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Palestra de ex-aluno da Metodista debate segurança urbana e prevenção da violência

Evento discutiu funções das polícias no Brasil, formação técnica de agentes, problemas sociais, direitos humanos e outras questões

07/07/2016 20h13

No último dia 30 de maio, o Anfiteatro Sigma da Universidade Metodista de São Paulo recebeu cerca de 40 pessoas para encontro com o tema “Segurança Urbana e a Prevenção da Violência”. O evento contou com palestra de Everton Campos, subinspetor da Guarda Civil Municipal (GCM) de São Bernardo do Campo e Diretor do Centro Regional de Formação em Segurança Urbana da região do ABC.

As atividades integraram o encontro "Uma Tarde na Universidade", do Programa Aquarela (3ª Idade na Universidade), promovido pelo Núcleo de Arte e Cultura (NAC), e foram promovidas em parceria com o curso de Segurança Pública a distância da Metodista.

Na abertura das solenidades, Sibelly Resch, coordenadora do curso de Segurança pública EAD, reforçou a importância do tema a ser tratado. “Estamos em um momento único no País em que precisamos nos importar com tudo o que é de caráter público. O que é público é de todos nós”, declarou.

A palestra que introduziu o debate abordou temas como a hierarquia e função das polícias no Brasil, a formação técnica de agentes de segurança, a violência sistemática oriunda dos problemas sociais do País, a necessidade da discussão acerca dos direitos humanos, entre outras questões. Por mais de uma hora, Everton Campos discorreu sobre os assuntos, ouviu comentários e esclareceu dúvidas dos presentes.

Prevenção é o foco

“É uma honra voltar aqui”. Assim Everton Campos iniciou sua apresentação ao público. Graduado em Administração Geral pela Metodista em 2008, o palestrante não escondeu sua satisfação em retornar à universidade que o formou.

Para tratar do tema “Segurança Urbana e a Prevenção da Violência”, Campos destacou a importância dos agentes de segurança para a sociedade. Para ele, a categoria, ao lado dos professores e profissionais de saúde, é essencial para o povo e chave para a transformação social.

Na sequência, a pauta foi a lei nº 13.022, de 8 de agosto de 2014, que regulamentou a atuação das guardas municipais no Brasil. O aspecto evidenciado pelo palestrante foi a principal função da GCM: prevenção. “Esta é a razão de ser, a finalidade da corporação”, esclareceu.

Para diferenciar hierarquias e funções das principais instituições públicas de segurança no País, o subinspetor explicou resumidamente que a guarda municipal (preventiva) é ligada à prefeitura, as polícias Militar (ostensiva) e Civil (judiciária) são órgãos do governo do Estado e a Polícia Federal (executiva) é vinculada ao Ministério da Justiça. Diante das diversas competências das organizações, o agente também ressaltou a importância de todos participarem das questões ligadas ao tema. ”A segurança pública é de responsabilidade compartilhada, todos temos que participar dela e zelar por sua excelência”, ponderou.

Manutenção do patrimônio municipal, segurança dos logradouros públicos, mediação e resolução de conflitos e fiscalização de posturas compõem as atribuições da guarda municipal. Apesar da natureza profilática da organização, Campos faz uma ressalva válida para situações excepcionais que exigem outra postura. “O caráter preventivo não exclui a possibilidade de ação repressiva qualificada, que consiste em conduta eficaz e sem o uso da violência”, pontuou.

A partir do recorte ligado à abordagem do agente de segurança em ações ostensivas, o ex-aluno da Metodista trouxe os direitos humanos para o debate e enfatizou a necessidade da polícia zelar pelo conceito e valorizar a vida acima de todas as coisas. “Precisamos estar sempre a favor dos direitos humanos e o promovermos de forma institucional”, opinou. Para o Diretor do Centro Regional de Formação em Segurança Urbana da região do ABC, a questão precisa ser pautada e estimulada desde a formação técnica dos agentes.

Outro ponto destacado foi o caráter local das guardas municipais e sua proximidade dos cidadãos no dia a dia. “Esta é uma característica da GCM, conhecemos a população de perto e buscamos ligação com tudo o que é comunitário”, relatou Campos. O aspecto dialoga com outra frente de atuação da guarda, que promove projetos de educação como teatro de bonecos e outras atividades que remetem ao lúdico. As ações infantis são realizadas em escolas municipais e ultimamente têm sido solicitadas por instituições de ensino particular. Os jovens e adolescentes também são contemplados com cursos e estágios realizados em parceria com SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial).

