Roberto Chiachiri, diretor da Cátedra Unesco-Umesp, entidade apoiadora do evento, encerrou o encontro afirmando que “o respeito ao próximo, a empatia nas relações intersubjetivas, características fundamentais do jornalismo humanitário, constituem uma das principais vias de superação da crise na Venezuela e também de quaisquer tempos sombrios”.

 Primeiro encontro de 2019 do Grupo de Pesquisa de Jornalismo Humanitário e Media Interventions - Foto: Wagner Ribeiro

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