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Os grupos de economia solidária formam um conjunto geracional?

Segundo dados da Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes, 2007), existiam em torno de 7.500 empreendimentos solidários em regiões urbanas e cerca de 10.500 nas regiões rurais brasileiras cadastrados nessa Secretaria até 2007. Ainda de acordo com a Senaes, a economia solidária (ES) ocorre, nas regiões urbanas brasileiras, principalmente nas periferias das grandes cidades. Tanto é assim que, dos empreendimentos cadastrados na Senaes, segundo pesquisa realizada por esse órgão, a maior porcentagem dos grupos de ES surgiu como forma de superar as consequências do desemprego e como complemento à renda domiciliar insuficiente para manutenção das despesas das pessoas que vivem nos domicílios numa dada região urbana. Ao analisar tais dados surgem algumas indagações: Quem são essas pessoas que decidem envolver-se em grupos de economia solidária? Qual é seu perfil socioeconômico? Que motivos levam algumas pessoas a engajar-se nesses grupos e outras, não? Esses indivíduos possuem características comuns? Tais características podem levar o pesquisador a concluir que compõem uma unidade geracional?

Para Tomizaki (2011), uma geração pode ser identificada com base na análise de alguns aspectos, como a idade dos indivíduos, embora esse fator, sozinho, não seja suficiente para caracterizar uma geração. Outro fator importante a ser considerado no processo de compreensão das características geracionais é a passagem por experiências comuns dos indivíduos que compõem um determinado grupo, propiciando a eles um sentimento de pertencimento e de destino comum. Essa necessidade metodológica de conhecer as experiências impõe outra que é a de reconstituir as experiências pelas quais os indivíduos do grupo passaram. Outro elemento importante a ser analisado nessa pesquisa geracional, são as denominadas experiências de classe e as condições econômicas, sociais e históricas desse grupo. Um último aspecto a ser considerado é a capacidade dos indivíduos de afirmarem sua identidade de grupo a partir da comparação com outros indivíduos de outros grupos, tendo clareza de “quem somos nós e quem são os outros”.

É possível afirmar que a participação em um grupo de ES é fruto de uma tomada de decisão individual frente a um universo de possibilidades e ela abrange tanto uma dimensão objetiva como uma subjetiva. Ser individual não significa que nasceu da pessoa mas que depende de sua situação histórica, política e social. Tal situação é objetiva e tem um impacto sobre o subjetivo. Dito com outras palavras, a trajetória específica e subjetiva ocorre no interior de um contexto socioeconômico, político, cultural, familiar, no qual todas as pessoas são socializadas. Ao analisar a participação de indivíduos em grupos de ES, busca-se compreender como se constituiu a trajetória desses indivíduos de forma que optassem por sua integração a esses grupos.

Quer saber mais?

https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/REGS/article/view/2797/2733

Gattai, Silvia. Entrevista com prof.doutora Kimi Tomizaki. In Revista eletrônica Gestão e Serviços, v.2, n.2, agos/dez 2011;

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