Panorama da violência no Brasil

Para finalizar sua apresentação, Everton Campos trouxe dados que traçam um panorama da violência no Brasil. Entre outras coisas, as informações revelaram que a probabilidade de ser vítima de assassinato no País aumenta para pessoas com menor grau de escolaridade. “A educação é um escudo contra homicídios”, afirmou.

O número de mortes também é desigual nas unidades federativas e atinge com mais intensidade moradores de cidades menores e interioranas. Nessas e outras localidades, jovens negros e pobres são os principais atingidos. Os índices mostrados colocam o Brasil como País com o maior número absoluto de assassinatos do mundo (29,1 por 100 mil habitantes). Para o palestrante, toda a sociedade civil precisa voltar os olhos e se mobilizar pela questão da violência. “A compreensão do fenômeno, de suas causas, dinâmicas e a mobilização para a migração do problema são tarefas continuas e que devem envolver não apenas autoridades”, propôs.

A apresentação dos números acerca da violência no País foi o que mais chamou a atenção da espectadora Ana Arlinda. Professora doutora aposentada pela Universidade Federal de Mato Grosso, ela destacou a necessidade de discutir o tema e pensar em soluções para sua resolução. "Foi muito importante refletir sobre a falta de segurança oriunda dos problemas sociais vividos hoje pelo Brasil, principalmente pelo alarmante índice de assassinatos de negros e pobres", relatou. Entre os temas debatidos, Arlinda também ressaltou a relevância de entender as funções da guarda municipal e de esclarecer dúvidas sobre segurança no bairro.

Entrevista

Após o evento, o palestrante Everton Campos conversou com o Portal da Metodista sobre a apresentação e falou sobre sua formação na universidade. Confira os principais trechos:

- A oportunidade de falar com o público da terceira idade
Eu diria que falar para eles é aprender. Houve muitas dúvidas sobre o que é a guarda municipal, o que faz e qual a sua função. Procurei esclarecer todas as questões. Cada pergunta ou comentário carrega uma história de longa data, de longos anos. Por isso, foi um exemplo de democracia e diálogo. Conversamos, estabelecemos contrapontos com muito cuidado e respeitamos todas as opiniões.

- A importância do feedback para a guarda
A guarda civil é uma instituição bastante jovem e que está se construindo a partir de questionamentos de pessoas como o público deste evento. Muito do que ouvi aqui será levado ao comando da corporação como feedback importante de um nicho bem especifico. A tarde foi de aprendizado mútuo.

- O caráter local da GCM
A guarda tem essa característica próxima às pessoas. O agente que faz segurança escolar tem contato com toda aquela comunidade. Além de professores e diretores, há mães e pais de alunos, servidores e os próprios estudantes. Esse convívio gera bastante diálogo e é algo que se estende para os moradores do bairro de maneira constante.

- Público atuante
Temos um inspetor que recebe representantes de bairro e moradores com reinvindicações. É um público atuante, sobretudo no Rudge Ramos, onde são muito participativos. O evento de hoje foi importante porque permite contato com uma quantidade maior de pessoas e com a diversidade de opiniões.

- Volta à Metodista
Eu me sinto em casa. Adoro a Metodista, gosto muito dessa universidade. Já tive aqui no edifício Sigma durante meu período de aluno acompanhando palestras do curso de Administração. Então, voltar aqui é um prazer, uma grande honra, ainda mais por pode contribuir de alguma forma com os projetos locais.

- Importância da universidade na carreira
Iniciei a faculdade seis meses depois de meu ingresso na guarda. Teve uma disciplina que me marcou muito e me fez repensar a carreira. Quando se inicia o curso de Administração, a ideia é empreender ou em ser um profissional de sucesso em alguma empresa. Porém, a matéria de Gestão de Cidades, ministrada pelo professor Luiz Roberto Alves, mudou minha visão e o tema passou a ser uma paixão para mim. Revi o plano inicial de me formar e sair da guarda por conta disso. Internamente, fui crescendo na GCM e peguei cada vez mais gosto e motivação para lidar com o que é público. O professor me incentivou muito a estudar assuntos na área e a fazer mestrado. A Metodista foi excelente e é especial para mim. E o Luiz Roberto Alves foi o diferencial para as escolhas na minha vida profissional.

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